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Drones já sobrevoam condomínios de SP para vencer a barreira da portaria.

person Gabriele Fiel
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A partir desta segunda-feira, 1º de junho de 2026, o céu da Grande São Paulo passa a fazer parte da rotina de delivery dos condomínios. O iFood anunciou a expansão de sua operação com drones para a cidade de Barueri, em uma iniciativa criada especificamente para resolver um gargalo logístico que vinha sufocando as entregas na região: trajetos com altíssima taxa de rejeição pelos entregadores, que em alguns pontos chegavam a quase 50% dos pedidos recusados. O motivo dessa recusa em massa tem nome e endereço conhecidos de qualquer síndico, a complexidade de acesso e o longo tempo de espera para entrar nos grandes condomínios da cidade.

A escolha de Barueri não foi aleatória. A empresa identificou ali um ponto crítico em que os condomínios verticais e horizontais, com seus protocolos de portaria, filas de identificação e distâncias internas, transformavam entregas curtas em operações demoradas e economicamente inviáveis para o entregador. O novo modelo busca contornar exatamente esse atrito. O fluxo começa no shopping Iguatemi, onde um mensageiro ou a robô autônoma Ada coleta os pedidos nos restaurantes. Em seguida, um drone percorre um trecho aéreo de 3,6 quilômetros em cerca de cinco minutos, e a chamada "última milha" é concluída por um entregador de moto, que leva o pedido até o cliente final. Segundo Mariana Werneck, diretora sênior de logística do iFood, a integração foi desenhada para que a tecnologia atue de forma complementar, ampliando as rotas possíveis sem substituir o papel da pessoa entregadora.

A aeronave responsável pelo voo foi desenvolvida pela empresa brasileira Speedbird Aero. Ela voa a 50 km/h, a uma altitude de 60 metros, o equivalente a um prédio de aproximadamente 20 andares, e suporta ventos de até 55 km/h e chuvas leves. Cada equipamento transporta até 5 quilos, conta com GPS para navegação e paraquedas para emergências, e é comandado a partir de um centro de controle da própria fabricante, operando diariamente das 10h30 às 22h30. O dado mais significativo para o setor predial, contudo, é regulatório: trata-se da primeira rota de delivery no Brasil autorizada a sobrevoar áreas residenciais, com certificação da Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) e do Departamento de Controle do Espaço Aéreo (DECEA).

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É justamente esse ponto que coloca a notícia no radar da gestão condominial. Até aqui, a discussão sobre drones em condomínios girava em torno de privacidade, segurança e uso recreativo por moradores. Agora, o debate ganha uma camada comercial e estrutural: condomínios passam a ser, na prática, destinos de tráfego aéreo de baixa altitude. Isso levanta questões concretas que síndicos e administradoras terão de enfrentar nos próximos meses, desde a definição de pontos de pouso ou recebimento, passando pela revisão de regimentos internos e convenções, até a responsabilidade civil em caso de acidente, dano patrimonial ou invasão de privacidade. O modelo de Barueri ainda termina a entrega por moto, mas a tendência aponta para uma redução progressiva do contato terrestre.

A operação não é um teste isolado. Ela herda o aprendizado de uma rota pioneira em Sergipe, que conecta um shopping de Aracaju a moradores de Barra dos Coqueiros e já superou a marca de 5 mil pedidos desde outubro de 2025, encurtando um trajeto terrestre de 36 quilômetros para um voo de menos de três minutos. Para o mercado condominial brasileiro, o recado é claro: a logística aérea deixou o campo da promessa e começou a aterrissar, literalmente, sobre os condomínios. Cabe agora aos gestores anteciparem-se ao tema, atualizando normas internas e abrindo o diálogo com moradores antes que a tecnologia chegue sem que ninguém tenha decidido como recebê-la.

 

Fonte: Correio Braziliense

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Escrito por

Gabriele Fiel

Colunista do Portal SBM.

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