Arábia Saudita revela prédio-observatório que parece cena de Duna no deserto.
A Comissão Real para AlUla, na Arábia Saudita, aprovou nas últimas semanas o projeto definitivo do AlUla Manara, um complexo astronômico que pretende se tornar um dos maiores observatórios ópticos do mundo. A informação foi divulgada em 22 de julho de 2026 pelo portal Xataka Brasil, que teve acesso aos detalhes do design assinado pelo escritório britânico Heatherwick Studio. O empreendimento ficará erguido em um planalto a cerca de 70 quilômetros ao norte da cidade de AlUla, dentro de uma área já certificada como "Parque do Céu Escuro", reconhecimento internacional concedido a regiões com níveis mínimos de poluição luminosa, ideais para observação astronômica.
À primeira vista, as imagens conceituais do observatório lembram mais um cenário do filme "Duna" do que uma instalação científica tradicional. Em vez da clássica cúpula giratória que abriga um único telescópio, o AlUla Manara terá uma estrutura em forma de flor, inspirada nas formas espirais de galáxias e em padrões encontrados em fósseis, revestida por pedra local para se camuflar na paisagem desértica ao redor.
O projeto reúne um telescópio principal de quatro metros de diâmetro, acompanhado por outros dois instrumentos de dois metros, além de sistemas avançados de monitoramento como o LaserSETI, plataformas de observação e equipamentos de astrofotografia voltados tanto à pesquisa científica quanto à experiência turística. Segundo Stuart Wood, diretor do Heatherwick Studio, a intenção do projeto é dissolver as barreiras que normalmente separam o público das atividades científicas, permitindo que visitantes acompanhem de perto o trabalho de astrônomos.
O AlUla Manara integra uma estratégia mais ampla da Arábia Saudita para transformar a região em um novo polo de turismo científico e cultural, alinhada ao programa Vision 2030, que busca reduzir a dependência do país em relação ao petróleo. A lógica arquitetônica do observatório dialoga diretamente com outro marco da região, o Salão de Concertos Maraya, revestido de espelhos para se misturar ao deserto, um princípio de integração entre construção e paisagem que vem se tornando referência em projetos sauditas recentes.
O anúncio se soma a uma sequência de megaprojetos que a Arábia Saudita vem promovendo desde 2017, sob o guarda-chuva do programa NEOM, que inclui iniciativas como a cidade linear The Line e o resort de esqui Trojena. Nem todos, porém, seguiram no ritmo inicialmente planejado: reportagens recentes indicam que o próprio The Line teve seu escopo reduzido e parte de sua infraestrutura redirecionada para data centers de inteligência artificial, evidenciando os desafios financeiros e técnicos enfrentados por empreendimentos de escala monumental.
Para o mercado de construção e gestão predial, casos como o do AlUla Manara funcionam como vitrine de tendências que tendem a influenciar, ainda que em menor escala, projetos ao redor do mundo, sobretudo no que diz respeito à integração entre arquitetura, sustentabilidade e paisagem natural. A busca por edificações que dialoguem com o entorno, reduzam impacto visual e ambiental, e ofereçam experiências diferenciadas já aparece em empreendimentos residenciais e comerciais de grande porte também no Brasil, ainda que em escala muito distinta da saudita.
O observatório foi originalmente anunciado em 2023, mas só recentemente teve o design final e a configuração científica aprovados pela Comissão Real para AlUla, órgão responsável por supervisionar o desenvolvimento da região. Não há, até o fechamento desta edição, data oficial de inauguração divulgada, tampouco o valor total do investimento previsto para a obra.
Enquanto o cronograma de construção não é detalhado, o AlUla Manara já desperta atenção internacional pelo contraste entre sua função científica e sua estética futurista, um lembrete de que, cada vez mais, grandes projetos arquitetônicos buscam unir tecnologia de ponta, apelo turístico e integração ambiental em uma única estrutura.
Fonte: matéria adaptada do Xataka (Espanha)