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Aluguel sobe 7,11% em 2026, quase o dobro da inflação, e aperta o inquilino

person Shirlei Brites
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O preço do aluguel residencial no Brasil subiu 7,11% de janeiro a setembro de 2026, quase o dobro da inflação oficial no período, de acordo com o Índice FipeZap de Locação Residencial divulgado na quarta-feira, 14 de outubro. No mesmo intervalo, o IPCA acumulou 3,95%. Em 12 meses, a diferença se mantém: os novos aluguéis avançaram 9,13%, ante 4,58% do IPCA e 3,34% do IGP-M, segundo reportagem da Folha de S.Paulo reproduzida pelo jornal O Tempo. O índice acompanha os preços anunciados para novos contratos de imóveis prontos em 36 cidades, 22 delas capitais, e não mede os reajustes de contratos já em vigor.

Em setembro, a alta foi de 0,52%, levemente abaixo dos 0,55% de agosto e longe do pico de 1,04% registrado em abril. A desaceleração mensal, porém, não mudou o quadro de pressão. Das 36 cidades monitoradas, 31 tiveram alta no mês. Entre as capitais, os maiores avanços de setembro ocorreram em Goiânia (1,15%), Maceió (1,06%), Florianópolis (1,02%) e Salvador (0,91%). Brasília teve a maior queda entre as capitais, de 0,53%, seguida por Cuiabá (0,19%) e Aracaju (0,16%).

No acumulado de 12 meses, o Nordeste lidera as maiores altas. Fortaleza aparece no topo, com 16,59%, seguida por Natal (16,51%) e Aracaju (15,52%). O Rio de Janeiro registra 14,80%, Vitória 14,22% e Teresina 13,68%. Em São Paulo, a variação foi mais moderada, de 6,22% em 12 meses e 4,93% no ano, segundo os dados levantados pela Fipe em parceria com o Grupo OLX.

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A capital paulista, no entanto, continua sendo a mais cara do país para alugar. O preço médio anunciado chegou a R$ 65,78 por metro quadrado em setembro, o maior entre as 22 capitais. Na sequência aparecem Recife (R$ 64,39), Belém (R$ 62,25), Rio de Janeiro (R$ 61,86) e Florianópolis (R$ 61,81). Considerando toda a amostra, a maior média é a de Barueri, na Grande São Paulo, com R$ 71,96 por metro quadrado. Os imóveis de um dormitório seguem como os mais caros por metro quadrado, com média de R$ 72,68.

Para a economista Mariangela Silva, do Grupo OLX, a perda de ritmo não deve ser lida como esfriamento. Segundo ela, "o ritmo mais lento de crescimento não significa que o mercado tenha deixado de se valorizar". A especialista destacou ainda que "o ganho efetivo do investimento imobiliário vem de dois canais simultâneos", em referência à combinação entre a renda do aluguel e a valorização do imóvel. Nos últimos 12 meses, o preço de venda subiu 5,51%, também acima da inflação.

A rentabilidade média do aluguel ficou em 6,13% ao ano em setembro, praticamente estável em relação aos 6,14% de agosto. Entre as capitais, Recife (8,30%), Cuiabá (8,18%) e Belém (8,15%) oferecem os maiores retornos, enquanto São Paulo fica em 6,43%. Unidades de um dormitório rendem, em média, 6,74%. Mesmo assim, o rendimento segue abaixo da taxa de juros real projetada para os próximos 12 meses, o que mantém a concorrência com aplicações financeiras.

O pano de fundo é conhecido: com juros elevados e crédito imobiliário mais restrito, muitas famílias adiam a compra da casa própria e permanecem no mercado de locação. A demanda aquecida, combinada a uma oferta limitada, sustenta os reajustes dos novos contratos.

Para o mercado condominial, os números têm efeitos em várias direções. Proprietários que investem em unidades para renda encontram um ambiente favorável para negociar valores. Já os inquilinos sentem o peso crescente da moradia no orçamento, o que pode se refletir na pontualidade dos pagamentos, inclusive da cota condominial quando ela é de responsabilidade do locatário. Para síndicos e administradoras, o momento recomenda acompanhar de perto a inadimplência, manter atualizado o cadastro de moradores e inquilinos e considerar o custo total de moradia ao propor reajustes da taxa condominial e obras nas assembleias.

Fonte: Folha de São Paulo

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Escrito por

Shirlei Brites

Colunista do Portal SBM.

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