Geral

Câmeras de segurança do condomínio no Camargos flagram suspeito após crime.

person Gabriele Fiel
calendar_today

Um caso de feminicídio ocorrido dentro de um condomínio no bairro Camargos, na Região Oeste de Belo Horizonte, voltou a chamar atenção nesta quarta-feira (22) depois que imagens do circuito interno de segurança do prédio mostraram o momento em que o suspeito deixou o edifício carregando malas, poucas horas após matar a namorada. André Junior Silva de Carvalho, de 24 anos, confessou o crime nesta terça-feira (21), ao se apresentar espontaneamente à Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG). A vítima, Stifanie Ribeiro Firmino Silva, de 35 anos, foi encontrada morta em seu próprio apartamento na segunda-feira (20), após dias sem contato com vizinhos e amigos.

Segundo o delegado Thiago Megale Giovane, responsável pelo Departamento de Investigação de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), o crime aconteceu na noite de quinta-feira (16), mas o corpo só foi localizado quatro dias depois, já em avançado estado de decomposição. As imagens das câmeras internas do condomínio, fundamentais para reconstituir a linha do tempo do caso, mostram o suspeito saindo do prédio na manhã de segunda-feira mancando e carregando malas, o que reforça a hipótese da polícia de que ele também teria subtraído pertences do apartamento antes de deixar o local.

De acordo com a investigação, André conheceu Stifanie no início de julho por meio de um aplicativo de relacionamentos e passou a morar no imóvel dela dias depois, enquanto buscava emprego e estabilidade na capital mineira. A convivência evoluiu para um relacionamento amoroso que, segundo a polícia, já havia terminado quando o crime ocorreu, embora o suspeito continuasse hospedado no apartamento. O delegado relatou que André alegou ter agido durante uma discussão motivada por um pedido para que deixasse o imóvel, e que inicialmente tentou sustentar a versão de suicídio antes de confessar a autoria do feminicídio.

Publicidade

Um dos pontos que chamou atenção das autoridades foi o comportamento do suspeito nos dias seguintes ao crime: ele manteve o corpo dentro do apartamento, fechou as janelas e usou produtos aromatizantes para tentar mascarar o odor da decomposição, enquanto seguia saindo normalmente do condomínio em busca de emprego e moradia. Foram vizinhos e a portaria do prédio que, preocupados com o desaparecimento repentino de Stifanie, decidiram bater à porta do apartamento e acionar as autoridades, o que levou à descoberta do corpo.

O episódio reacende, no universo condominial, a discussão sobre a importância dos sistemas de monitoramento interno e da atuação da portaria como primeira linha de observação de rotinas fora do padrão. Câmeras de segurança em áreas comuns, corredores e garagens têm se tornado, cada vez mais, ferramentas decisivas não apenas para a prevenção de furtos e ocorrências patrimoniais, mas também para a elucidação de crimes graves, servindo como prova técnica em investigações policiais. Para síndicos e administradoras, o caso reforça a necessidade de manter os equipamentos de CCTV em pleno funcionamento, com armazenamento de imagens dentro do prazo recomendado, e de estabelecer protocolos claros de cooperação com a Polícia Civil quando solicitados.

O caso também expõe uma vulnerabilidade recorrente na gestão condominial: a dificuldade em identificar e formalizar a presença de hóspedes ou moradores não cadastrados dentro das unidades. Muitos condomínios ainda não possuem regras claras na convenção ou no regimento interno sobre comunicação obrigatória de hóspedes de longa permanência, o que dificulta o controle de acesso e a responsabilização em situações de emergência. Especialistas em segurança condominial recomendam que a portaria mantenha registro de visitantes e hóspedes com estadia superior a alguns dias, além de treinar a equipe para identificar sinais de rotinas incomuns, como ausência prolongada de um morador sem aviso prévio.

A rede de vizinhança também teve papel central neste caso. O estranhamento de vizinhos com o silêncio incomum do apartamento e o odor percebido nos corredores foi o que efetivamente motivou a denúncia às autoridades. Esse tipo de vigilância informal, somada a sistemas de segurança bem geridos, tem se mostrado um fator relevante para a resposta rápida em situações de risco dentro de condomínios residenciais, especialmente em unidades habitadas por moradores que vivem sozinhos.

André Junior Silva de Carvalho responde por feminicídio e ocultação de cadáver e permanece preso à disposição da Justiça. A Polícia Civil informou que as investigações continuam para esclarecer integralmente a dinâmica do crime e confirmar a hipótese de subtração de bens do apartamento da vítima.

 

Publicidade

Fonte: Rádio Itatiaia

Foto de Gabriele Fiel
Escrito por

Gabriele Fiel

Colunista do Portal SBM.

Ver Perfil arrow_forward

Comentários (0 comentários)

Deixe seu comentário

Artigos Relacionados