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Investigação em Ji-Paraná revela irregularidade em mais de 300 pontos de iluminação de condomínio.

person Gabriele Fiel
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Uma operação realizada na sexta-feira (10), em Ji-Paraná, na região central de Rondônia, colocou em evidência um problema que preocupa concessionárias de energia e administradores condominiais em todo o Brasil. Durante uma fiscalização conduzida com apoio da Polícia Militar e da Polícia Técnico-Científica (Politec), um condomínio de alto padrão passou a ser investigado após a constatação de uma fraude no sistema de medição de energia elétrica. Segundo informações divulgadas pelo g1 Rondônia e pela concessionária responsável pelo fornecimento de energia, mais de 300 pontos de iluminação do residencial consumiam eletricidade sem que esse uso fosse registrado pelo medidor oficial.

A operação também resultou na prisão em flagrante de um suspeito por furto de energia em um imóvel localizado no bairro Boa Esperança, também em Ji-Paraná. Conforme informou a concessionária, equipes técnicas identificaram uma ligação irregular na residência e acionaram imediatamente a Polícia Militar e a Politec, que realizaram a perícia técnica e confirmaram a fraude. O suspeito foi encaminhado à Unidade Integrada de Segurança Pública (Unisp). As autoridades não divulgaram a identidade do preso nem o nome do condomínio investigado.

No caso do condomínio, a perícia apontou que centenas de pontos de iluminação estavam conectados de forma que o consumo elétrico não era contabilizado pelo equipamento de medição. Após a confirmação da irregularidade, foi registrado um boletim de ocorrência contra o empreendimento, que agora poderá responder às investigações conduzidas pelas autoridades competentes. Até o fechamento desta edição, não haviam sido divulgadas informações sobre possíveis responsáveis diretos pela alteração no sistema elétrico ou sobre o prejuízo financeiro causado pela fraude.

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Além do impacto econômico para a distribuidora de energia, casos dessa natureza levantam discussões importantes sobre a responsabilidade da administração condominial. Embora a investigação ainda esteja em andamento, situações envolvendo adulteração de medidores ou ligações clandestinas podem gerar consequências civis, administrativas e criminais, dependendo da participação ou do conhecimento dos responsáveis pela gestão do empreendimento. A legislação brasileira considera o furto de energia um crime, sujeito às penalidades previstas no Código Penal, além da cobrança dos valores correspondentes ao consumo não faturado.

Especialistas do setor elétrico alertam que fraudes na rede elétrica vão muito além da redução indevida na conta de energia. Ligações irregulares aumentam significativamente o risco de sobrecarga dos circuitos, curtos-circuitos, incêndios e acidentes envolvendo moradores, trabalhadores e prestadores de serviço. Em condomínios, onde sistemas de iluminação, bombas hidráulicas, elevadores, portões automáticos e equipamentos de segurança dependem de fornecimento elétrico contínuo, qualquer intervenção clandestina pode comprometer a segurança coletiva e provocar danos materiais de grandes proporções.

O episódio também reforça a necessidade de boas práticas de governança condominial. Auditorias periódicas nas instalações elétricas, acompanhamento técnico das contas de consumo, contratação de empresas habilitadas para manutenções e controle rigoroso sobre intervenções na infraestrutura elétrica são medidas que reduzem riscos operacionais e jurídicos. Síndicos e administradoras exercem papel estratégico nesse processo, especialmente ao manter registros de manutenção, contratos e laudos técnicos que demonstrem a regularidade das instalações.

Nos últimos anos, concessionárias de energia em diferentes estados brasileiros têm intensificado operações para identificar ligações clandestinas, desvios de carga e adulterações em medidores residenciais, comerciais e condominiais. O avanço de tecnologias de monitoramento remoto e de sistemas inteligentes de medição tem facilitado a identificação de padrões anormais de consumo, aumentando a capacidade de fiscalização e reduzindo o tempo necessário para detectar irregularidades.

Para o mercado condominial, a investigação em Ji-Paraná serve como um importante alerta. Independentemente do padrão do empreendimento, a conformidade das instalações elétricas deve fazer parte da agenda permanente de gestão patrimonial e de segurança. A adoção de controles preventivos, aliada ao cumprimento das normas técnicas e à transparência administrativa, contribui para evitar prejuízos financeiros, responsabilizações legais e riscos à integridade dos moradores. Enquanto as investigações prosseguem, o caso evidencia que a gestão eficiente da infraestrutura elétrica deixou de ser apenas uma questão operacional e passou a representar um dos pilares da governança moderna nos condomínios brasileiros.

 

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Fonte: G1

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Escrito por

Gabriele Fiel

Colunista do Portal SBM.

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