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Fim do elevador “de serviço”? Projeto pode transformar regras em condomínios e gera polêmica nacional.

person Gabriele Fiel
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Um projeto de lei em tramitação na Câmara Municipal de Goiânia tem provocado discussões intensas no setor condominial e entre especialistas em direito, arquitetura e convivência urbana. A proposta pretende proibir a distinção entre elevadores sociais e de serviço em condomínios residenciais e comerciais, prática comum em prédios brasileiros há décadas.

A iniciativa parte do entendimento de que a separação pode representar uma forma indireta de discriminação social, especialmente quando associada ao uso por trabalhadores, prestadores de serviço ou mesmo moradores em determinadas situações. Segundo os defensores do projeto, a medida busca promover maior igualdade no uso dos espaços comuns, alinhando-se a princípios constitucionais de dignidade e isonomia.

Historicamente, a divisão entre elevadores surgiu como uma solução funcional. Em edifícios maiores, o elevador de serviço era utilizado para transporte de mudanças, compras volumosas, lixo e circulação de funcionários, evitando transtornos no elevador social. Com o passar do tempo, no entanto, a prática também passou a carregar um simbolismo social, muitas vezes criticado por reforçar distinções entre moradores e trabalhadores.

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O projeto de lei propõe que os condomínios não possam impor restrições quanto ao uso dos elevadores com base em categorias como “social” ou “de serviço”, garantindo o acesso igualitário a todos os usuários. Caso aprovado, síndicos e administradoras terão que revisar regimentos internos e adaptar a gestão do uso dos equipamentos.

Especialistas do setor condominial alertam que a mudança pode gerar desafios operacionais relevantes. A ausência de diferenciação pode impactar a logística de transporte de cargas, mudanças e até serviços de limpeza e manutenção. Em prédios com alta circulação, isso pode resultar em maior desgaste dos equipamentos e aumento de custos com manutenção.

Por outro lado, juristas apontam que a discussão não é apenas operacional, mas também jurídica e social. Há precedentes no Brasil em que práticas condominiais foram questionadas judicialmente por configurarem discriminação indireta. Nesse contexto, a proposta pode antecipar uma tendência de revisão de normas internas em todo o país.

Outro ponto sensível é a autonomia dos condomínios. Muitos síndicos defendem que regras internas devem ser definidas em assembleia pelos próprios moradores, respeitando as particularidades de cada edifício. A interferência legislativa nesse aspecto levanta dúvidas sobre os limites da atuação do poder público na gestão privada.

Além disso, a proposta pode gerar impactos financeiros. A adaptação de regras, sinalizações e até o uso mais intenso dos elevadores pode exigir investimentos adicionais, o que pode refletir nas taxas condominiais. Em contrapartida, há quem veja oportunidade de modernização dos prédios e revisão de práticas consideradas ultrapassadas.

O debate também tem forte componente cultural. Em diversas cidades brasileiras, a separação entre elevadores ainda é vista como algo natural e funcional. Em outras, já vem sendo questionada por movimentos sociais e por uma nova geração de moradores que prioriza igualdade e inclusão.

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Se aprovado, o projeto pode servir de referência para outras cidades, ampliando a discussão em nível nacional. O tema tende a ganhar espaço em assembleias condominiais, escritórios de advocacia e empresas de gestão predial, exigindo preparo dos profissionais para lidar com possíveis mudanças.

Enquanto isso, síndicos devem acompanhar de perto a tramitação da proposta e avaliar como eventuais alterações podem impactar seus condomínios. A recomendação é buscar orientação jurídica e promover diálogo com os moradores, antecipando possíveis conflitos e garantindo uma transição mais equilibrada, caso a medida entre em vigor.

 

Fonte: Câmara Municipal de Goiânia

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Escrito por

Gabriele Fiel

Colunista do Portal SBM.

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