Caos administrativo no condomínio: Síndico já destituído segue no cargo e condôminos revoltam-se com dívida de mais de R$800 mil!
No Condomínio Torres do Mirante, localizado na Vila Jaiara, Anápolis (GO), um clima de tensão e mobilização tomou conta dos moradores diante de um impasse administrativo que já dura mais de seis meses. Apesar de ter sido destituído por uma assembleia unânime em julho de 2025, o atual síndico Randerson Aguiar continua no cargo, gerando protestos, acusações e críticas dentro da comunidade condominial.
Mesmo com votação unânime para destituir Aguiar e eleger o novo síndico Itamar Alexandre Felix Villa Real Júnior, o processo ainda não foi oficializado no 2º Tabelionato de Protesto, Registro de Pessoas Jurídicas, Títulos e Documentos de Anápolis, conhecido como Cartório Junqueira. Essa lentidão no registro tem sido o principal fator para o gestor continuar administrando o condomínio apesar da decisão da assembleia.
Moradores e líderes do movimento de protesto alegam que a demora no cartório pode estar relacionada à suposta influência política de Aguiar, que acumula cargos e posições de poder em entidades locais, incluindo direção da comissão provisória do PL em Anápolis e atuação como diretor do Sindicato Rural.
Outro ponto de crítica grave é a situação financeira do condomínio: os moradores afirmam que o fundo de reserva foi praticamente **“zerado” e que o saldo devedor ultrapassa os R$ 800 mil, podendo chegar perto de R$ 1 milhão, segundo relatos e documentos analisados por partes da comunidade. Esse passivo incluiria despesas acumuladas desde 2018, tributos atrasados e gastos não devidamente aprovados em assembleias.
As queixas não se limitam à destituição não registrada e à dívida elevada. Os condôminos relatam que foram aplicadas multas consideradas injustas ou sem justificativas claras, o que, segundo eles, teria sido usado como forma de pressionar moradores e limitar sua participação nas decisões. Relataram ainda obras em áreas comuns — como serviços de jardinagem — executadas sem aprovação em assembleia, contrariando as normas internas.
O impasse gerou protestos, sobretudo na noite de 2 de fevereiro de 2026, quando moradores se reuniram em frente ao edifício pedindo a saída imediata de Aguiar, sob palavras de ordem e denúncias públicas.
A situação ganhou contornos jurídicos. Aguiar entrou com ação judicial para tentar anular a assembleia e impedir sua destituição. Na primeira instância, a Justiça rejeitou o pedido dele, confirmando que a assembleia fora realizada dentro dos padrões legais e que o quórum estava de acordo com a convenção condominial. O Tribunal de Justiça de Goiás também manteve essa decisão favorável à assembleia.
No entanto, mesmo com decisões favoráveis, o cartório afirma que o acórdão encaminhado não teria “força de ofício” para registro sem a notificação oficial do órgão judicial competente, e que a parte interessada não pode notificar diretamente a serventia. Essa interpretação cartorial tem sido um dos principais motivos para a postergação do registro da nova gestão.
Por meio de assessoria ou entrevistas, Randerson Aguiar classificou as tentativas de destituí-lo como “manobra política”, liderada por grupos que, segundo ele, foram condenados por danos morais em ações judiciais contra o gestor. Aguiar também afirma que todas as decisões de administração e aplicação de recursos ocorreram dentro das previsões orçamentárias estabelecidas.
Fonte: Diário de Goiás - Diaário da Redação - Portal 6