Imagens de satélite expõem extensão real do terremoto na Venezuela: Quase 60 mil prédios atingidos.
Um relatório divulgado pela Administração Nacional da Aeronáutica e Espaço (Nasa) nesta segunda-feira, 29 de junho de 2026, estima que aproximadamente 58.870 edifícios foram danificados ou destruídos na Venezuela em decorrência dos terremotos que atingiram o país na última quarta-feira, 24 de junho. O levantamento, batizado de quase 60 mil estruturas afetadas, foi produzido a partir de imagens de radar do satélite Sentinel-1, operado pela Agência Espacial Europeia (ESA), e representa uma das primeiras avaliações de larga escala sobre a extensão do desastre no território venezuelano.
Segundo a Nasa, a metodologia utilizada compara imagens captadas antes e depois dos abalos sísmicos para identificar mudanças na superfície compatíveis com colapsos estruturais, rachaduras severas ou alterações na geometria dos telhados, um tipo de análise que se tornou padrão em catástrofes recentes por permitir respostas rápidas mesmo em áreas de difícil acesso terrestre. A própria agência, no entanto, fez questão de classificar o número como preliminar, ressaltando que os dados captados por satélite ainda precisam ser confirmados por equipes em campo antes de se tornarem um diagnóstico definitivo sobre os danos.
O cenário que motivou a análise é grave. A Venezuela foi atingida por dois terremotos consecutivos na noite de 24 de junho, de magnitudes 7,2 e 7,5, este último classificado pelo Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) como o mais forte registrado no país desde 1900. Os tremores ocorreram em menos de um minuto de intervalo, com epicentro a cerca de 160 quilômetros a oeste de Caracas, na região de San Felipe, capital do estado de Yaracuy. As autoridades venezuelanas já confirmaram 1.719 mortes em decorrência do desastre, número que coloca o evento entre os mais letais da história recente do país.
O estado de La Guaira, no litoral norte, foi declarado zona de desastre e concentrou os danos mais severos, segundo a presidente interina Delcy Rodríguez. Dezenas de edifícios desabaram na região, incluindo um hotel à beira-mar na cidade de Macuto, completamente reduzido a escombros, e diversas construções residenciais e comerciais em Catia La Mar. O Aeroporto Internacional Simón Bolívar, que atende a capital, teve seu terminal fechado por danos estruturais graves. Em Caracas, bairros como San Bernardino e Los Palos Grandes também registraram colapsos, incluindo edifícios que já haviam sido danificados por um terremoto anterior, de magnitude 6,3, em 1967.
Para o setor de gestão condominial e predial, episódios dessa magnitude reforçam um debate recorrente sobre a importância de laudos técnicos estruturais periódicos, sobretudo em edificações antigas ou já submetidas a eventos sísmicos anteriores. O caso de prédios reforçados após o terremoto de 1967 que ainda assim ruíram em 2026 ilustra os limites de intervenções estruturais pontuais quando não acompanhadas de monitoramento contínuo, um alerta que vale tanto para regiões sismicamente ativas quanto para edificações brasileiras sujeitas a outros tipos de risco estrutural, como recalques de fundação, infiltrações prolongadas e desgaste de materiais ao longo de décadas.
A Organização das Nações Unidas (ONU) estima que as perdas econômicas totais do desastre podem chegar a 20 bilhões de dólares, enquanto o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) calcula que 1,8 milhão de venezuelanos, incluindo 680 mil crianças, precisam de assistência humanitária. Operações de busca e resgate seguem em curso, com a participação de 2,2 mil profissionais e 140 cães farejadores vindos de diversos países, enquanto o Programa Mundial de Alimentos (WFP) já mobilizou mais de 3 mil toneladas de suprimentos para atender famílias desabrigadas.
Até o fechamento desta edição, a Nasa não havia divulgado um cronograma para a verificação em campo dos dados de satélite, e novas atualizações sobre o número real de edificações comprometidas devem ser divulgadas nas próximas semanas, à medida que equipes técnicas avancem na inspeção das áreas mais afetadas.
Fonte: Metrópoles