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Escuta ativa: a habilidade que transforma conflitos em soluções.

person Mislene Cardoso Bitencourt de Oliveira
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Comunicação na gestão condominial: do informar ao dialogar

No artigo anterior, destacamos que a comunicação é um dos pilares da gestão condominial eficiente, capaz de prevenir conflitos, fortalecer relações e criar um ambiente mais colaborativo. Dando continuidade a essa reflexão, é importante avançar para um ponto fundamental: a diferença entre apenas informar e, de fato, dialogar.

Informar é necessário, mas não suficiente. Muitos conflitos em condomínios surgem não pela ausência de comunicados, mas pela forma como eles são transmitidos. Avisos impositivos, linguagem fria ou mensagens pouco claras podem gerar resistência, sensação de injustiça e afastamento entre gestão e moradores. O diálogo, por sua vez, pressupõe troca, escuta e disposição para compreender diferentes perspectivas.

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Nesse sentido, a Comunicação Não Violenta, de Marshall Rosenberg, oferece contribuições valiosas. O autor defende que uma comunicação eficaz se baseia em quatro elementos: observação sem julgamento, identificação de sentimentos, reconhecimento de necessidades e formulação de pedidos claros. Aplicar esses princípios na rotina condominial significa comunicar regras e decisões com respeito, empatia e clareza, reduzindo reações defensivas.

Por exemplo, ao invés de apenas reforçar uma norma de forma punitiva, o gestor pode explicar o motivo da regra, os impactos no coletivo e abrir espaço para dúvidas. Essa postura transforma a comunicação em um instrumento educativo, e não apenas disciplinar. Como Rosenberg aponta, “quando conseguimos expressar nossas necessidades sem acusar ou criticar, aumentamos significativamente as chances de sermos ouvidos”.

Outro aspecto essencial é a escuta ativa. Ouvir reclamações, sugestões e insatisfações não significa concordar com tudo, mas demonstrar respeito e consideração. Moradores que se sentem ouvidos tendem a cooperar mais e a buscar soluções conjuntas, mesmo em situações delicadas. A escuta, nesse contexto, é uma ferramenta de liderança.

Além disso, é fundamental alinhar discurso e prática. A comunicação perde credibilidade quando não é acompanhada de coerência nas ações. Transparência, clareza e constância fortalecem a confiança na gestão e contribuem para um clima organizacional mais saudável dentro do condomínio.

Evoluir a comunicação condominial é um processo contínuo. Exige sensibilidade, preparo e disposição para aprender com as experiências do dia a dia. Ao transformar comunicados em diálogos e conflitos em oportunidades de aprendizado coletivo, o gestor contribui não apenas para a boa administração, mas para a construção de uma convivência mais harmoniosa.

No próximo artigo, aprofundaremos estratégias práticas e ferramentas que podem auxiliar síndicos e gestores a tornar a comunicação ainda mais eficaz no cotidiano condominial.

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Foto de Mislene Cardoso Bitencourt de Oliveira
Escrito por

Mislene Cardoso Bitencourt de Oliveira

Graduada em Relações Públicas pela Unisinos, com MBA em Gestão Empresarial pela mesma instituição. Possui pós-graduação em Neurociência, Comportamento Humano e Comunicação e em Mediação e Gestão de Conflitos (ambas em andamento pela Faculdade CM). É consultora certificada pelo IBC, habilitada para utilização da ferramenta Coaching Assessment Comportamental, além de Professional & Self Coach em Comunicação. É coautora do livro Coaching: Um movimento de mudança no mundo, autora do Projeto de Gestão Condominial do Governo Federal no RS e CEO da Alfa City. Especialista em Gestão Condominial, atua há 22 anos no mercado, somando mais de 40 mil horas em atendimentos, consultorias, mentorias e gestão de conflitos, além de mais de 12 mil horas de atuação em assembleias.

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