Geral

Condomínio que sofreu sob controle do tráfico, agora enfrenta rombo milionário: quem vai pagar essa conta?

person Gabriele Fiel
calendar_today

Na sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026, moradores do Residencial Villa Germânia, localizado no bairro Santos Dumont, em São Leopoldo (RS), promoveram uma **manifestação nas margens da BR-116 contra a cobrança que consideram abusiva de uma dívida com o serviço municipal de água e esgoto (Semae) estimada em R$ 5 milhões. Eles bloquearam parcialmente um dos lados da rodovia por cerca de uma hora para chamar a atenção das autoridades e da população sobre a grave situação que enfrentam.

Segundo os moradores e o advogado que os representa, Eduardo Henrique Silva, os condôminos pagaram regularmente suas contas de água ao longo dos anos, mas a gestão anterior do condomínio, que teria sido influenciada por uma facção criminosa com atuação no Vale do Sinos, não repassava esses valores ao Semae, gerando uma enorme dívida que agora recai sobre quem já havia quitado os valores diretamente.

Esse conflito ocorre em um contexto delicado: o Villa Germânia ganhou notoriedade em reportagens anteriores por ter sido, por anos, dominada por uma quadrilha envolvida com o tráfico de drogas, com relatos de ameaças de morte e grave insegurança para os moradores, até que a situação fosse finalmente revertida com prisões e troca de administração.

Publicidade

O ato de protesto foi organizado pelos próprios moradores e comunicado previamente às autoridades competentes. Eles exigem que o poder público tome medidas para impedir que famílias que sempre pagaram suas contas sejam novamente penalizadas por uma dívida que, na visão deles, não é de responsabilidade atual dos condôminos, mas sim de uma má administração anterior.

Durante o protesto, faixas, cartazes e reivindicações públicas foram exibidos pedindo uma solução definitiva que evite que esses débitos continuem representando um peso financeiro injusto sobre os moradores.

Origem da dívida

Segundo o advogado do condomínio, o problema começou porque a antiga administração não repassava ao Semae os valores pagos pelos moradores, apesar destes terem mantido seus pagamentos regulares. Como resultado, o débito foi se acumulando desde 2022 até chegar à casa dos R$ 5 milhões.

Esse débito gigante gerou o que muitos condôminos consideram “dupla penalização”: primeiro, lidaram com graves problemas de segurança e ameaça à vida devido à presença criminosa, e agora enfrentam penalização financeira por algo que alegam não ter provocado.

Posição do Semae

Em resposta ao protesto, o Semae informou que houve negociação com a nova administração do condomínio para tentar solucionar a crise financeira.

Segundo a autarquia, foi apresentada e aceita uma proposta de parcelamento da dívida em condições consideradas viáveis, e um termo de reconhecimento e parcelamento foi firmado, com pagamento de uma entrada já registrado e as parcelas restantes dentro do vencimento.

Publicidade

Apesar desse acordo, os moradores continuam preocupados com a possibilidade de serem responsabilizados individualmente pelos valores que, conforme eles, já haviam sido quitados anteriormente durante a gestão problemática.

 

Próximos passos

Após a manifestação na BR-116, os moradores informaram que não descartam novas mobilizações, inclusive em frente à Prefeitura Municipal, com o objetivo de cobrar um acompanhamento mais rigoroso por parte do poder público e medidas que garantam que não sejam injustamente responsabilizados por débitos que alegam já terem sido pagos.

O condomínio permanece mobilizado, com moradores organizando encontros para discutir ações futuras, e aguardando respostas mais firmes da administração pública e da própria Semae para assegurar que a solução adotada não gere prejuízos desproporcionais às famílias.

 

Fonte: ABC+

Foto de Gabriele Fiel
Escrito por

Gabriele Fiel

Colunista do Portal SBM.

Ver Perfil arrow_forward

Comentários (0 comentários)

Deixe seu comentário

Artigos Relacionados