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Delivery direto no seu andar: Goiânia terá 1º prédio com elevador exclusivo.

person Gabriele Fiel
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Goiânia se prepara para ganhar seu primeiro edifício com elevador exclusivo para entregas de delivery. O empreendimento, batizado de Casa Aurora e erguido pela FR Incorporadora no Setor Marista, um dos bairros mais valorizados da capital goiana, contará com um sistema que transporta pedidos de aplicativos de comida, compras de supermercado e medicamentos diretamente da portaria até a cozinha do apartamento, sem que o entregador precise circular pelos corredores ou compartilhar os elevadores convencionais com os moradores. A entrega do condomínio está prevista para o início de 2028.

A proposta da construtora nasce de uma mudança concreta de hábito. Segundo levantamento da plataforma 99Food, Goiânia ocupa a terceira posição entre as cidades brasileiras que mais pedem hambúrguer por aplicativo, e cerca de 60% desses pedidos acontecem durante a noite. Já no estado de Goiás, os pedidos feitos pelo iFood cresceram 14% em 2025 na comparação com o ano anterior, período em que o número de restaurantes cadastrados na plataforma aumentou 64%. Diante desses números, a diretora executiva da FR Incorporadora, Lara Rassi, afirma que o hábito de receber entregas quase diariamente passou a influenciar diretamente o desenho dos empreendimentos, e que o mercado imobiliário precisa acompanhar essa transformação na rotina das famílias.

O presidente da Associação dos Síndicos de Goiânia (ASG), Josué Krishnamurti, avalia que a novidade representa um diferencial competitivo para o setor imobiliário da capital. A avaliação é significativa porque vem de quem acompanha, na prática, os desafios cotidianos da convivência em condomínio: o entregador deixou de ser um visitante ocasional e se tornou uma presença constante na rotina dos edifícios, o que exige das construtoras e das administradoras uma reformulação de processos que antes giravam apenas em torno de vagas de garagem, portaria e áreas de lazer.

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Do ponto de vista da gestão condominial, a chegada de um elevador dedicado a entregas tende a produzir efeitos concretos na operação dos prédios. Reduz-se o fluxo de pessoas estranhas ao condomínio circulando por áreas comuns e elevadores sociais, o que representa ganho direto de segurança patrimonial. Também diminui a sobrecarga dos elevadores convencionais em horários de pico, especialmente à noite, quando a concentração de pedidos é maior, segundo o próprio levantamento da 99Food. Para síndicos e conselhos, a exclusividade do sistema pode significar menos desgaste com moradores que reclamam de espera nos elevadores e menos ocorrências de circulação não autorizada dentro dos edifícios.

O caso de Goiânia também é revelador de uma tendência mais ampla que já se observa em outras capitais brasileiras: a arquitetura residencial de alto padrão vem incorporando soluções tecnológicas voltadas a serviços que, há poucos anos, sequer existiam. A capital goiana já é referência nacional em outra inovação do gênero, o elevador exclusivo para carros, presente em edifícios de luxo do Setor Marista. Agora, o mesmo bairro caminha para reunir mais um recurso pensado para adaptar o cotidiano dos moradores às novas formas de consumo.

Para o mercado condominial, o movimento acende um alerta importante sobre planejamento. Elevadores exclusivos, sistemas de automação e áreas técnicas dedicadas a esse tipo de operação implicam custos de instalação e manutenção que precisam ser previstos ainda na fase de projeto, e posteriormente rateados entre os condôminos. Administradoras e síndicos de empreendimentos já entregues, que não contam com esse tipo de infraestrutura, devem observar o movimento como um indicativo de que a demanda por soluções logísticas internas tende a crescer, e que protocolos de recebimento de entregas, mesmo sem um elevador dedicado, merecem atenção redobrada nas convenções condominiais e nos regimentos internos.

Até o fechamento desta edição, a FR Incorporadora não havia detalhado publicamente os custos de implantação do sistema nem os valores de manutenção que serão incorporados à taxa condominial dos futuros moradores do Casa Aurora.

 

Fonte: G1

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Escrito por

Gabriele Fiel

Colunista do Portal SBM.

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