Golpe do falso entregador cresce em Cascavel e alarma síndicos e moradores.
Cascavel, no oeste do Paraná, voltou a concentrar as atenções da segurança pública nesta semana depois que o comandante do 6º Batalhão de Polícia Militar (BPM) divulgou, em 20 de julho, uma série de orientações a síndicos, empresas de portaria e moradores sobre um golpe que tem se repetido com frequência na região: a entrada de criminosos disfarçados de entregadores ou de prestadores de serviço nas dependências de condomínios residenciais. A recomendação central é direta e vale para qualquer visitante, técnico ou entregador: nenhum acesso deve ser liberado sem a confirmação expressa do morador da unidade correspondente, e senhas de interfone ou códigos de portão jamais devem ser repassados a terceiros.
De acordo com o levantamento da corporação, os grupos que aplicam esse tipo de golpe não agem por impulso. Há, segundo a Polícia Militar, uma etapa prévia de observação: os criminosos acompanham a rotina do condomínio, identificam os horários de menor movimento na portaria, testam a atenção dos funcionários e tentam obter, por diferentes meios, informações estratégicas como senhas de acesso, códigos de liberação de portões eletrônicos e escalas de trabalho dos porteiros. Só depois desse reconhecimento é que a abordagem se concretiza, geralmente com o uniforme, o crachá ou o discurso de uma transportadora, de uma concessionária de serviços essenciais ou de uma equipe de manutenção.
Um episódio recente ilustra bem a fragilidade que a Polícia Militar quer corrigir. Em um condomínio da região, um funcionário conseguiu entrar no prédio apenas alegando que faria uma entrega, sem que o porteiro checasse antes, junto ao morador, se o serviço havia de fato sido solicitado. O caso não envolveu intenção criminosa, mas a corporação usou o episódio como exemplo de como a quebra de um protocolo básico de conferência pode, em outras circunstâncias, ser explorada por quadrilhas especializadas em furtos e roubos a unidades residenciais.
O alerta de Cascavel não é um fato isolado. Reportagens e cartilhas de segurança de diferentes estados brasileiros vêm registrando, nos últimos anos, o crescimento de golpes que usam a figura do entregador ou do prestador de serviço como porta de entrada para condomínios. Batalhões de outras regiões do país já orientaram síndicos e moradores exatamente na mesma direção: manter cadastro atualizado de prestadores recorrentes, exigir nome completo e documento de quem vai atender determinado apartamento, recusar liberações feitas apenas por telefone e nunca permitir que o entregador suba até a unidade sem autorização prévia e confirmada.
Para o setor condominial, o episódio reforça um ponto que administradoras e especialistas em segurança patrimonial repetem com frequência: o controle de acesso não é responsabilidade exclusiva da portaria. Como o próprio condomínio contrata e remunera os serviços de vigilância, cabe também ao síndico e aos moradores fiscalizar o cumprimento das regras internas, evitar pedidos de exceção em nome da praticidade e cobrar treinamento constante das equipes que atuam na guarita ou na central de portaria remota.
A recomendação da Polícia Militar de Cascavel dialoga diretamente com uma tendência já observada em condomínios de portaria remota, modelo que cresceu no país nos últimos anos e que depende ainda mais de protocolos rígidos de confirmação, já que não há um porteiro fisicamente presente para reconhecer rostos ou desconfiar de comportamentos estranhos. Nesses casos, a confirmação por aplicativo, por senha individual ou por contato telefônico direto com o morador se torna a principal, e muitas vezes única, barreira contra a ação de golpistas.
O impacto de falhas nesse tipo de protocolo também tem repercussão jurídica para condomínios e administradoras. Quando um golpe se concretiza por falta de conferência básica, a discussão sobre responsabilidade civil recai sobre a empresa de portaria contratada, sobre a administradora e, em alguns casos, sobre o próprio condomínio, o que já gerou disputas judiciais em diferentes cidades do país envolvendo indenização por furtos e invasões associados a falhas de controle de acesso.
Para síndicos e moradores de Cascavel e da região, a orientação prática que fica do alerta do 6º BPM é objetiva: qualquer entrega, manutenção ou visita deve ser previamente informada à portaria pelo próprio morador, com nome do profissional e horário esperado; senhas, controles e códigos de acesso não devem ser compartilhados sob nenhuma justificativa; e qualquer divergência entre o que foi informado e o que se apresenta na portaria deve ser motivo suficiente para barrar o acesso até nova confirmação. Segundo informações disponíveis até o fechamento desta edição, a Polícia Militar deve seguir reforçando essas orientações em reuniões com síndicos e administradoras da região nas próximas semanas.
Fonte: Catve.com