Capivaras invadem condomínios e viram dor de cabeça urbana.
Não é cena de documentário: é a portaria de um condomínio. A região metropolitana do Rio de Janeiro voltou a registrar a aparição de animais silvestres em áreas urbanas, e uma capivara foi resgatada recentemente por agentes da Coordenação de Meio Ambiente do município com o apoio da Guarda Municipal. O animal foi conduzido, após o resgate, a uma área de preservação em Itaipu, na Região Oceânica da cidade, longe do fluxo intenso de pessoas e veículos que o havia surpreendido.
O caso está longe de ser isolado. Moradores de Niterói e de outras cidades têm registrado, com frequência crescente, a presença de capivaras, jacarés, preguiças, cobras e aves silvestres em bairros nobres e dentro de condomínios. O avanço da urbanização sobre áreas verdes, a proximidade de corpos d'água e a oferta de alimento em jardins e áreas de lazer ajudam a explicar por que esses animais passaram a circular onde antes só se viam moradores e pets domésticos.
A pergunta que aflige síndicos e zeladores é prática: o que fazer quando um bicho silvestre aparece? A orientação dos órgãos ambientais é clara. Diante de animais como cobras ou capivaras, a administração do condomínio deve acionar imediatamente o órgão competente do município, e o Corpo de Bombeiros costuma ser a corporação habilitada para a abordagem. Em muitas cidades, a Guarda Municipal pode ser chamada pelo telefone 153. O essencial é não improvisar.
Há um conjunto de condutas que jamais devem ser adotadas. Moradores não devem tentar capturar, tocar, alimentar ou perseguir o animal silvestre. Além do risco de acidentes, como picadas e mordidas, a interação inadequada estressa o animal e pode configurar maus-tratos, sujeitos a sanções legais. A recomendação é manter distância, isolar a área, proteger crianças e animais domésticos e aguardar a chegada da equipe especializada, que dispõe de técnicas e equipamentos adequados de manejo.
O tema também tem entrado na pauta legislativa. Tramita no Congresso uma proposta que determina que o morador informe ao condomínio caso mantenha animal silvestre em sua unidade, num esforço de dar transparência e segurança à convivência. Para o setor condominial, a multiplicação desses episódios sugere a necessidade de incluir o assunto nos manuais do morador e nos treinamentos de equipes de portaria, definindo um protocolo simples e os telefones de emergência a serem acionados.
Mais do que um fato curioso, a presença de fauna silvestre nos condomínios é um sinal dos tempos: cidades que crescem precisam aprender a conviver com a natureza que as cerca. Para o síndico, a lição é organizar a resposta antes que o problema apareça na portaria. Para o morador, fica o convite à empatia e à responsabilidade.
E para o portal, a história da capivara devolvida à natureza em Itaipu é também um lembrete de que, com informação e bom senso, o reencontro entre cidade e bicho pode terminar bem. E que cada aparição inesperada, longe de ser apenas motivo de susto ou de vídeo viral, é uma oportunidade de o condomínio mostrar que está preparado para o inusitado.
Fonte: Folha do Leste / ND Mais