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Fuzis, tiros e ameaças: crime armado invade 3 condomínios em Itaboraí.

person Gabriele Fiel
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Um grupo armado com fuzis e pistolas invadiu três condomínios do bairro Outeiro das Pedras, em Itaboraí, na Região Metropolitana do Rio de Janeiro, entre a noite do último domingo (30) e a madrugada de segunda-feira (31). Cerca de seis criminosos renderam funcionários das portarias, destruíram câmeras de segurança e centrais de internet, e efetuaram disparos contra guaritas e fiações. A ação, denunciada nesta terça-feira (1º) pelo programa Cidade Alerta RJ, da Record, já é investigada pela Polícia Civil com base na Lei Antiterrorismo.

Os condomínios afetados foram o Village Recanto, o Vila das Mangueiras II e o Chardonnay, todos próximos entre si no Outeiro das Pedras. Segundo relatos de moradores e testemunhas, os criminosos arrebentaram portões, arrancaram fios de internet das centrais de distribuição e atiraram contra câmeras e contra a guarita do Village Recanto. Funcionários das portarias foram rendidos durante a ação, e moradores relataram ter ouvido diversos disparos, em cenas de pânico registradas pelos próprios circuitos de segurança antes de serem destruídos.

De acordo com apurações da Polícia Militar, a ação teria sido ordenada por um homem apontado como traficante ligado ao Comando Vermelho, que estaria escondido na comunidade da Rocinha, na Zona Sul do Rio, mas que controlaria o tráfico de drogas também nos bairros Outeiro das Pedras e Bela Vista, em Itaboraí. O objetivo, segundo a investigação, era encerrar a atuação de uma empresa de internet legalizada que prestava serviço aos condomínios, para forçar moradores a contratar uma rede clandestina operada pela facção, prática que vem se repetindo em áreas dominadas pelo tráfico no estado.

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Na terça-feira, a Polícia Militar do 35º Batalhão (Itaboraí) prendeu dois suspeitos ligados às invasões: um homem de 23 anos, detido também em posse de drogas, e outro de 44 anos, localizado com o veículo usado como apoio na ação. O caso foi encaminhado à 71ª Delegacia de Polícia (Itaboraí), responsável pelas investigações, que apontam ainda um possível envolvimento do grupo em uma invasão anterior ao Condomínio Residencial Dom Marcelino, no bairro Bela Vista. Diante das ameaças feitas para impor o serviço ilegal, a Polícia Civil informou que mantém diligências contínuas para desarticular a estrutura criminosa responsável pela interrupção de serviços essenciais na região.

O episódio expõe uma frente de risco que vem ganhando força no mercado condominial fluminense: a disputa armada por infraestrutura de telecomunicações dentro de condomínios residenciais. Ao mirar centrais de internet e sistemas de monitoramento, grupos criminosos atacam simultaneamente a segurança patrimonial e a autonomia contratual dos condomínios, que se veem pressionados a romper vínculos com prestadoras regulares sob ameaça de violência. Para síndicos e administradoras, o caso reforça a necessidade de protocolos de segurança mais rígidos, incluindo sistemas de monitoramento com backup remoto, blindagem física de centrais técnicas e canais diretos de comunicação com batalhões da Polícia Militar da região.

O enquadramento da investigação na Lei Antiterrorismo também é significativo: ao tratar a coação armada contra moradores como ato de natureza terrorista, a Justiça sinaliza um endurecimento no tratamento penal desse tipo de crime, o que pode elevar as penas aplicadas aos responsáveis. Para o setor, isso reforça a importância de documentar formalmente qualquer tentativa de imposição de serviços por grupos armados, já que boletins de ocorrência e registros em atas de assembleia podem embasar futuras ações judiciais e pedidos de reforço policial.

Nos próximos dias, síndicos de condomínios na região de Itaboraí e em áreas com histórico de disputa por serviços de internet devem redobrar a atenção a sinais de abordagem por grupos armados, como visitas não solicitadas de supostos representantes de provedores, ameaças a funcionários da portaria ou cortes inexplicados de cabeamento. A recomendação de especialistas em segurança predial é que qualquer contato desse tipo seja imediatamente registrado e comunicado à polícia, evitando negociações diretas com os criminosos.

 

Fonte: Record TV

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Escrito por

Gabriele Fiel

Colunista do Portal SBM.

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