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Caos em Canasvieiras (SC): vizinho ameaça incendiar prédio e transforma condomínio em zona de terror.

person Gabriele Fiel
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Um cenário alarmante de insegurança vem tirando o sossego de moradores de um condomínio residencial em Canasvieiras, bairro turístico de Florianópolis. Há anos, residentes afirmam viver sob constante tensão por conta de um morador apontado como responsável por uma sequência de episódios de violência, ameaças e danos ao patrimônio coletivo.

Conhecido entre vizinhos pelo apelido de “Zorro”, o homem reside no local há cerca de sete a oito anos. Desde então, segundo relatos, a convivência no condomínio se deteriorou progressivamente, transformando o ambiente em um espaço de medo e instabilidade.

A situação ganhou maior repercussão após a esposa do síndico expor publicamente os acontecimentos. De acordo com o depoimento, o morador teria feito ameaças graves, incluindo a possibilidade de incendiar o apartamento da família e atentar contra a vida dos residentes. Em um dos episódios mais recentes, a porta do imóvel teria sido danificada após um confronto direto.

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Os relatos não se limitam a ameaças. Moradores afirmam que agressões verbais são frequentes, muitas vezes direcionadas a mulheres, com xingamentos e ofensas em áreas comuns e até na rua. Há também denúncias de danos a veículos na garagem e destruição recorrente de estruturas do condomínio.

Um dos pontos mais críticos envolve a segurança do prédio. Segundo os residentes, câmeras de monitoramento foram arrancadas diversas vezes ao longo dos anos, inviabilizando o controle interno e a produção de provas. Essa situação teria deixado o condomínio vulnerável e dificultado ações mais efetivas.

O histórico do caso é extenso. Há diversos boletins de ocorrência registrados ao longo dos anos, incluindo denúncias por ameaça, lesão corporal, dano, invasão de propriedade, injúria, difamação e perturbação do sossego.

A Polícia Militar de Santa Catarina confirmou que já atendeu múltiplas ocorrências no local. Em um dos atendimentos recentes, houve registro de lesão corporal após desentendimento entre moradores. A corporação destacou que, nos casos considerados de menor potencial ofensivo, é aplicado o Termo Circunstanciado, conforme prevê a legislação.

Apesar do histórico, os moradores relatam frustração com a lentidão das medidas legais. O caso já tramita na Justiça, incluindo ações por inadimplência condominial e um pedido para reconhecimento da condição de “condômino antissocial”. No entanto, o processo enfrenta entraves, como a dificuldade de comprovar formalmente o vínculo do morador com o imóvel, que estaria em nome de um familiar.

Esse ponto revela um problema recorrente no universo condominial brasileiro: a complexidade jurídica para responsabilizar ocupantes que não são formalmente proprietários, mas que impactam diretamente a coletividade.

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Pelo Código Civil, o chamado condômino antissocial é aquele que, de forma reiterada, adota comportamentos que tornam inviável a convivência. A legislação prevê penalidades como multas elevadas, que podem chegar a até dez vezes o valor da taxa condominial e, em casos extremos, até o afastamento do morador por decisão judicial.

No entanto, a aplicação dessas medidas exige um conjunto robusto de provas, incluindo registros formais, testemunhos, notificações e histórico de reincidência. Esse rigor jurídico, embora necessário para garantir o direito de defesa, muitas vezes prolonga situações de risco para os demais moradores.

Além do impacto direto na segurança, episódios como este também afetam o valor dos imóveis e a atratividade do empreendimento, criando prejuízos financeiros indiretos para todos os condôminos.

Diante desse cenário, síndicos e administradoras têm buscado estratégias preventivas, como reforço na documentação de ocorrências, uso de tecnologia para registro de provas e assessoria jurídica especializada desde os primeiros sinais de conflito.

O caso de Canasvieiras expõe, de forma clara, os limites entre convivência coletiva e atuação do Judiciário. Enquanto decisões não são tomadas, moradores seguem lidando diariamente com um ambiente que, segundo eles, está longe do ideal de segurança e tranquilidade esperado em um condomínio residencial.

 

Fonte: Floripa Notícias 

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Escrito por

Gabriele Fiel

Colunista do Portal SBM.

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