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Depois da privatização, Corsan muda forma de atender condomínios e promete agilizar respostas em Santa Maria.

person Gabriele Fiel
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Numa segunda-feira, dia 14 de setembro, a Corsan promoveu, na sede da regional Centro da companhia, no bairro Patronato, em Santa Maria, o primeiro encontro oficial da história recente da concessionária com administradoras de condomínios da cidade. O evento reuniu representantes de quatro empresas responsáveis pela gestão de cerca de 1,5 mil condomínios, pouco mais de um quinto do total de 7 mil condomínios registrados no município, com o objetivo declarado de estreitar a comunicação entre a companhia de saneamento e um dos elos mais estratégicos da rotina urbana: os gestores que respondem, no dia a dia, pelas demandas de água e esgoto de milhares de famílias.

A condução dos trabalhos coube a Andréia Zanini, gerente de relações institucionais da Corsan em Santa Maria, que apresentou aos presentes o panorama da expansão do sistema de esgotamento sanitário na cidade. Segundo ela, o município atingiu 83,2% de cobertura de coleta e tratamento de esgoto, resultado da implantação de 85 quilômetros de rede coletora nos últimos três anos. O número situa Santa Maria acima da média histórica do estado, embora ainda distante de municípios como Esteio, Aceguá e Pedras Altas, que já superam 90% de cobertura, ou de Cachoeirinha (87,5%) e Torres (87,1%), segundo dados da própria companhia. Internamente, a Corsan trabalha com a meta de universalizar o esgotamento sanitário em Santa Maria até 2028, cinco anos antes do prazo nacional de 2033 fixado pelo Marco Legal do Saneamento Básico (Lei 14.026/2020), que exige 99% de cobertura de água potável e 90% de coleta e tratamento de esgoto em todo o país. "Chegar a 83,2% mostra o quanto Santa Maria avançou e também o caminho que estamos percorrendo", resumiu Alexandre Barradas, diretor executivo da Corsan Centro, em declaração associada ao mesmo balanço de obras apresentado às administradoras.

O encontro também serviu para atualizar os administradores sobre os canais digitais de atendimento hoje disponíveis, um ponto sensível para quem lida diariamente com reclamações de moradores. Entre as opções apresentadas estão as videochamadas, que permitem falar diretamente com um atendente pelo site corsan.com.br, a Agência Virtual (cliente.corsan.com.br), o atendimento via WhatsApp e a ligação gratuita pelo 0800 646 6444. Para Andréia Zanini, reconhecer o papel das administradoras como intermediárias entre a comunidade e a companhia é o que justifica a criação de um canal específico de relacionamento. "A nossa ideia com este encontro é reduzir o tempo de respostas às demandas e disseminar as informações de todo o trabalho que está sendo feito", afirmou a gerente.

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O momento não é casual. Desde julho de 2023, quando o governo do Estado assinou o contrato que transferiu o controle da Corsan ao grupo Aegea por R$ 4,151 bilhões, a companhia vem sob pressão para justificar o novo modelo de gestão privada com ganhos concretos. O plano previa elevar os aportes anuais de cerca de R$ 500 milhões para R$ 1,5 bilhão, com mais de R$ 15 bilhões programados para a década no Rio Grande do Sul, recursos que sustentam boa parte das obras hoje em curso em Santa Maria. No estado, a Corsan soma mais de 284 mil novas ligações de água e esgoto em três anos, beneficiando cerca de 852 mil pessoas.

Para o mercado condominial, o episódio ilustra uma tendência que vem se consolidando em diferentes estados: concessionárias de saneamento tratando síndicos e administradoras não como usuários finais genéricos, mas como interlocutores técnicos capazes de antecipar problemas, orientar moradores e agilizar a resolução de chamados que, de outra forma, se arrastariam por semanas. Do ponto de vista jurídico, a aproximação também tem lastro: o Marco Legal do Saneamento impõe metas de universalização com prazos definidos, e o descumprimento pode gerar sanções regulatórias às concessionárias, o que torna a colaboração das administradoras, que concentram informações sobre vazamentos internos, ligações irregulares e obras de reforma, um ativo estratégico para o cumprimento dos indicadores. Do ponto de vista financeiro, uma comunicação mais ágil tende a reduzir custos de retrabalho e reclamações formais, além de diminuir o risco de autuações por parte de órgãos de defesa do consumidor. Já sob a ótica da segurança, o mapeamento conjunto de redes e ligações contribui para identificar precocemente vazamentos que podem comprometer estruturas prediais ou gerar risco sanitário em áreas comuns.

Fica em aberto se o modelo de Santa Maria será replicado em outras regionais da Corsan no Rio Grande do Sul, onde o desafio de universalização é maior em cidades com cobertura de esgoto abaixo da média estadual. Para síndicos e administradoras, a recomendação prática é acompanhar os canais digitais citados no encontro e formalizar, sempre que possível, as demandas diretamente pelos novos fluxos, Agência Virtual, WhatsApp e videochamada, apontados pela companhia como a via mais rápida para respostas.

 

Fonte: CORSAN

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Escrito por

Gabriele Fiel

Colunista do Portal SBM.

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