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“Internet do crime”: quadrilhas dominam condomínios na Bahia e obrigam moradores a pagar por serviço clandestino.

person Gabriele Fiel
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Em condomínios localizados nas cidades de Camaçari e Lauro de Freitas, na Região Metropolitana de Salvador (BA), um novo tipo de crime está deixando moradores em situação de pânico e isolamento digital. De acordo com reportagem do Jornal da Band, criminosos estão impondo um serviço clandestino de internet nos empreendimentos residenciais.

A atuação das facções começou a se intensificar no fim de 2025, quando grupos armados passaram a cortar cabos de fibra óptica pertencentes a operadoras legalizadas. O objetivo, segundo a reportagem, é impedir o acesso de técnicos das empresas oficiais e monopolizar o fornecimento de internet, obrigando os moradores a aderir ao serviço ilegal oferecido pelos criminosos.

Os moradores relatam que, desde então, vivem em um apagão digital, sem acesso estável à internet e sem a possibilidade de contratar novas operadoras. Muitos profissionais que trabalham em home office, além de estudantes que dependem da rede para aulas e atividades, estão sendo diretamente afetados.

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As empresas de telecomunicações, como a Claro, confirmam que não estão realizando atendimentos nas áreas afetadas por questões de segurança. Técnicos e prestadores de serviço também evitam entrar nos condomínios por medo de represálias das facções que controlam as localidades.

A Band destaca que, na prática, os criminosos criaram um provedor paralelo, operando à margem da lei e sob intimidação. A proposta é simples, mas coercitiva: quem quiser internet precisa pagar aos próprios criminosos, que instalam o sinal clandestino e garantem o “serviço” mediante pagamento mensal.

De acordo com especialistas em segurança pública ouvidos pela reportagem, esse tipo de crime segue uma lógica já observada em outras regiões do país, especialmente no Rio de Janeiro, onde facções e milícias controlam serviços essenciais como energia, gás, transporte alternativo e TV por assinatura. O controle sobre a internet, apontam, representa uma nova forma de poder e fonte de renda para o crime organizado.

O caso na Bahia chamou ainda mais atenção pela violência envolvida. A Band relembra que, em dezembro de 2025, três funcionários de uma empresa provedora legal foram encontrados mortos em Salvador depois de se recusarem a pagar uma espécie de “pedágio” exigido pelos criminosos para atuar na área.

Mesmo diante das ameaças e da insegurança, os moradores vêm registrando boletins de ocorrência e acionando o Ministério Público para tentar garantir a retomada dos serviços legais e proteger os profissionais das operadoras.

Até o momento, não há uma solução definitiva ou protocolos claros para permitir que as empresas de telecomunicações retomem o serviço de forma segura. O clima nos condomínios é de apreensão, já que a falta de internet impacta diretamente a rotina das famílias, além de expor a fragilidade da presença do Estado em determinadas regiões urbanas da Bahia.

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A reportagem da Band reforça que as autoridades investigam o caso, mas ainda não divulgaram se há prisões ou operações em andamento contra as quadrilhas que controlam a distribuição clandestina de internet na região.

 

Fonte: BAND

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Escrito por

Gabriele Fiel

Colunista do Portal SBM.

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