Depois do temporal, condomínios de Porto Alegre disputam geradores no mercado.
Porto Alegre voltou a enfrentar um temporal de grandes proporções na segunda-feira, 27 de julho de 2026, e o episódio reacendeu uma corrida já conhecida por síndicos e administradoras: a busca por grupos geradores para blindar os condomínios contra apagões cada vez mais frequentes. A chuva forte, acompanhada de rajadas de vento e granizo em alguns pontos, provocou alagamentos, queda de árvores e transtornos no trânsito na Capital e na Região Metropolitana, deixando cerca de 2,2 mil pontos sem energia elétrica somente no município até o início da noite, número que superou 27 mil unidades consumidoras em todo o Rio Grande do Sul, segundo balanço da CEEE Equatorial e da RGE Sul, concessionária com o maior volume de registros de falta de luz no Estado.
O transbordamento do Arroio Sarandi, na zona norte da cidade, e a suspensão das operações no Aeroporto Salgado Filho por cerca de 40 minutos, com atrasos e desvios de voos, deram a dimensão do impacto do temporal sobre a infraestrutura urbana. O episódio não foi surpresa isolada: já na sexta-feira anterior, 17 de julho, a Agência Estadual de Regulação dos Serviços Públicos Delegados do RS (Agergs) havia determinado que as concessionárias de energia, saneamento e transporte enviassem planos de contingência, em resposta a alertas que já indicavam novas frentes de mau tempo. O Inmet chegou a emitir aviso de perigo potencial para tempestade, válido durante todo o dia 27, com risco de ventos de até 60 km/h e queda de granizo.
Para o mercado condominial de Porto Alegre, esse tipo de evento deixou de ser exceção. Episódio semelhante já ocorreu em janeiro de 2024, quando comércios, indústrias e condomínios da Região Metropolitana relataram dificuldade para locar equipamentos em meio a apagões prolongados. A repetição do fenômeno em 2026 reforça uma tendência observada por especialistas do setor elétrico e da gestão predial: à medida que os temporais se tornam mais frequentes e intensos no Rio Grande do Sul, o gerador deixa de ser item de conforto e passa a ser tratado como parte da infraestrutura mínima de segurança predial, ao lado de sistemas de combate a incêndio e monitoramento por câmeras.
Do ponto de vista técnico, a escolha do gerador ideal depende do porte do condomínio e da lista de sistemas que precisam continuar funcionando durante uma queda de energia: elevadores, portões automáticos, interfones, iluminação de áreas comuns, bombas d'água e circuitos de segurança. A potência é medida em KVA, e a referência do mercado indica que um gerador de 60 KVA sustenta um elevador e a iluminação das áreas comuns, enquanto modelos de 85 KVA chegam a suportar até três elevadores mais econômicos. Um equipamento de 60 KVA, carenado e com isolamento acústico, custa em média R$ 100 mil, valor que não inclui instalação nem o contrato de manutenção mensal exigido para aparelhos a diesel, combustível ainda predominante nesse tipo de instalação em condomínios gaúchos.
A decisão de instalar um gerador não é apenas questão de orçamento. A aquisição precisa seguir o rito da legislação condominial, com aprovação em assembleia e, conforme o valor envolvido, quórum qualificado previsto na convenção. A instalação também deve observar a norma técnica NBR 13530, referência para grupos geradores a diesel, além de exigências de ventilação quando o equipamento fica em subsolos ou garagens, para evitar acúmulo de gases de combustão. Especialistas do setor também alertam que o abastecimento não pode ficar a cargo do zelador: buscar combustível em posto para uso no gerador é considerado atividade insalubre e contraria a legislação trabalhista, sendo recomendado contratar empresa especializada para entrega direta no condomínio.
O aumento da procura tende a gerar gargalos de oferta em momentos de pico, repetindo o que já ocorreu em episódios anteriores de apagão prolongado na Região Metropolitana, quando locadoras relataram não conseguir atender toda a demanda simultânea de comércios, indústrias e condomínios. Para administradoras e síndicos profissionais, o episódio desta segunda-feira reforça a recomendação de que a instalação de um gerador próprio, planejada com antecedência e aprovada em assembleia, tende a ser mais vantajosa do que depender de locação emergencial no momento em que a energia já caiu e a fila por equipamentos disponíveis se formou.
Para síndicos que ainda não avaliaram a instalação de um grupo gerador, a recomendação de especialistas do setor é iniciar o levantamento técnico da demanda energética do condomínio, quantos elevadores, extensão da rede de segurança e quais equipamentos essenciais precisam permanecer ativos, antes de levar a proposta à assembleia. Diante do histórico recente de temporais na Capital e da expectativa de novos eventos climáticos extremos nos próximos meses, o mercado predial de Porto Alegre deve seguir tratando o gerador não como item de luxo, mas como parte da infraestrutura mínima de continuidade de serviços em condomínios verticais.
Fonte: GZH