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Facções transformam apês do Minha Casa, Minha Vida em bases do tráfico em Parnamirim.

person Gabriele Fiel
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Condomínios populares erguidos pelo programa Minha Casa, Minha Vida em Parnamirim, na Grande Natal, viraram alvo de uma investigação da Polícia Civil do Rio Grande do Norte que expôs um cenário alarmante para o setor: facções criminosas passaram a ocupar apartamentos, expulsar moradores legítimos e transformar unidades inteiras em depósitos de drogas. O levantamento, divulgado nesta quinta-feira (16), é resultado da Operação Senso Seguro, conduzida pela 17ª Delegacia de Polícia de Parnamirim, que já resultou na apreensão de drogas e munições dentro desses residenciais.

Segundo o delegado Filipe Câmara, titular da 17ª DP, os condomínios verticais adquiridos por famílias de baixa renda por meio de programas habitacionais do governo federal se tornaram um dos principais entraves ao combate ao tráfico na cidade. De acordo com ele, integrantes de organizações criminosas invadem apartamentos, expulsam os proprietários ou inquilinos originais e passam a ocupar os imóveis, que deixam de existir formalmente para a administração condominial e para o poder público. O delegado descreveu essas pessoas como praticamente invisíveis para o próprio condomínio, já que nunca chegam a se cadastrar oficialmente junto à gestão do residencial.

A investigação aponta que a atuação das facções não se limita à comercialização de entorpecentes. Moradores ouvidos pela reportagem relataram que os criminosos impõem um regimento interno paralelo, substituindo as normas de convivência estabelecidas em convenção e regulamento próprios do condomínio. Regras sobre horários, circulação de visitantes e uso de áreas comuns passam a ser ditadas pelos próprios grupos criminosos, que também intimidam moradores para garantir obediência e silêncio.

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Esse tipo de ocupação irregular gera consequências diretas para a gestão condominial. Unidades tomadas deixam de pagar taxas, ampliando a inadimplência e comprometendo o caixa do condomínio para manutenção, segurança e serviços essenciais. Além disso, a presença de pontos de armazenamento de drogas dentro dos prédios eleva o risco de operações policiais, tiroteios e danos ao patrimônio comum, um cenário que penaliza coletivamente todos os condôminos, inclusive os que nada têm a ver com a atividade criminosa.

O medo relatado por moradores tem levado famílias inteiras a abandonar seus apartamentos após sofrerem ameaças diretas dos ocupantes irregulares. Um dos pontos mais sensíveis apontados pelos entrevistados é o aliciamento de crianças e adolescentes, que convivem diariamente com a rotina do tráfico dentro dos próprios condomínios e acabam expostos ao uso e à comercialização de drogas ainda na infância.

Para o delegado Filipe Câmara, as denúncias anônimas são a principal ferramenta para localizar esses imóveis e desarticular a atuação das organizações criminosas, já que a ocupação irregular dificulta o mapeamento oficial das unidades comprometidas. O canal Disque Denúncia 181 permite o registro de informações sobre movimentação suspeita sem necessidade de identificação, com garantia de sigilo ao denunciante.

O caso de Parnamirim reacende um debate recorrente no mercado condominial brasileiro: a fragilidade da gestão de acesso e da fiscalização de ocupação em empreendimentos populares, especialmente aqueles entregues por programas habitacionais com pouca ou nenhuma estrutura de portaria, controle de acesso ou administração profissional nos primeiros anos após a entrega das chaves. Especialistas em segurança patrimonial apontam que a ausência de cadastro atualizado de moradores, de portaria eletrônica e de comunicação constante entre síndicos, conselho fiscal e forças de segurança facilita justamente esse tipo de ocupação silenciosa por grupos criminosos.

Para síndicos e administradoras que atuam em conjuntos habitacionais de grande porte, o episódio reforça a importância de investir em controle de acesso, cadastro atualizado de moradores e canais de comunicação direta com a polícia e com o Disque Denúncia, além de aproximar a gestão condominial dos órgãos de segurança pública para identificar precocemente sinais de ocupação irregular. As investigações sobre os condomínios populares de Parnamirim continuam em andamento, com o objetivo de identificar todos os integrantes das facções envolvidas e devolver a sensação de segurança às famílias que ali residem.

 

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Fonte: Agora RN

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Escrito por

Gabriele Fiel

Colunista do Portal SBM.

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