Mais de 4 kg de cocaína são achados em condomínio de Novo Hamburgo: Apartamento era usado como fábrica de droga.
Um apartamento dentro de um condomínio residencial no bairro Santo Afonso, em Novo Hamburgo, foi descoberto funcionando como laboratório de mistura e preparação de cocaína. A ação ocorreu na quinta-feira (11), por volta das 12h30, e foi conduzida pela Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco) de São Leopoldo, dentro de uma ofensiva contra o crime organizado que atua na região do Vale do Rio dos Sinos.
No imóvel, os policiais apreenderam 2 kg de cocaína já preparada e pronta para venda, além de 2,5 kg de insumos utilizados na produção da droga. Também foram encontrados instrumentos usados para a mistura da pasta base e para a diluição da cocaína, totalizando mais de 4 kg de material entre droga e insumos.
Segundo a investigação, o apartamento havia sido alugado especificamente para servir como depósito, guarda e local de preparo da substância, não como moradia. O delegado responsável pelo caso destacou que essa é uma prática cada vez mais comum entre organizações criminosas: utilizar imóveis dentro de condomínios residenciais como base operacional, justamente porque esses espaços costumam ser vistos como ambientes acima de qualquer suspeita, habitados por famílias comuns.
Essa estratégia representa um desafio direto para a gestão condominial em todo o país. Para síndicos e administradoras, o episódio reforça um alerta que vem crescendo: condomínios residenciais têm se tornado alvos atrativos para operações de grupos criminosos justamente pela aparência de normalidade que oferecem. Um apartamento alugado, com pouca circulação de visitas e baixo envolvimento social com os demais moradores, pode passar meses sem levantar suspeitas, até que uma ação policial, como esta, revele o uso real do imóvel.
O caso também acende discussões sobre os limites da responsabilidade do condomínio na fiscalização de locações dentro do empreendimento. Embora não caiba ao síndico investigar a vida privada dos moradores, mecanismos básicos de governança, como cadastro atualizado de inquilinos, controle de acesso de visitantes e atenção a movimentações atípicas, continuam sendo as principais ferramentas de prevenção disponíveis à administração condominial.
A Draco de São Leopoldo informou que a investigação continua em andamento, com o objetivo de identificar e prender todos os envolvidos no esquema de distribuição de cocaína que atua nos municípios de São Leopoldo e Novo Hamburgo. Até o fechamento desta edição, não havia informações sobre detenções relacionadas a este endereço específico.
Para o setor de gestão condominial, casos como este reforçam a importância de políticas claras de segurança e da atuação integrada entre síndicos, porteiros, conselhos fiscais e forças de segurança pública. A revisão periódica de protocolos de acesso e a capacitação de equipes de portaria para identificar comportamentos suspeitos seguem como recomendações centrais para reduzir a exposição dos condomínios a esse tipo de uso criminoso.
Fonte: ABC+