Ex-síndico preso por matar corretora em Caldas Novas (GO) pediu perdão à família em áudios antes de ser detido.
O ex-síndico Cleber Rosa de Oliveira, acusado de matar a corretora de imóveis Daiane Alves dos Santos, de 43 anos, em Caldas Novas (GO), gravou áudios de despedida e de pedido de perdão a familiares na noite anterior à sua prisão e responde, agora, também por seis episódios de apropriação indébita que somam mais de R$ 106 mil em prejuízo à associação de proprietários do prédio que presidia. O material veio a público em 17 de setembro de 2026, data em que o crime completou nove meses, e integra o inquérito da Polícia Civil de Goiás.
Segundo o portal Paranaíba Mais, as gravações foram enviadas ao filho do suspeito, Maicon Douglas de Oliveira. Em uma delas, registrada às 23h28, Cleber afirma estar diante de uma situação grave, com consequências jurídicas. Em outra, diz ter sido surpreendido por um problema de solução difícil e que o resultado seria aquilo que a família passaria a presenciar depois de sua prisão. Ele não descreve o ato de forma direta, mas a defesa da família da vítima enxerga caráter confessional nas mensagens e sugere que foram combinadas como despedida e tentativa de preservar a imagem. Trata-se de uma leitura da defesa, ainda não apreciada pela Justiça.
Daiane desapareceu em 17 de dezembro de 2025, ao descer de elevador ao subsolo do edifício onde a família possui apartamentos para locação, conforme relatou a TV Brasil. Ficou mais de 40 dias sem ser localizada. O corpo foi encontrado em 28 de janeiro de 2026, em área de mata, depois que Cleber indicou o local à Polícia Militar e foi preso. A investigação apontou ainda que ele acompanhava a rotina da corretora, conferindo horários de acesso nas câmeras de segurança do condomínio e questionando porteiros sobre as movimentações dela.
A frente financeira do inquérito, conduzida pelo Grupo Especial de Investigações Criminais da 19ª Delegacia Regional de Polícia de Caldas Novas, segundo o jornal O Hoje, identificou desvio de R$ 106.481,51 da Associação dos Proprietários de Unidades Autônomas do Golden Thermas Residence, Amethysta Tower, presidida por Cleber. Recursos que deveriam custear a conclusão e as melhorias do edifício eram transferidos para a conta pessoal do então síndico. Constam R$ 35 mil de acordos de dívidas e de aluguel de imóvel da própria associação, R$ 25 mil para combustível e R$ 4,4 mil em manutenção de veículos e IPVA, embora a entidade não tivesse carros. Também aparecem despesas pessoais com cartório e telefonia e os honorários da defesa no processo de homicídio. De acordo com o Metrópoles, um Pix de R$ 18 mil, feito em 18 de janeiro de 2026 à conta do filho, teria sido repassado ao advogado. Cleber foi indiciado seis vezes por apropriação indébita, e Maicon, uma. Como esses crimes não se ligam diretamente ao homicídio, darão origem a um processo à parte.
O caso é extremo, mas revela uma fragilidade comum no mercado condominial: a concentração de poder e de informação nas mãos de uma única pessoa. Segundo o Metrópoles, as irregularidades só foram descobertas pela nova administração após a prisão. O Código Civil determina, no artigo 1.348, que o síndico preste contas à assembleia anualmente e sempre que exigido, prevê no artigo 1.356 a possibilidade de conselho fiscal e autoriza, no artigo 1.349, a destituição de quem administre mal ou pratique irregularidades. Em associações de proprietários, o estatuto define regras equivalentes, o que reforça a importância de conhecê-lo.
Para síndicos, conselheiros e moradores, o episódio indica o que observar: conselho fiscal ativo, contas movimentadas apenas em nome da entidade, extratos conferidos com regularidade, contratos e procurações levados à assembleia e auditoria independente quando houver suspeita. Quanto ao homicídio, o acusado ainda não foi julgado. A família, representada pelo advogado Lucas Xavier, aguarda a decisão sobre a pronúncia e o encaminhamento ao Júri Popular. A mãe, Nilse Alves, e a irmã, Fernanda Alves, dizem esperar a condenação do ex-síndico.
Fonte: Paranaíba Mais