Manaus: quadrilha usava funcionário de obra para roubar condomínios de luxo.
A Polícia Civil do Amazonas (PC-AM), por meio do 19º Distrito Integrado de Polícia (DIP), apresentou nesta quinta-feira (11/06), em Manaus, três suspeitos de integrarem uma organização criminosa especializada em assaltos a condomínios residenciais de alto padrão na capital amazonense. João Gabriel da Silva Santos, de 23 anos, Roberth Ailton Morais de Souza, também de 23 anos, e Rafaela Euclídia Austin Marinho foram presos por meio de mandados de prisão temporária expedidos pela Justiça, no âmbito da chamada Operação Segurança Presente.
Segundo as investigações, o grupo se aproveitava de um esquema de divisão de funções para mapear e executar os assaltos. Um dos presos atuava como funcionário de uma empresa terceirizada que prestava serviços de obra dentro de um condomínio e repassava informações privilegiadas sobre rotinas, acessos e movimentações internas. Outro integrante era responsável pela comercialização dos bens roubados, enquanto a mulher detida cuidava da locação dos veículos utilizados no transporte dos criminosos e dos objetos subtraídos durante as ações.
O caso mais recente atribuído à quadrilha ocorreu em 9 de maio deste ano. Conforme relato da autoridade policial, a facilitação interna por parte do funcionário vinculado à empresa de engenharia que executava a obra no condomínio permitiu que os criminosos, armados, conseguissem acessar a portaria e invadir uma residência durante um evento familiar. Os assaltantes anunciaram o roubo em meio à comemoração, gerando pânico entre os convidados e subtraindo pertences dos moradores e visitantes.
A investigação revelou ainda que a própria empresa de engenharia onde o suspeito trabalhava foi alvo do grupo em outra ocasião. Os criminosos teriam planejado e executado um assalto na sede da firma exatamente no dia em que havia dinheiro em espécie guardado para o pagamento dos operários da obra — episódio que evidencia o nível de detalhamento das informações internas repassadas pelo funcionário infiltrado.
A identificação dos suspeitos teve início a partir de um rastro digital: Roberth Ailton tentou vender, no mercado de revenda, um dos celulares roubados durante a ação de maio. A movimentação foi detectada pela equipe de inteligência da Polícia Civil, que conseguiu rastrear o aparelho e, a partir daí, mapear os demais integrantes do esquema. Com a decretação das ordens judiciais, as equipes foram a campo: João Gabriel e Roberth Ailton foram localizados e capturados em bairros distintos da Zona Leste de Manaus, enquanto Rafaela Euclídia foi presa no bairro Cidade Nova, na Zona Norte da capital. Os presos responderão pelo crime de roubo, devem passar por audiência de custódia e permanecem à disposição da Justiça. As investigações continuam para identificar outros possíveis integrantes da organização.
Para o mercado condominial, o caso é um alerta direto sobre um dos pontos mais sensíveis da segurança patrimonial: a confiança depositada em prestadores de serviço terceirizados que circulam livremente pelas dependências internas durante obras e reformas. Funcionários de empreiteiras, equipes de manutenção e prestadores eventuais frequentemente têm acesso a informações estratégicas, horários de portaria, rotinas de moradores, localização de câmeras, fluxo de caixa de eventos e até cronogramas de pagamento que, em mãos erradas, tornam-se ferramentas valiosas para o crime organizado.
A ocorrência reforça a importância de protocolos rigorosos de credenciamento e supervisão de terceiros em condomínios, especialmente durante períodos de obra, quando o controle de acesso tende a ser mais flexível por necessidade operacional. Síndicos e administradoras devem revisar processos de cadastro de prestadores, restringir o acesso de terceiros a áreas sensíveis, e adotar políticas claras sobre o compartilhamento de informações operacionais, como datas de eventos, cronogramas de pagamento e rotinas de segurança, mesmo internamente.
O episódio também ressalta o valor da tecnologia como aliada na resolução de crimes patrimoniais: foi justamente o rastreamento digital de um celular roubado que permitiu desarticular toda a quadrilha. Para o setor condominial, isso reforça a recomendação de que moradores registrem boletins de ocorrência detalhados e preservem informações sobre bens subtraídos, já que esses dados podem ser decisivos para investigações futuras.
Fonte: G1