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Briga por vaga de estacionamento termina em tiros e síndico preso em Goiás.

person Gabriele Fiel
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O síndico de um condomínio situado em Alexânia, no Entorno do Distrito Federal, na região do Lago Corumbá IV, foi preso em flagrante na madrugada do último sábado (5) suspeito de efetuar ao menos seis disparos de arma de fogo contra uma caminhonete durante uma discussão motivada pelo local onde o veículo estava estacionado. De acordo com a Polícia Militar, o homem teria tentado agredir um dos ocupantes do carro com coronhadas antes de atirar quando o grupo tentava deixar o local, e sua prisão foi convertida em preventiva após a audiência de custódia.

Segundo relato do motorista da caminhonete ao g1, que preferiu não se identificar, ele visitava a namorada, moradora do condomínio, quando o síndico o abordou de forma agressiva por volta das 22h, alegando ser o responsável por autorizar o estacionamento no local. O que começou como uma reprimenda escalou rapidamente: o grupo afirma que o síndico voltou ao local já alterado, xingando os visitantes e, em seguida, agredindo fisicamente o condutor de outro carro envolvido na confusão. Ao tentar impedir que o grupo deixasse o condomínio, ele teria danificado a lateral da caminhonete a chutes e, no momento em que os ocupantes conseguiram manobrar o veículo para sair, sacado a arma e efetuado os disparos. Três dos seis tiros atingiram a caminhonete; segundo os ocupantes, ninguém ficou ferido.

A Polícia Militar foi acionada horas depois, quando os ocupantes da caminhonete, ainda visivelmente abalados, relataram o caso durante um patrulhamento de rotina na cidade. Os agentes foram até a residência do síndico e, diante do estado de exaltação do suspeito, precisaram pular o muro da casa para efetuar a abordagem. "Nós tivemos que pular porque ele estava exaltado, a gente ficou com medo de ele agredir a esposa, de ainda estar portando a arma e atirar contra a equipe. Aí entramos e fizemos a contenção dele", relatou um dos policiais que participou da ocorrência. O síndico foi autuado em flagrante por tentativa de homicídio, disparo de arma de fogo e ameaça, segundo a Polícia Civil, e alegou à equipe que atirou para se defender.

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Em nota, a Defensoria Pública do Estado de Goiás, responsável pela defesa do investigado durante a audiência de custódia, informou que atuou no caso cumprindo seu dever legal e constitucional de assegurar defesa a pessoas sem condições de arcar com um advogado particular, e que não comentará o mérito. O órgão destacou ainda que, encerrada a audiência, terá início o processo criminal, com prazo assegurado para que o acusado constitua sua defesa, seja pela própria Defensoria, seja por profissional particular.

O episódio reacende um debate recorrente no setor condominial brasileiro: os limites de atuação de síndicos em conflitos cotidianos, sobretudo os relacionados a vagas de garagem e uso de áreas comuns, que figuram entre as causas mais frequentes de desentendimentos em condomínios e loteamentos fechados no país. Casos de agressão física e uso de arma de fogo em disputas dessa natureza, embora ainda minoritários, têm ganhado mais visibilidade à medida que cresce o número de condomínios horizontais e loteamentos com controle de acesso próprio, estrutura em que o síndico frequentemente acumula funções de mediador de conflitos e de responsável pela segurança patrimonial, combinação que, sem preparo adequado, pode agravar situações de tensão em vez de contê-las. Segundo o relato do motorista ouvido pela reportagem, o síndico já teria histórico de desentendimentos com outros condôminos, o que reforça a discussão sobre a necessidade de capacitação em mediação de conflitos para síndicos, sobretudo em condomínios de lazer e loteamentos de veraneio, onde a rotatividade de visitantes de fim de semana é maior e o gestor costuma concentrar decisões informais sobre uso de vagas e áreas comuns.

O caso segue sob investigação da Polícia Civil de Goiás, e o desfecho do processo criminal deverá definir se o síndico responderá em liberdade ou permanecerá preso preventivamente até o julgamento. Para síndicos e administradoras, o episódio serve de alerta sobre a importância de protocolos formais para lidar com conflitos de estacionamento e uso de áreas comuns — incluindo o acionamento imediato da segurança patrimonial ou da polícia em situações de tensão, em vez da intervenção pessoal direta do gestor. Moradores e visitantes de condomínios e loteamentos fechados devem redobrar a atenção a esse tipo de ocorrência e, sempre que se sentirem ameaçados, acionar as autoridades competentes antes de qualquer confronto direto.

 

Fonte: G1

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Escrito por

Gabriele Fiel

Colunista do Portal SBM.

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