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‘Estamos derretendo!’ – moradores denunciam construtora após veto de ar-condicionado em condomínio de Santos.

person Gabriele Fiel
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Em Santos (SP), moradores de um grande conjunto residencial enfrentam uma situação de desconforto térmico intenso e conflitos com a construtora e administração predial devido à proibição da instalação de aparelhos de ar-condicionado em suas unidades. Essa restrição, presente desde a entrega das chaves, tem ganhado destaque em meio às recentes ondas de calor que ultrapassam os 40 °C, intensificando o mal-estar e as reclamações.

O empreendimento, que reúne aproximadamente 260 apartamentos distribuídos em 13 blocos, foi entregue em agosto de 2020. Moradores relatam que, no momento da compra ou em reuniões iniciais com representantes do empreendimento, teriam sido informados de que seria possível instalar equipamentos de climatização — especialmente modelos do tipo split — desde que não fossem de janela; contudo, essa informação não teria sido registrada de forma clara nos contratos ou memoriais descritivos.

Com o passar dos anos, porém, a construtora passou a alegar que o projeto elétrico original não contempla infraestrutura adequada para suportar os aparelhos de ar-condicionado, incluindo capacidade elétrica e pontos de instalação externos. Por essa razão, sustenta que qualquer adaptação necessária para viabilizar a climatização deve ser feita pelo próprio condomínio, com contratação de profissionais habilitados, elaboração de novo projeto técnico e aprovação da concessionária de energia.

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Moradores consideram a exigência injusta, afirmando que não foram devidamente informados sobre essa limitação técnica no momento da compra, o que gerou sensação de prejuízo e frustração. Alguns condôminos destacam que parte do sistema elétrico ainda estaria sob garantia contratual, o que, em sua visão, reforça a responsabilidade da construtora em oferecer uma solução ou dividir os custos de adaptação.

Impactos no dia a dia

Vários moradores relatam que a falta de ar-condicionado tem impactado seriamente o conforto e a saúde, especialmente durante períodos de calor extremo. Há relatos de dificuldade para dormir por conta das altas temperaturas internas, sensação constante de abafamento e agravamento de problemas respiratórios, particularmente em pessoas com asma ou outras condições respiratórias preexistentes.

Funcionários que trabalham no condomínio, como porteiros e zeladores, também relatam dificuldades no desempenho das funções por conta do calor intenso, com relatos de episódios de mal-estar em dias mais quentes.

Outras questões apontadas pelos moradores

Além da discussão sobre climatização, residentes também afirmam que o prédio apresenta problemas estruturais desde os primeiros anos após a entrega, como descolamento de pisos em áreas comuns e internas, soltura de revestimentos em banheiros e falhas em acabamentos, o que exige reformas internas que geram custos adicionais para as famílias, muitas delas ainda pagando financiamento imobiliário.

Diante da dificuldade de acordo com a construtora, que reafirma que o projeto original está em conformidade com normas vigentes e não prevê infraestrutura de ar-condicionado, alguns moradores avaliam reunir contratos, registros de reuniões e outros documentos para buscar soluções por vias administrativas ou judiciais.

O caso tem sido citado como um alerta para futuros compradores de imóveis na planta ou recém-entregues, destacando a importância de analisar com cuidado contratos, memoriais descritivos e projetos técnicos, incluindo infraestrutura para itens como climatização, antes de decidir pela compra.

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Fonte: CPG - R7

Foto de Gabriele Fiel
Escrito por

Gabriele Fiel

Colunista do Portal SBM.

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