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Facção que “assumiu a gestão” de condomínio no RS é alvo de operação

person Shirlei Brites
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A Polícia Civil do Rio Grande do Sul deflagrou na manhã desta quinta-feira, 15 de outubro de 2026, a Operação Olissipo, contra uma facção criminosa suspeita de tomar o controle de um condomínio popular no bairro Augusta, em Viamão, na Região Metropolitana de Porto Alegre. Coordenada pelo Departamento Estadual de Investigações do Narcotráfico (Denarc), a ação cumpriu 24 mandados de prisão preventiva e 16 de busca e apreensão em Viamão, Porto Alegre, São Leopoldo e Balneário Pinhal, além de Camboriú, em Santa Catarina. Segundo balanço parcial divulgado pela imprensa gaúcha, ao menos 21 pessoas foram presas.

Entre os detidos está um advogado morador de Cachoeirinha, cujo nome não foi divulgado. De acordo com os investigadores, ele funcionaria como elo entre lideranças encarceradas e integrantes que atuavam nas ruas, repassando ordens e mediando disputas por pontos de venda de drogas. “Ele fazia essa gestão”, afirmou o delegado Wesley Lopes, da 2ª Delegacia de Investigações do Narcotráfico, em entrevista ao g1. A polícia apura se a conduta ultrapassou os limites do exercício legítimo da advocacia. Até o fechamento desta edição, não havia informação pública sobre a defesa do suspeito.

O episódio que dá dimensão inédita ao caso ocorreu no final de 2024. Em meio a um conflito territorial com uma organização rival, o grupo expulsou concorrentes e passou a impor regras aos moradores do residencial. Os criminosos chegaram a distribuir um comunicado anunciando uma “nova gestão” e informando que a facção estaria “tomando conta do condomínio”, com o pedido de que ninguém atrapalhasse suas ações. Segundo a polícia, famílias que recusaram as regras ou foram vistas como próximas do grupo adversário sofreram intimidações e expulsões. O delegado classificou a situação como “uma intimidação velada”.

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A investigação começou há cerca de dois anos, a partir do mapeamento de pontos de tráfico em Viamão. Ela revelou uma estrutura hierarquizada, com divisão de tarefas, comércio de armas e munições e o uso de homens armados para vigiar os pontos. Parte das decisões, segundo o Denarc, partia de presos que seguiam comandando a operação de dentro do sistema prisional. Dos 24 alvos de prisão, 11 já estavam detidos e receberam novas ordens judiciais.

Para o setor condominial, o caso escancara um risco que costuma ficar fora dos manuais de gestão. A legislação atribui ao síndico, eleito em assembleia, a representação e a administração do condomínio, com o dever de cumprir e fazer cumprir a convenção e o regimento interno. Quando uma organização criminosa se apresenta como “gestão” paralela, essa estrutura legal se esvazia na prática: as assembleias deixam de ocorrer com liberdade, os moradores são silenciados e o síndico perde autoridade, quando não é diretamente ameaçado.

Residenciais populares e conjuntos habitacionais de grande porte tendem a ser os mais vulneráveis a esse tipo de ocupação, porque têm muitas unidades, circulação intensa e pouca capacidade de investir em segurança. O fenômeno não é exclusivo do Rio Grande do Sul. Há relatos em diferentes regiões metropolitanas do país de grupos armados que controlam portarias, cobram taxas e decidem quem pode morar em determinados empreendimentos. Isso tem levado especialistas a defender maior articulação entre administradoras, poder público e forças de segurança.

Na prática, o episódio reforça algumas lições para síndicos e administradoras. É preciso registrar formalmente qualquer ameaça ou tentativa de interferência na administração, acionar a polícia em vez de negociar com grupos criminosos, preservar a documentação do condomínio e buscar apoio jurídico e das instituições locais. A omissão diante de uma “gestão paralela” tende a agravar o quadro e a expor tanto os moradores quanto o próprio síndico.

Os alvos da Operação Olissipo são investigados por crimes ligados ao tráfico de drogas, ao comércio ilegal de armas e às ameaças contra moradores. O balanço definitivo de prisões e apreensões ainda não havia sido divulgado até a última atualização. Para quem administra ou vive em condomínios, o caso de Viamão funciona como alerta: segurança condominial deixou de ser apenas uma questão de portaria e câmeras.

Fonte: G1

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Shirlei Brites

Colunista do Portal SBM.

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