Geral

Amazonas cria capacitação para futuros moradores de condomínio em Manaus e busca reduzir problemas após ocupação.

person Gabriele Fiel
calendar_today

Manaus (AM), 4 de junho de 2026 — Em um cenário no qual milhares de empreendimentos habitacionais de interesse social enfrentam desafios relacionados à convivência coletiva, inadimplência e conservação das áreas comuns logo após a ocupação, o Governo do Amazonas decidiu apostar em uma ferramenta ainda pouco explorada em grande escala no país: a educação condominial antes da entrega das moradias. Nesta semana, famílias pré-selecionadas para o Residencial Amazonas Meu Lar Novo Aleixo participaram de um curso de Gestão Condominial promovido pela Secretaria de Estado de Desenvolvimento Urbano e Metropolitano (Sedurb), como parte das ações preparatórias para a futura ocupação do conjunto habitacional.

A iniciativa integra o Trabalho Técnico Social (TTS), etapa prevista nos programas habitacionais financiados com recursos públicos e considerada fundamental para garantir que os beneficiários estejam preparados para a nova realidade de viver em condomínio. Mais do que uma atividade complementar, a capacitação busca criar uma cultura de responsabilidade coletiva, participação comunitária e preservação patrimonial antes mesmo da entrega oficial das unidades.

O Residencial Novo Aleixo está sendo construído por meio do Programa Amazonas Meu Lar, principal política habitacional do governo estadual, em parceria com o programa federal Minha Casa Minha Vida. O empreendimento contará com 48 apartamentos distribuídos em três blocos residenciais e faz parte do esforço para ampliar o acesso à moradia para famílias de baixa renda na capital amazonense.

Publicidade

Durante a capacitação, os futuros moradores receberam orientações sobre temas que costumam gerar dúvidas e conflitos em condomínios recém-entregues. Entre os assuntos abordados estiveram o funcionamento das assembleias, o papel do síndico, a utilização correta das áreas comuns, as responsabilidades dos condôminos, a importância do pagamento das taxas condominiais e os mecanismos de tomada de decisão coletiva. Também foram discutidas práticas relacionadas à conservação dos espaços compartilhados e à construção de uma convivência harmoniosa entre os residentes.

Embora frequentemente associada apenas à administração financeira dos condomínios, a gestão condominial envolve uma série de aspectos sociais, jurídicos e operacionais que impactam diretamente a qualidade de vida dos moradores. Em empreendimentos habitacionais de interesse social, esse desafio costuma ser ainda maior. Muitas famílias contempladas pelos programas públicos estão migrando de realidades habitacionais distintas, como moradias individuais ou ocupações informais, para ambientes que exigem regras coletivas, divisão de responsabilidades e participação ativa na gestão do patrimônio comum.

É justamente nesse processo de adaptação que surgem alguns dos principais problemas observados em conjuntos habitacionais de todo o país. Especialistas em gestão condominial apontam que boa parte dos conflitos registrados nos primeiros anos de ocupação está relacionada ao desconhecimento das normas internas, à baixa participação dos moradores nas assembleias e à falta de compreensão sobre os custos envolvidos na manutenção das áreas comuns. O resultado costuma ser o aumento da inadimplência, desgaste das estruturas coletivas e dificuldades para a administração dos empreendimentos.

Ao investir na capacitação prévia dos futuros moradores, o governo amazonense busca atuar preventivamente sobre essas questões. A estratégia acompanha uma tendência observada em programas habitacionais mais recentes, que passaram a enxergar a moradia não apenas como a entrega de uma unidade física, mas como a construção de comunidades capazes de se organizar, administrar recursos e preservar o patrimônio recebido.

O secretário executivo da Sedurb, Gustavo Rebouças, destacou durante as atividades a importância da conscientização dos beneficiários quanto ao uso adequado dos espaços coletivos e à necessidade de participação dos moradores na gestão do condomínio. A orientação está alinhada às diretrizes do Trabalho Técnico Social, que prevê ações de mobilização, organização comunitária e fortalecimento dos vínculos sociais entre os futuros residentes.

Além das atividades de capacitação, o empreendimento avança para sua fase final de construção. Segundo informações divulgadas pelo governo estadual, aproximadamente 78% das obras já foram concluídas. Atualmente, os trabalhos estão concentrados na etapa de acabamento, incluindo serviços de pintura, instalação de sistemas elétricos e hidrossanitários, assentamento de revestimentos e finalização das áreas comuns.

Publicidade

O projeto contempla uma infraestrutura que inclui playground, biblioteca, bicicletário, sala destinada à administração condominial, estacionamento para visitantes e sistema próprio de tratamento de esgoto. A proposta segue um modelo que busca oferecer não apenas moradia, mas também equipamentos capazes de estimular a convivência comunitária e melhorar a qualidade de vida dos futuros moradores.

A ação também ganha relevância em um momento de expansão dos programas habitacionais no estado. O Amazonas Meu Lar prevê investimentos estimados em R$ 4,7 bilhões para a implementação de 24 mil soluções habitacionais e a regularização fundiária de 33 mil imóveis em diferentes municípios amazonenses. Segundo dados do governo estadual, mais de 32 mil famílias já foram beneficiadas por alguma modalidade do programa desde seu lançamento.

Para o mercado condominial, a experiência do Residencial Novo Aleixo oferece um exemplo importante de como a educação e a preparação dos moradores podem se tornar instrumentos estratégicos de gestão. Em um país onde o número de brasileiros vivendo em condomínios cresce de forma consistente, iniciativas voltadas à formação cidadã e à conscientização sobre a vida coletiva tendem a ganhar cada vez mais espaço nas políticas públicas habitacionais.

Mais do que preparar famílias para ocupar um novo endereço, a proposta busca formar comunidades capazes de administrar seus próprios espaços de forma sustentável. Em um cenário marcado por desafios financeiros, jurídicos e sociais dentro dos condomínios brasileiros, a capacitação prévia pode representar um dos caminhos mais eficazes para evitar problemas futuros e garantir que o investimento público em habitação produza resultados duradouros para moradores e gestores.

 

Fonte: Fato Amazônico

Foto de Gabriele Fiel
Escrito por

Gabriele Fiel

Colunista do Portal SBM.

Ver Perfil arrow_forward

Comentários (0 comentários)

Deixe seu comentário

Artigos Relacionados