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Caso VenezaUno: sócios são indiciados por fraude que lesou 17 condomínios em R$ 770 mil.

person Gabriele Fiel
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A Polícia Civil de Porto Alegre concluiu, na quarta-feira (1º de julho), a primeira fase de uma investigação que apura irregularidades cometidas pela Imobiliária VenezaUno, empresa responsável pela administração de cerca de 80 edifícios na Capital e no interior do Rio Grande do Sul. Um dos sócios da empresa foi indiciado pelos crimes de apropriação indébita e falsificação de documento particular, enquanto a outra sócia responde por apropriação indébita. Os nomes dos indiciados não foram divulgados pela corporação.

Segundo o inquérito, conduzido pela 17ª Delegacia de Polícia (17ª DP) de Porto Alegre e aberto em 8 de junho, 17 condomínios sofreram prejuízo patrimonial estimado em R$ 770 mil. O número de vítimas, porém, é maior: até a quinta-feira (2 de julho), cerca de 70 ocorrências haviam sido registradas contra a imobiliária, e as investigações continuam, já que novas vítimas seguem procurando a delegacia.

O delegado Raul Vier, responsável pelo caso, afirmou que a apuração revelou um padrão de atuação da empresa que resultou em prejuízos expressivos a diversos condomínios. Segundo ele, a primeira fase da investigação reuniu elementos suficientes para justificar os indiciamentos, mas o trabalho segue em andamento porque o número de vítimas identificadas continua crescendo.

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As denúncias começaram a chegar à polícia no início de junho, quando síndicos e representantes condominiais passaram a relatar atrasos recorrentes nos pagamentos a fornecedores. Segundo os relatos, a imobiliária, com sede no bairro Floresta, teria retido valores do caixa dos condomínios sob sua administração em vez de repassá-los aos prestadores de serviço contratados. A sede da empresa está fechada desde o início do mês passado.

Um dos pontos mais graves apurados pela polícia diz respeito à falsificação de comprovantes bancários. De acordo com as investigações, recursos destinados ao pagamento de despesas condominiais deixaram de ser empregados em sua finalidade original, enquanto comprovantes adulterados eram apresentados aos condomínios para simular que fornecedores, prestadores de serviço e concessionárias haviam recebido os respectivos pagamentos. A prática manteve síndicos e conselhos fiscais na crença de que as obrigações financeiras dos condomínios estavam em dia, até que a inadimplência junto a terceiros começou a gerar cobranças e cortes de serviço.

Na segunda-feira (29 de junho), os dois sócios da VenezaUno prestaram depoimento à polícia, mas os detalhes do que foi dito não foram divulgados pela investigação. Procurada pela reportagem, a defesa da imobiliária, representada pela advogada Juliana Leopardo, informou que só vai se manifestar publicamente após ter acesso integral ao conteúdo do inquérito.

O caso chama atenção para um ponto sensível na relação entre condomínios e empresas contratadas para a gestão financeira: a importância de mecanismos de conferência independente, como acesso direto do síndico e do conselho fiscal aos extratos bancários das contas condominiais. Administradoras profissionais sérias, que atuam com transparência e compliance, já adotam esse tipo de prática como padrão, justamente para dar segurança e previsibilidade aos condomínios que atendem. O episódio da VenezaUno, nesse sentido, reforça o valor de contratar empresas com histórico consolidado, processos auditáveis e comunicação clara com síndicos e moradores.

Especialistas em gestão condominial costumam recomendar boas práticas de governança que ajudam a prevenir situações como essa, entre elas a segregação de funções financeiras, a exigência de dupla assinatura para movimentações relevantes e o acompanhamento periódico do extrato bancário da conta do condomínio diretamente pelo síndico ou pelo conselho fiscal. Sistemas de gestão financeira com acesso compartilhado e em tempo real também têm se mostrado ferramentas eficazes, permitindo identificar rapidamente qualquer discrepância entre o que é cobrado dos condôminos e o que efetivamente é pago a fornecedores.

Para o mercado condominial gaúcho, o episódio reforça a importância de critérios sólidos na hora de escolher uma empresa de administração, como reputação no mercado, transparência na prestação de contas e adesão a boas práticas de compliance. Prejuízos como os apurados no caso VenezaUno não afetam apenas o caixa dos condomínios, mas também a confiança dos moradores na gestão coletiva do patrimônio. A investigação segue em aberto, e a expectativa é de que novas fases do inquérito tragam mais detalhes sobre a extensão do esquema e o número final de condomínios prejudicados.

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Fonte GZH

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Escrito por

Gabriele Fiel

Colunista do Portal SBM.

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