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Casa própria virou pesadelo: condomínio em Sorocaba segue sem energia elétrica há mais de 2 meses.

person Gabriele Fiel
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Sorocaba (SP) — Famílias que se mudaram para casas novas no Residencial Vilagio Di Santorini, na zona norte de Sorocaba, no interior paulista, seguem há mais de dois meses sem energia elétrica definitiva. O problema começou logo após a entrega das unidades e obriga os moradores a conviver, no dia a dia, com luzes de emergência, geladeiras desligadas e uma rotina doméstica improvisada.

Segundo relatos reunidos até o fechamento desta edição, os compradores receberam as chaves dos imóveis antes de a concessionária CPFL liberar a ligação definitiva de energia. Uma das moradoras afetadas, Larissa Oliveira, conta que sua família vive às escuras desde 9 de julho, recorrendo a uma luz de emergência recarregável com autonomia de seis horas e a um cooler para conservar alimentos essenciais. "O banho tem sido de caneca", resume a moradora, que soma à rotina de improviso a suspensão do próprio trabalho como confeiteira, atividade que depende de eletricidade para o preparo de bolos e doces.

A situação não é isolada. Ao menos dez famílias, entre elas crianças e idosos, relatam dificuldades semelhantes no mesmo empreendimento, que soma 86 unidades. Sem fornecimento elétrico regular, os moradores dizem não conseguir usar eletrodomésticos básicos, conservar alimentos de forma adequada ou realizar tarefas domésticas que dependem de energia, como lavar roupas, o que, em alguns casos, leva famílias a recorrer à casa de parentes em cidades vizinhas para tomar banho e lavar roupas.

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Procurada, a construtora Amorim Coutinho, responsável pelo empreendimento, informou que mantém tratativas com a CPFL para atender às exigências técnicas necessárias à liberação da rede definitiva. Segundo a empresa, uma vistoria presencial da concessionária foi realizada em 19 de agosto de 2026, quando foi entregue um relatório com apontamentos que a equipe técnica da construtora ainda precisa resolver. A companhia afirma que vem tratando o caso com prioridade e que as etapas do processo estão sendo comunicadas formalmente ao síndico do condomínio.

O impasse expõe uma fragilidade recorrente no mercado de novos empreendimentos residenciais: a entrega de unidades sem que toda a infraestrutura essencial, sobretudo elétrica, esteja plenamente operacional. Não é a primeira vez que Sorocaba registra esse tipo de problema. Em 2025, mais de 300 famílias do condomínio Superquadra, na zona oeste da cidade, também enfrentaram atraso na ligação de energia após a construtora responsável entrar em recuperação judicial, situação em que a liberação dependia da conclusão de calçadas e da apresentação de documentação pendente à CPFL. Casos como esses reforçam que a regularização de redes elétricas em novos loteamentos e condomínios continua sendo um gargalo relevante para compradores e para a gestão condominial na região.

Para o setor, o episódio reacende um alerta prático: a entrega de um imóvel não deveria significar apenas a conclusão física da obra, mas também a plena disponibilidade dos serviços essenciais, água, esgoto e, evidentemente, energia elétrica. Quando isso não ocorre, o ônus recai sobre moradores que, além de arcar com financiamento e taxas condominiais, precisam adaptar rotinas inteiras à ausência de um serviço básico. Síndicos de empreendimentos recém-entregues costumam recomendar que a administração centralize o contato com a construtora e a concessionária, documentando cada etapa das tratativas para eventual necessidade de responsabilização.

Enquanto a solução não chega, os moradores do Vilagio Di Santorini seguem cobrando um prazo definitivo para a normalização do fornecimento. A construtora sustenta que o desfecho depende de ajustes técnicos solicitados pela CPFL, e o síndico do condomínio acompanha as tratativas para manter os condôminos informados. Para especialistas do setor, o caso reforça a recomendação de que compradores de imóveis novos verifiquem, antes da mudança, se toda a infraestrutura essencial já está regularizada, um cuidado que pode evitar meses de improviso como o vivido pelas famílias de Sorocaba.

 

Fonte: G1

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Escrito por

Gabriele Fiel

Colunista do Portal SBM.

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