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Clonagem de controle: o crime silencioso que invadiu o Alto de Pinheiros (SP).

person Gabriele Fiel
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São Paulo amanheceu na sexta-feira, 5 de junho de 2026, com mais um capítulo da escalada do golpe que tem tirado o sono de síndicos e administradoras do país. Na noite anterior, a Polícia Militar prendeu em flagrante quatro suspeitos de integrar uma quadrilha especializada em furtos a condomínios de alto padrão por meio da clonagem de controles remotos de portão. A ação ocorreu em um edifício residencial de luxo no Alto de Pinheiros, na zona oeste da capital paulista, nas imediações do Parque Villa-Lobos, e terminou com todos os envolvidos detidos antes que qualquer apartamento fosse violado.

Segundo o boletim de ocorrência registrado no 14º Distrito Policial, de Pinheiros, os suspeitos têm entre 18 e 22 anos e confessaram à polícia que vinham monitorando o edifício antes da invasão. O grupo chegou ao endereço de carro: o motorista deixou três comparsas dentro do empreendimento e se afastou do local. Munidos do controle remoto clonado, os criminosos acessaram a garagem sem qualquer resistência e seguiram em direção a um apartamento previamente escolhido, cujos moradores, segundo apurado, estavam viajando, o que indica ação planejada com informações privilegiadas.

A tentativa de arrombamento da unidade-alvo fracassou diante da dificuldade de acesso, e o grupo passou a tentar outras portas com o uso de ferramentas. A movimentação chamou a atenção da equipe de segurança do condomínio, que acionou imediatamente a Polícia Militar. Uma testemunha também alertou as autoridades, e uma equipe que patrulhava nas proximidades cercou o prédio em poucos minutos. Ao perceberem a presença dos policiais, os suspeitos abandonaram o objetivo do furto e iniciaram a fuga a pé. Um deles tentou escapar pulando um muro de aproximadamente seis metros e sofreu fratura na perna durante a queda, sendo capturado em seguida. Os demais comparsas foram detidos em ruas próximas, e o motorista, que tentava se ocultar em um posto de gasolina da região, também foi preso.

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Um dos detidos já era procurado pela Justiça do Espírito Santo pelo crime de furto, o que reforça a hipótese de que o bando atue de forma itinerante entre estados. O caso foi registrado como tentativa de furto e captura de procurado, e os quatro permanecem à disposição do Judiciário.

O episódio reacende um debate que vem se intensificando nas pautas de segurança condominial brasileira: a vulnerabilidade dos sistemas antigos de controle de acesso. A maioria dos portões instalados em prédios residenciais utiliza tecnologia de código fixo, em que o controle emite sempre o mesmo sinal de radiofrequência a cada acionamento. Esse padrão pode ser capturado a poucos metros de distância por dispositivos relativamente baratos e replicado em controles paralelos, abrindo a garagem como se fosse o de um morador. Especialistas do setor recomendam há anos a substituição desses equipamentos por sistemas de código rolante, ou rolling code, em que cada acionamento gera uma combinação nova e descarta a anterior, inviabilizando a clonagem. Modelos mais avançados, baseados em criptografia, chegam a oferecer bilhões de combinações por dispositivo.

Para o mercado condominial, o caso do Alto de Pinheiros funciona como sinal de alerta em duas dimensões. A primeira é tecnológica: condomínios que ainda operam com controles de código fixo precisam reavaliar com urgência seus contratos de manutenção e os fornecedores de automação, exigindo migração para padrões anticlonagem. A segunda é organizacional: a ação dependeu de monitoramento prévio e informação privilegiada sobre a ausência dos moradores, o que indica falhas em protocolos de portaria, controle de prestadores e até no compartilhamento de informações nas redes sociais por parte dos próprios condôminos. Síndicos profissionais e administradoras devem incluir esse tipo de risco em auditorias periódicas de segurança, treinar equipes para identificar comportamentos suspeitos nas proximidades do edifício e revisar a política de visitas e entregas. Em um cenário em que o crime patrimonial em São Paulo segue em níveis elevados, prevenir uma invasão deixou de ser apenas instalar câmera e contratar portaria 24 horas: passa, obrigatoriamente, pela atualização da própria tecnologia que abre a porta de casa.

 

Fonte: Estadão

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Escrito por

Gabriele Fiel

Colunista do Portal SBM.

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