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Condomínio de luxo em Ipanema (SC) terá robô que pega elevador sozinho.

person Gabriele Fiel
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Buscar uma encomenda na portaria pode deixar de ser tarefa do morador para virar rotina automatizada do próprio prédio. Em Itapema, no litoral de Santa Catarina, o empreendimento de luxo Edify One, em construção na orla da Meia Praia, vai adotar um robô autônomo capaz de chamar o elevador sozinho e levar pequenos volumes da recepção até a porta de cada apartamento, sem acompanhamento humano durante o trajeto.

O funcionamento foi detalhado pela equipe do empreendimento nesta segunda-feira, 7 de setembro de 2026. O processo começa quando a portaria recebe uma encomenda: a equipe confere e libera o volume, que é colocado em um compartimento do robô. A partir daí, o equipamento assume a operação, aciona o elevador, sobe até o pavimento correspondente e segue até a unidade indicada. Concluída a entrega, retorna sozinho à base, onde aguarda a próxima solicitação.

A integração direta com os elevadores diferencia a solução de outras iniciativas já vistas no mercado imobiliário brasileiro. Sistemas de automação predial costumam se limitar a fechaduras inteligentes, câmeras e controle de acesso, mas raramente comandam o deslocamento vertical de um equipamento entre pavimentos residenciais. Para o empreendimento, a proposta reduz a necessidade de moradores descerem até a portaria e limita a circulação de entregadores e terceiros nas áreas privativas, argumento que pesa especialmente em empreendimentos de altíssimo padrão, nos quais segurança e privacidade valem tanto quanto metragem e vista para o mar.

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"Em um empreendimento de altíssimo padrão, tecnologia precisa resolver uma necessidade real do morador. Levar uma encomenda da recepção até um apartamento é uma tarefa operacional e repetitiva", afirma Luiz Feitosa, sócio do Edify One e especialista em mercado imobiliário com 35 anos de atuação no setor. Segundo ele, quando a entrega é autônoma, a circulação de terceiros no prédio diminui e a privacidade da área residencial aumenta. "A equipe continua disponível para aquilo que realmente exige atenção, decisão e atendimento personalizado", diz o executivo.

A iniciativa acompanha uma tendência que já se consolidava fora do ambiente residencial. Robôs de entrega ganharam espaço primeiro em campi corporativos, centros logísticos e operações de última milha em vias públicas, e agora migram para dentro de prédios e condomínios. Estudo da consultoria MarketsandMarkets projeta que o mercado global de robôs de entrega salte de 800 milhões de dólares em 2025 para 3,24 bilhões em 2030, crescimento médio anual estimado em 32,4%. Na Argentina, o correio nacional já usa 240 robôs para triagem de até 9 mil encomendas por hora. No Edify One, o uso será mais restrito: o equipamento operará só dentro do condomínio e sempre dependerá da liberação da equipe de recepção antes de cada entrega, preservando uma checagem humana no processo.

O robô é um item entre vários no pacote tecnológico do empreendimento, que terá segurança monitorada por inteligência artificial, automação residencial nas unidades e carregadores para veículos elétricos nas vagas privativas, além de geradores para todo o edifício e sistema de Building Maintenance Unit (BMU) para manutenção da fachada. Com 45 pavimentos e 32 mil m² de área construída, terá 68 apartamentos, entre 264 m² e 966 m² de área privativa, com quatro a seis suítes. Os preços vão de 14 a 54 milhões de reais, com VGV estimado em 650 milhões; segundo o último levantamento da incorporadora, 40% das unidades já haviam sido vendidas. Entre os sócios está a NR Sports, empresa de Neymar Pai. A entrega está prevista para dezembro de 2028.

Para o mercado condominial, o caso do Edify One antecipa um debate que tende a se espalhar além dos empreendimentos de luxo. A chegada de robôs em áreas comuns levanta questões de gestão que vão além da tecnologia: convenções e regimentos internos, hoje pensados para o uso humano de elevadores, ainda não costumam prever a circulação de equipamentos autônomos, o que pode exigir atualização de normas conforme a solução se popularizar. Também entram em pauta a manutenção do equipamento, contratos de suporte técnico, seguros que cubram falhas durante o trajeto do robô e a segurança cibernética de um sistema conectado à rede do prédio e à central de elevadores.

Por ora, a automação da entrega segue concentrada em empreendimentos de padrão elevado, onde o investimento em tecnologia embarcada faz parte do posicionamento comercial do produto. Mas a queda de custo observada em outras automações prediais, de fechaduras digitais a câmeras com inteligência artificial, sugere que soluções semelhantes podem chegar a condomínios de outros perfis nos próximos anos. Síndicos, administradoras e moradores que acompanham esse movimento devem observar não só o preço de aquisição, mas os custos de manutenção, a adaptação da infraestrutura predial e as implicações jurídicas de operar, em áreas comuns, um sistema que decide sem supervisão humana direta em cada etapa.

 

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Fonte: Exame

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Escrito por

Gabriele Fiel

Colunista do Portal SBM.

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