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A Copa que virou caixa: como um condomínio gaúcho transformou a febre do torneio em receita real

person Gabriele Fiel
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Porto Alegre deu um exemplo que o mercado condominial brasileiro vai querer copiar. Na tarde do último sábado, 14 de junho, o Condomínio Park Plaza, localizado na Zona Leste da capital gaúcha, transformou uma de suas áreas comuns em uma autêntica FanFest para acompanhar a estreia da Seleção Brasileira na Copa do Mundo FIFA 2026, diante de Marrocos. O evento reuniu mais de uma centena de moradores em um ambiente decorado com temática da Copa, com clima de arquibancada, telão para transmissão do jogo, praça de alimentação e arena de troca de figurinhas com programação voltada para todas as idades.

O que torna a iniciativa relevante para além da celebração esportiva, no entanto, é o modelo adotado para sua realização. Em vez de contratar fornecedores com recursos do próprio condomínio ou cobrar taxas extras dos moradores para financiar a estrutura, a gestão adotou uma lógica diferente: os espaços da área comum foram concedidos a empreendedores moradores e a fornecedores externos para que comercializassem alimentos e bebidas durante o evento. Como contrapartida, os participantes destinaram um percentual do faturamento obtido diretamente ao caixa do condomínio. O resultado é um evento de alto impacto na comunidade que não representa custo adicional ao orçamento coletivo, pelo contrário, representa entrada de recursos.

A proposta, conforme relataram os próprios moradores do Park Plaza, busca unir entretenimento, fortalecimento da comunidade e geração de recursos para futuras melhorias e ações coletivas dentro do condomínio. A lógica não é nova no setor de eventos privados, mas sua aplicação no ambiente condominial ainda é rara e, quando bem executada, pode servir como modelo replicável. O formato também apresenta uma vantagem operacional relevante: ao transferir o risco financeiro para os fornecedores, o condomínio elimina a necessidade de investimento inicial e de gestão direta da praça de alimentação, concentrando sua atuação na organização do espaço e na comunicação com os moradores.

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A edição de estreia foi considerada bem-sucedida pelos participantes, e a programação deve se repetir nos próximos jogos da Seleção Brasileira ao longo do torneio, que se estende até 19 de julho. O calendário da Copa favorece esse tipo de iniciativa: com partidas espalhadas por mais de cinco semanas e jogos em horários que variam da tarde até a madrugada no fuso horário brasileiro, a demanda natural por espaços de convivência coletiva é alta e previsível, exatamente o tipo de condição que um modelo de receita baseado em eventos sabe aproveitar.

Do ponto de vista da gestão condominial, a experiência do Park Plaza levanta uma questão estratégica que muitos síndicos ainda ignoram: eventos de grande apelo coletivo, como os jogos da Copa do Mundo, não precisam ser apenas desafios de convivência, com conflitos de barulho, disputas por salão de festas e sobrecarga na portaria. Com planejamento, comunicação e a estrutura certa, podem se tornar oportunidades reais de fortalecimento do caixa e da coesão entre os moradores. A chave, nesse caso, foi deslocar o ônus financeiro da gestão condominial para os fornecedores, criando uma relação em que todos ganham: os empreendedores têm acesso a um público cativo e qualificado, os moradores têm entretenimento gratuito, e o condomínio recebe uma contrapartida financeira sem precisar assumir riscos.

A tendência de profissionalização da gestão condominial, que já redefine o papel do síndico no Brasil em 2026, encontra no modelo do Park Plaza um exemplo concreto de como transformar eventos espontâneos em estratégia. Em um cenário de custos crescentes, com salário mínimo em alta real, reajustes de convenções coletivas e pressão sobre as taxas condominiais, qualquer fonte de receita que alivie o orçamento coletivo sem onerar os moradores merece atenção. O que o condomínio gaúcho fez neste sábado pode parecer simples. Mas exigiu visão, articulação e a disposição de enxergar além das regras de barulho.

 

Fonte: Correio do Povo

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Escrito por

Gabriele Fiel

Colunista do Portal SBM.

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