Condomínios equestres viram nova aposta do mercado de luxo em MG.
Um novo nicho do mercado imobiliário brasileiro ganha corpo nos arredores de Belo Horizonte: os condomínios equestres, empreendimentos que combinam moradia residencial a estruturas profissionais dedicadas ao cuidado de cavalos. O exemplo mais recente é o Haras do Passo, projeto do Grupo Katz em parceria com o Haras M. Tostes, instalado em Acuruí, distrito de Itabirito (MG), a cerca de 50 minutos da capital mineira. O lançamento ocorre justamente na semana em que Belo Horizonte recebe, entre 18 de julho e 1º de agosto, a 43ª Exposição Nacional do Cavalo Mangalarga Marchador, no Parque de Exposições da Gameleira, considerada o maior evento de uma única raça na América Latina.
O movimento não é isolado. O Brasil concentra hoje uma das maiores populações de equinos do mundo, com um plantel estimado em cerca de 6,8 milhões de animais, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Essa robustez do agronegócio equestre passou a alimentar diretamente a construção civil e o desenvolvimento urbano de alto padrão, criando um segmento próprio dentro do mercado imobiliário de luxo.
Segundo Daniel Katz, CEO do Grupo Katz, o produto responde a uma mudança de comportamento que se intensificou no pós-pandemia, quando cresceu a busca por residências fora dos grandes centros que ainda ofereçam infraestrutura de lazer e convivência com o animal no dia a dia, e não apenas nos fins de semana. "O cavalo sempre esteve muito ligado à cultura brasileira. O que observamos agora é uma evolução desse relacionamento, com pessoas buscando empreendimentos que ofereçam não apenas um imóvel, mas uma experiência completa, com natureza, lazer, segurança e estrutura para viver essa paixão", avalia o executivo.
Na prática, o modelo se apoia na oferta de serviços compartilhados entre os proprietários dos lotes, que variam de 800 a 3.000 metros quadrados. Baias, veterinários e tratadores deixam de representar um custo individual e passam a ser rateados dentro da taxa condominial, em uma lógica muito próxima à de um condomínio corporativo tradicional. Para driblar um dos principais gargalos do setor de loteamentos, a espera pela conclusão das obras, o Haras do Passo adota ainda um modelo de uso imediato: quem compra o lote já tem acesso às baias e pistas do haras parceiro, pode hospedar os próprios cavalos e utilizar a infraestrutura de apoio antes mesmo de iniciar a construção da residência. O projeto inclui também lago privativo, áreas verdes de preservação permanente e segurança 24 horas.
O empreendimento terá estande próprio durante a Exposição Nacional do Mangalarga Marchador, com o objetivo declarado de apresentar a viabilidade do modelo a criadores e investidores do agronegócio. Para Katz, o evento reúne um público que já compreende as exigências técnicas do manejo animal. "A Nacional reúne pessoas que têm uma relação profunda com o cavalo e com o estilo de vida ligado ao campo. É o ambiente ideal para mostrar que o cavalo pode fazer parte da rotina diária de moradia", afirmou.
Para o mercado condominial, o fenômeno merece atenção além do nicho do agronegócio. Condomínios equestres somam, à gestão residencial tradicional, camadas específicas de risco e complexidade: manejo veterinário, prevenção de acidentes com animais de grande porte, seguros especializados e rateio de serviços que fogem do escopo usual de um síndico. A depender do porte do empreendimento, a administração profissional tende a se tornar não apenas recomendável, mas estrutural, dado o volume de contratos de prestação de serviço, escalas de tratadores e protocolos sanitários que passam a integrar a rotina do condomínio.
O segmento também sinaliza uma tendência mais ampla de valorização de empreendimentos que associam moradia a experiências de lazer segmentadas, movimento já observado em condomínios voltados a esportes náuticos, golfe e ecoturismo. Para investidores e administradoras, o desafio será equacionar convenções condominiais que contemplem regras específicas para trânsito e permanência de animais, uso de áreas comuns e responsabilidade civil em caso de acidentes, temas que ainda carecem de padronização jurídica consolidada no país.
Até o fechamento desta edição, o Grupo Katz não havia divulgado o valor total investido no Haras do Passo nem o cronograma de entrega das unidades. Síndicos e administradoras que atuam ou pretendem atuar em empreendimentos de perfil semelhante devem observar de perto os desdobramentos da 43ª Exposição Nacional do Mangalarga Marchador, que deve funcionar como termômetro do apetite do mercado por esse tipo de produto imobiliário nos próximos meses.
Fonte: Rádio Itatiaia