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Condomínio recusa taxa do tráfico e é atacado a tiros na Zona Oeste do Rio.

person Gabriele Fiel
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A guarita de um condomínio residencial na Zona Oeste do Rio de Janeiro foi completamente destruída por tiros na noite do último domingo, 22 de junho de 2026, em um ataque que autoridades investigam como represália direta à recusa da administração em pagar uma chamada taxa de segurança imposta por criminosos da região. O alvo foi o Novolar Reserva do Pontal, localizado na Estrada dos Bandeirantes, 29.900, em Vargem Grande, bairro que nos últimos anos concentrou um volume crescente de empreendimentos residenciais e condomínios fechados na periferia sul da capital fluminense.

Segundo relatos de moradores colhidos pelas autoridades, traficantes que operam na área teriam exigido pagamentos regulares da administração condominial sob a promessa de não praticar crimes contra os residentes. Diante da recusa, dois homens em motocicleta se aproximaram da guarita e dispararam repetidas vezes. As imagens das câmeras de segurança registraram o momento em que um dos criminosos desce da moto e efetua os disparos diretamente contra a estrutura. Os vidros foram completamente estilhaçados, a porta de entrada chegou a cair com o impacto das balas, e os projéteis atingiram também a parede externa do condomínio. Apesar da extensão dos danos materiais, nenhum morador ou funcionário ficou ferido.

Agentes do 31º Batalhão de Polícia Militar, o BPM de Recreio dos Bandeirantes, foram acionados assim que os disparos foram comunicados. A corporação reforçou o policiamento com equipes do batalhão e do Programa Bairro Presente Vargem Grande, intensificando patrulhamento ostensivo e abordagens preventivas na região. A Polícia Civil informou que os criminosos foram identificados e que um deles foi preso na segunda-feira, 23 de junho, por policiais militares. O caso é investigado pela 42ª Delegacia de Polícia, no Recreio dos Bandeirantes.

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O episódio é o mais recente de uma série de ocorrências que expõem a expansão das práticas extorsivas do crime organizado em direção ao mercado condominial carioca. Em maio de 2025, a Polícia Civil instaurou inquérito para investigar um condomínio de Madureira, na Zona Norte, após um síndico convocar assembleia para discutir o pagamento de R$ 1.800 mensais a traficantes do Morro do São José, ligados à facção Terceiro Comando Puro. No mesmo período, moradores de um conjunto habitacional em Turiaçu relataram que criminosos haviam assumido o controle da gestão local, cobrando R$ 350 por apartamento dos 480 existentes no conjunto, sob ameaça de perda do imóvel em caso de inadimplência.

O padrão que emerge dessas ocorrências é descrito por especialistas em segurança pública como uma diversificação das fontes de renda do crime organizado. Levantamentos da Polícia Civil do Rio indicam que, em algumas comunidades, os lucros obtidos com extorsões, monopólios de serviços e cobranças informais já superam a renda gerada pelo tráfico de drogas. Na Rocinha, estimativas de investigadores apontam que apenas 25% da receita mensal das facções provém da venda de entorpecentes; o restante é gerado por mototáxis, cooperativas de transporte, TV e internet clandestinos, fornecimento de gás e, crescentemente, taxas cobradas de moradores e empreendimentos residenciais.

Na Zona Oeste, dados do Disque Denúncia apontam que entre 2022 e fevereiro de 2025 foram registradas mais de 1.300 denúncias de extorsão em regiões como Santa Cruz, Seropédica e Itaguaí, evidenciando a penetração estrutural dessas práticas. Para síndicos e administradoras condominiais, o fenômeno representa um desafio que vai além das ferramentas tradicionais de gestão. Controle de acesso, câmeras e monitoramento eletrônico são insuficientes diante de ações promovidas por grupos armados externos ao empreendimento.

Do ponto de vista jurídico, o pagamento de qualquer valor ao crime organizado sob coação constitui extorsão, crime previsto no artigo 158 do Código Penal, com pena de quatro a dez anos de reclusão. Especialistas do setor recomendam que qualquer demanda do gênero seja imediatamente comunicada às autoridades, sem negociação, pois ceder às exigências não elimina o risco, mas institucionaliza a extorsão e atrai novas cobranças.

O caso do Novolar Reserva do Pontal reacende o debate sobre protocolos específicos para situações de ameaça extorsiva em condomínios. A expectativa de moradores e síndicos da Zona Oeste é de que o episódio produza respostas concretas das forças de segurança, e não apenas reforço pontual de patrulhamento. Enquanto as investigações prosseguem pela 42ª DP, o ataque serve de alerta para administradoras de toda a região sobre a importância de registrar boletins de ocorrência e acionar a polícia diante de qualquer tentativa de cobrança ilegal.

 

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Fonte: G1

Foto de Gabriele Fiel
Escrito por

Gabriele Fiel

Colunista do Portal SBM.

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