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Falha invisível quase termina em tragédia: queda de extintor fere criança em condomínio.

person Gabriele Fiel
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Um acidente envolvendo um equipamento essencial para a segurança predial acendeu o sinal de alerta em condomínios de todo o país. Um menino de 7 anos foi atingido nas costas por um extintor de incêndio que se desprendeu do suporte em um condomínio residencial em Caieiras, na Região Metropolitana de São Paulo. O caso foi exibido pelo programa Balanço Geral, da Record TV.

De acordo com as informações apresentadas na reportagem, a criança caminhava por uma área comum do condomínio quando o extintor, instalado em um suporte fixado na parede, caiu repentinamente, atingindo suas costas. O impacto surpreendeu moradores que estavam nas proximidades e gerou preocupação imediata quanto ao estado de saúde do menino.

A vítima foi socorrida e recebeu atendimento médico. Até a veiculação da reportagem, não havia confirmação de lesões graves, mas o susto e o potencial risco do acidente trouxeram à tona uma discussão relevante: a responsabilidade pela correta instalação e manutenção de equipamentos de segurança obrigatórios em edificações residenciais.

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Equipamento obrigatório, mas nem sempre fiscalizado

Os extintores de incêndio são itens exigidos por normas técnicas e pela legislação de segurança contra incêndio. Eles devem estar posicionados em locais estratégicos, com sinalização adequada e, principalmente, fixados de maneira segura. O desprendimento do equipamento indica possível falha na fixação, desgaste do suporte ou ausência de manutenção preventiva.

Em condomínios, a responsabilidade pela manutenção das áreas comuns recai sobre o síndico, que pode contar com o apoio de administradoras e empresas especializadas. No entanto, a responsabilidade legal permanece vinculada à gestão condominial.

O episódio em Caieiras evidencia que, embora o foco geralmente esteja na validade da carga do extintor e na inspeção periódica, a integridade do suporte e da estrutura de fixação também deve ser parte do checklist de manutenção.

Responsabilidade civil e possíveis desdobramentos

Sob o ponto de vista jurídico, acidentes em áreas comuns podem gerar responsabilidade civil do condomínio, caso seja comprovada negligência na conservação do espaço ou dos equipamentos. Em situações que envolvem crianças, a comoção tende a ser ainda maior, ampliando o debate sobre dever de cuidado.

Especialistas em direito condominial destacam que a obrigação do condomínio é garantir que todos os itens instalados em áreas comuns estejam em condições seguras de uso. Isso inclui não apenas elevadores, portões e playgrounds, mas também dispositivos de segurança como extintores, hidrantes e sinalizações.

Caso seja constatado que o suporte estava danificado ou mal fixado, o condomínio pode ser responsabilizado por eventuais danos físicos ou morais. Por outro lado, se ficar comprovado defeito de fabricação do suporte ou do equipamento, o fabricante também pode ser incluído na discussão.

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Manutenção preventiva: custo baixo, impacto alto

O custo de inspeção e reforço de suportes de extintores é considerado baixo quando comparado aos riscos envolvidos. Uma vistoria periódica pode identificar parafusos frouxos, buchas desgastadas ou paredes comprometidas.

O acidente reforça a importância de incluir, nos contratos com empresas de manutenção, cláusulas específicas que contemplem a verificação da fixação física dos equipamentos. Muitas vezes, a inspeção concentra-se na recarga e validade do extintor, deixando em segundo plano o estado do suporte.

Além disso, o registro documental dessas inspeções é fundamental. Em eventual ação judicial, relatórios técnicos e comprovantes de manutenção podem ser decisivos para demonstrar que o condomínio cumpria suas obrigações.

Impacto na gestão condominial

Para síndicos e administradoras, o caso serve como alerta prático. Pequenos detalhes estruturais podem se transformar em grandes problemas jurídicos e financeiros. A cultura de prevenção precisa ser constante, especialmente em condomínios com circulação de crianças e idosos.

O episódio também pode provocar aumento na procura por auditorias de segurança predial e revisões internas de protocolos. Em um cenário de crescente judicialização das relações condominiais, prevenir é não apenas uma questão de segurança, mas de gestão estratégica.

Casos envolvendo falhas estruturais em áreas comuns não são inéditos no Brasil. Quedas de portões automáticos, desprendimento de revestimentos e problemas em playgrounds frequentemente ganham repercussão. O diferencial neste episódio é envolver um item obrigatório de segurança contra incêndio, o que amplia o debate.

Com a verticalização crescente nas cidades da Grande São Paulo e o aumento do número de condomínios-clube, a complexidade da gestão predial também se expande. Equipamentos, sistemas e dispositivos exigem manutenção constante e especializada.

 

Fonte: R7

Foto de Gabriele Fiel
Escrito por

Gabriele Fiel

Colunista do Portal SBM.

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