Guia da rede hidrossanitária: causas, responsabilidade e calendário de manutenção. Saiba tudo na matéria exclusiva da SBM com a Eficaz.
Um chamado tratado como ocorrência isolada revelou uma rede comprometida. A Eficaz Desentupidora explica o que realmente entope as prumadas de um edifício e como se define quem paga a conta.
O chamado chegou como chegam quase todos: urgente, pontual e aparentemente simples. Um entupimento, um ponto afetado, a expectativa de que meia hora de trabalho resolvesse. Mas ao percorrer os acessos disponíveis e acompanhar o sentido do fluxo, a equipe encontrou outra coisa. O problema não estava naquele apartamento. Estava na rede comum, e já vinha se formando havia tempo.
Depois do hidrojateamento e da limpeza das linhas, o fluxo foi restabelecido e uma quantidade expressiva de resíduo saiu da tubulação. Mas o resultado mais importante não foi técnico: foi mostrar à gestão que aquilo nunca havia sido uma ocorrência isolada — e que, se seguisse sendo tratada como tal, voltaria.
A cena se repete em condomínios de todos os portes e todas as idades. Por isso o Portal SBM Forcondo trouxe a Eficaz Desentupidora, que atende condomínios em Porto Alegre e região metropolitana, para explicar do ponto de vista de quem abre as prumadas o que acontece dentro da rede de um edifício. Quem responde é Francine, responsável pela empresa.
Quando a Eficaz chega em um condomínio com refluxo em vários apartamentos ao mesmo tempo, qual é o primeiro procedimento antes de qualquer intervenção?
O primeiro passo é ouvir o cliente. Depois disso, fazemos a análise para identificar se estamos diante de uma obstrução localizada ou de uma ocorrência na rede comum do condomínio. Avaliamos os pontos afetados, verificamos caixas de inspeção e demais acessos disponíveis e buscamos identificar onde o fluxo está sendo interrompido.
Antes de simplesmente desentupir, é importante localizar tecnicamente o problema. A intervenção deve ser consequência do diagnóstico, e não o contrário.
Como é possível documentar se a obstrução veio do descarte de uma unidade ou da falta de manutenção da rede comum?
Essa é uma questão que exige bastante cuidado. Nem sempre é possível atribuir uma obstrução a uma unidade específica apenas pelo material encontrado.
Para fazer essa diferenciação, analisamos a localização da obstrução, o sentido do fluxo, os pontos de acesso, o tipo de resíduo e o histórico do condomínio. Uma obstrução na rede comum não deve automaticamente ser atribuída a um morador. Da mesma forma, um problema originado em ramal privativo não deve ser tratado como problema da rede geral sem uma avaliação.
A documentação técnica é justamente o que permite ao condomínio tomar uma decisão baseada em evidências.
Que tipo de resíduo vocês mais retiram das prumadas de prédios residenciais hoje?
Encontramos uma combinação de resíduos orgânicos, papel, gordura, cabelos e materiais que não deveriam chegar à rede de esgoto.
Os lenços umedecidos também aparecem nos atendimentos. O problema é que muitos produtos são divulgados como descartáveis, mas isso não significa que tenham o mesmo comportamento do papel higiênico dentro de uma rede predial. Esses materiais podem se acumular, principalmente quando encontram gordura, incrustações ou outros resíduos já aderidos à tubulação.
Por isso a orientação da Eficaz é simples: o vaso sanitário não deve ser utilizado como lixeira.
Existe diferença clara de causa entre prédios antigos e empreendimentos entregues nos últimos dez anos?
Existe diferença, mas não podemos atribuir o problema apenas à idade do prédio.
Em edificações mais antigas, encontramos com maior frequência tubulações antigas, incrustações, desgaste, alterações realizadas ao longo dos anos e sistemas que podem não ter recebido manutenção adequada. Nos empreendimentos mais novos também encontramos problemas, muitas vezes relacionados ao uso incorreto, dimensionamento, execução, alterações posteriores ou ausência de manutenção preventiva.
Por isso é importante não partir de uma conclusão antes da avaliação técnica. O mesmo sintoma pode ter causas completamente diferentes.
Caixa de gordura mal dimensionada é um problema que vocês encontram com frequência? O que fazer quando o dimensionamento original é insuficiente?
Sim, encontramos situações em que a capacidade ou configuração da caixa de gordura não acompanha a demanda atual do empreendimento. Isso pode acontecer por dimensionamento original inadequado, mudanças no perfil de utilização ou aumento da demanda ao longo dos anos.
Quando identificamos uma situação assim, a recomendação não é simplesmente aumentar a frequência da limpeza. É necessário avaliar tecnicamente o sistema e verificar se existe possibilidade de adequação, ampliação ou alteração da solução existente.
A manutenção consegue controlar os efeitos do problema, mas quando existe uma deficiência estrutural ou de dimensionamento, é importante tratar a causa.
Que erro o condomínio comete com mais frequência tentando resolver sozinho? Produtos químicos de prateleira agravam o quadro?
Um dos erros mais comuns é tentar resolver repetidamente o problema pelo ponto onde aparece o sintoma, sem investigar a origem.
Também é comum utilizar produtos químicos. Dependendo do produto, da concentração e da situação da tubulação, isso pode não solucionar a obstrução e ainda criar riscos para pessoas, equipamentos e para a própria execução do serviço posteriormente.
Quando existe uma obstrução recorrente ou vários pontos afetados, a recomendação é não insistir em soluções improvisadas. É melhor identificar a origem do problema e utilizar o equipamento adequado para aquela situação.
Na operação de vocês, qual proporção dos chamados é emergência e qual é manutenção programada?
A maior parte dos chamados que chegam até nós ainda tem caráter emergencial, principalmente entupimentos, caixas de gordura saturadas e problemas nas redes cloacais e pluviais.
Ao mesmo tempo, temos percebido uma procura crescente por manutenção preventiva, principalmente por parte de síndicos que já entenderam que esperar o problema aparecer costuma gerar um custo maior, além de transtornos aos moradores.
Hoje trabalhamos bastante para mudar essa cultura: o objetivo é que o condomínio deixe de nos procurar somente quando a rede já está comprometida e passe a trabalhar com um calendário de manutenção e contrato anual.
Vocês conseguem estimar a diferença de custo entre um contrato preventivo anual e uma sequência de atendimentos emergenciais no mesmo período?
Sim. Considerando o histórico dos atendimentos que acompanhamos em condomínios, um planejamento preventivo pode representar uma economia de pelo menos 18% em comparação com a sequência de intervenções emergenciais ao longo do mesmo período.
Mas a diferença não está apenas no valor de cada atendimento. No chamado emergencial existe o custo de deslocamento, mobilização de equipe e equipamentos, além dos impactos que muitas vezes não aparecem diretamente no orçamento: transtorno aos moradores, indisponibilidade de áreas, risco de danos e necessidade de intervenções mais complexas quando o problema já evoluiu.
Qual periodicidade de hidrojateamento preventivo vocês recomendam para um prédio residencial de porte médio?
Não existe uma periodicidade única que possa ser aplicada a todos os condomínios. Como referência, em um condomínio residencial de porte médio podemos trabalhar com manutenção preventiva a cada seis meses, dependendo das características do sistema.
O intervalo deve considerar número de unidades, quantidade de moradores, histórico de entupimentos, utilização das redes, quantidade e condição das caixas de gordura, características da tubulação, presença de comércio no condomínio e histórico de manutenção.
O melhor calendário é aquele construído a partir do comportamento real da rede.
Depois de um episódio grave de refluxo, qual orientação vocês dão ao síndico para comunicar e educar os moradores?
Orientamos o síndico a transformar o episódio em uma oportunidade de conscientização. É importante comunicar aos moradores o que aconteceu, explicar que o sistema de esgoto é coletivo e que determinados descartes podem afetar dezenas de unidades.
A orientação básica é não descartar lenços umedecidos, papel em excesso, absorventes, fraldas, panos, gordura, objetos ou outros materiais inadequados nas tubulações.
Também recomendamos que o condomínio estabeleça um calendário de manutenção preventiva e mantenha registros dos serviços realizados. Quando o morador entende que uma atitude dentro do apartamento pode gerar um problema em todo o edifício, a prevenção passa a fazer mais sentido.
Há algum caso atendido pela Eficaz que sirva de exemplo, sem identificar o condomínio?
Sim. Podemos citar situações em que recebemos chamados inicialmente tratados como um simples entupimento e, durante a avaliação, identificamos que o problema estava relacionado à condição da rede comum.
Em alguns desses casos, após o hidrojateamento e a limpeza das linhas, conseguimos retirar grande quantidade de resíduos e restabelecer o fluxo. O mais importante, porém, foi mostrar ao condomínio que o problema não deveria ser tratado apenas como uma ocorrência pontual. Também temos casos em que a manutenção preventiva permitiu identificar uma condição da rede antes que ela evoluísse para um refluxo generalizado.
Esse é justamente o nosso posicionamento: a Eficaz não trabalha apenas para desentupir quando o problema acontece. Trabalhamos para entender por que ele aconteceu e como reduzir a possibilidade de que volte a acontecer.
O que o síndico leva desta reportagem
O fio que atravessa todas as respostas da Eficaz é um só: a ordem dos fatores altera o resultado. Diagnosticar antes de intervir define a técnica correta, mas define também quem paga a conta — e é o que separa uma decisão sustentada em evidência de uma cobrança feita por suposição, que costuma terminar em conflito com o morador.
Três pontos merecem entrar na rotina da gestão. O primeiro é documentar: registro dos serviços realizados e da origem identificada em cada ocorrência forma um histórico que orienta a gestão seguinte e sustenta decisões sobre responsabilidade. O segundo é sair da lógica emergencial, construindo um calendário de manutenção a partir do comportamento real da rede do prédio, e não de um pacote padrão. O terceiro é comunicar: enquanto o morador não entender que o sistema de esgoto é coletivo, a prevenção continuará parecendo despesa evitável.
Nenhum desses três pontos exige obra ou investimento alto. Exigem método. E é justamente a ausência de método que faz o mesmo problema voltar, com o mesmo custo, no mesmo prédio.