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Comunicação na gestão condominial: do informar ao dialogar.

person Mislene Cardoso Bitencourt de Oliveira
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Ao longo desta série, vimos que a comunicação é uma ferramenta estratégica para a gestão condominial, capaz de prevenir conflitos, fortalecer relacionamentos e gerar maior confiança entre moradores e administração. Também refletimos sobre assertividade, inteligência emocional e a importância da comunicação como instrumento de mediação. Agora, é momento de aprofundar uma mudança de perspectiva essencial: a diferença entre informar e dialogar.

Durante muito tempo, a comunicação nos condomínios esteve centrada apenas na transmissão de informações. Comunicados, circulares, editais e avisos sempre fizeram parte da rotina administrativa. Eles continuam sendo indispensáveis, mas, sozinhos, já não atendem às necessidades de uma sociedade cada vez mais conectada, participativa e interessada em compreender o porquê das decisões.

Informar significa transmitir uma mensagem. Dialogar significa construir entendimento.

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Essa diferença parece sutil, mas transforma completamente a relação entre gestão e moradores. Um comunicado pode dizer que determinada área comum ficará interditada. O diálogo, além de informar a interdição, explica os motivos, os benefícios da medida, o prazo previsto e demonstra abertura para esclarecer dúvidas. Quando as pessoas compreendem o contexto das decisões, a tendência é que haja maior colaboração e menor resistência.

Simon Sinek, no livro Comece pelo Porquê, afirma que as pessoas não se conectam apenas com aquilo que fazemos, mas principalmente com o motivo pelo qual fazemos. Embora a obra seja voltada para liderança e organizações, seu princípio aplica-se perfeitamente ao ambiente condominial. Explicar o propósito de uma decisão aproxima a gestão dos moradores e fortalece a confiança.

Outro aspecto importante é compreender que diálogo não significa abrir votação para todas as decisões, nem concordar com todas as opiniões. Dialogar é criar espaços de escuta, demonstrar respeito pelas diferentes percepções e comunicar com transparência, mesmo quando determinadas decisões já estejam definidas por lei, convenção ou necessidade administrativa.

Nesse contexto, a escuta assume um papel tão importante quanto a fala. Stephen Covey, em Os 7 Hábitos das Pessoas Altamente Eficazes, apresenta um princípio que resume essa ideia: "Procure primeiro compreender, depois ser compreendido." Para o gestor condominial, essa postura representa uma mudança significativa. Antes de responder a uma reclamação, vale a pena compreender o que realmente preocupa aquele morador. Muitas vezes, por trás de uma crítica existe apenas o desejo de ser ouvido.

É importante lembrar que diálogo não elimina conflitos. Divergências continuarão existindo, pois fazem parte da convivência humana. O que muda é a forma como essas diferenças são conduzidas. Uma gestão que dialoga reduz ruídos, evita interpretações equivocadas e cria um ambiente mais propício à construção de soluções coletivas.

Mais do que administrar documentos, contratos e recursos financeiros, o síndico e a administradora administram relações. E relações sólidas são construídas quando a comunicação deixa de ser apenas uma via de mão única e passa a ser um verdadeiro canal de conexão entre pessoas.

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No próximo artigo, abordaremos um dos maiores desafios da comunicação condominial: como comunicar regras e limites sem gerar resistência, transformando normas em instrumentos de conscientização e convivência harmoniosa.

Aprofundaremos estratégias práticas e ferramentas que podem auxiliar síndicos e gestores a tornar a comunicação ainda mais eficaz no cotidiano condominial.

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Escrito por

Mislene Cardoso Bitencourt de Oliveira

Graduada em Relações Públicas pela Unisinos, com MBA em Gestão Empresarial pela mesma instituição. Possui pós-graduação em Neurociência, Comportamento Humano e Comunicação e em Mediação e Gestão de Conflitos (ambas em andamento pela Faculdade CM). É consultora certificada pelo IBC, habilitada para utilização da ferramenta Coaching Assessment Comportamental, além de Professional & Self Coach em Comunicação. É coautora do livro Coaching: Um movimento de mudança no mundo, autora do Projeto de Gestão Condominial do Governo Federal no RS e CEO da Alfa City. Especialista em Gestão Condominial, atua há 22 anos no mercado, somando mais de 40 mil horas em atendimentos, consultorias, mentorias e gestão de conflitos, além de mais de 12 mil horas de atuação em assembleias.

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