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Explosão de gás destrói apartamentos em Mongaguá (SP) horas após briga entre vizinhas; Polícia apura ligação.

person Gabriele Fiel
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Uma explosão causada por vazamento de gás destruiu dois apartamentos vizinhos em um edifício da Avenida Campos Sales, em Mongaguá, no litoral paulista, na madrugada da última quarta-feira (16). O estopim, segundo apuração da TV Tribuna, afiliada da Globo, teria relação com uma briga ocorrida horas antes entre as duas moradoras dos imóveis atingidos, mulheres de 54 e 58 anos que já vinham em desentendimento havia alguns dias. A mais grave das vítimas sofreu queimaduras de primeiro e segundo graus em 81% do corpo e precisou ser transferida para atendimento especializado na capital paulista.

O caso ganhou contornos ainda mais dramáticos quando se soube que, na tarde da terça-feira (15), uma das mulheres chegou a ameaçar a outra com uma faca, obrigando o zelador do condomínio, identificado como Thyago Borges, a intervir pessoalmente na confusão. Segundo relatou à reportagem, a polícia foi acionada e uma das envolvidas fugiu do local, retornando ao prédio horas mais tarde. Foi já de madrugada, por volta de 0h30 de quarta-feira, que o botijão de gás de um dos apartamentos explodiu, cerca de sete horas depois do princípio da briga. A Polícia Civil investiga se o vazamento e a consequente explosão foram acidentais ou provocados intencionalmente, dado o histórico recente de conflito entre as vizinhas.

O zelador participou do resgate das duas mulheres, que ficaram soterradas sob os escombros dos apartamentos destruídos. De acordo com seu relato, uma delas foi localizada com relativa rapidez por estar próxima a uma das extremidades do imóvel, enquanto a outra só pôde ser encontrada quando reagiu à voz do socorrista, permitindo que ele retirasse o entulho sobre seu corpo. A força da explosão também atingiu estruturas de um condomínio vizinho, arremessando pedaços de concreto e ferragens sobre ao menos três vagas de garagem, o que amplia o alcance do episódio para além do imóvel diretamente afetado.

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Um dia depois da explosão, o prédio amanheceu pichado, em um gesto que ainda não teve autoria nem motivação esclarecidas pelas autoridades. Segundo a Prefeitura de Praia Grande, responsável por parte da administração municipal da região, o edifício possui 42 unidades divididas em dois blocos, das quais apenas dez estão de fato habitadas, a maioria dos imóveis é usada como casa de veraneio, perfil comum em cidades do litoral paulista. Uma vistoria técnica realizada por engenheiros concluiu que o bloco da frente não sofreu danos estruturais decorrentes da explosão e já foi liberado para os moradores, enquanto o bloco dos fundos, onde ocorreu o incidente, permanece interditado. As duas famílias residentes no local passaram a receber acompanhamento da Secretaria Municipal de Assistência Social, incluindo suporte psicológico, e o município sinalizou disponibilidade para oferecer abrigo caso seja necessário.

O episódio de Mongaguá reacende um debate recorrente no setor condominial brasileiro: o da segurança das instalações de gás em edifícios residenciais, sejam elas com botijões individuais ou centrais de GLP. A regulamentação técnica é robusta, normas da ABNT como a NBR 13523, sobre armazenamento de GLP em sistemas centralizados, a NBR 15526, sobre projeto de redes internas de distribuição de gás, a NBR 13103, que define exigências para ambientes com aparelhos a gás, e a NBR 15923, voltada à inspeção periódica dessas redes, formam um arcabouço que depende de fiscalização constante para funcionar. Instruções do Corpo de Bombeiros e portarias do Inmetro complementam essas regras, mas especialistas do setor apontam que boa parte dos acidentes com gás decorre menos da ausência de normas e mais da falha em cumpri-las: manutenção postergada, substituição atrasada de medidores e reguladores de pressão, ou instalações executadas por mão de obra sem qualificação.

Para síndicos e administradoras, o caso é um lembrete de que a responsabilidade sobre a segurança das instalações de gás não se limita às áreas comuns de centrais compartilhadas, envolve também orientar moradores sobre o uso correto de botijões individuais, sobretudo em edifícios mais antigos ou com alta rotatividade, como parece ser o caso do imóvel de Mongaguá, majoritariamente usado para veraneio. A convivência entre vizinhos também entra nessa equação: conflitos mal mediados, como o que antecedeu a explosão, podem escalar para desfechos que colocam em risco não só os envolvidos, mas toda a estrutura do edifício e até imóveis vizinhos, como mostrou o estrago nas garagens do condomínio ao lado.

O desfecho da investigação policial ainda é aguardado para esclarecer se houve intenção no vazamento que provocou a explosão. Para o setor condominial, no entanto, o episódio já cumpre a função de alerta: reforça a necessidade de inspeções periódicas em redes de gás, de protocolos claros para mediação de conflitos entre condôminos e de planos de contingência para situações de emergência estrutural, incluindo a interdição parcial de blocos e o realocamento de famílias atingidas.

 

Fonte: G1

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Escrito por

Gabriele Fiel

Colunista do Portal SBM.

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