Morte de estudante na Aldeota: condomínio La Piazza diz ter entregue imagens à Polícia e nega demora em Fortaleza.
O Condomínio La Piazza, no bairro Aldeota, em Fortaleza, divulgou no sábado (19) uma nota de esclarecimento na qual afirma ter preservado e entregue à Polícia Civil as imagens do sistema de monitoramento relacionadas à morte da estudante de Direito Isabelle Caracristi, de 22 anos. A jovem foi encontrada no pátio do edifício, onde morava com o namorado, na noite de domingo, 13 de setembro, por volta das 20h40. O comunicado surge em meio a questionamentos da família sobre a condução do caso e sobre a atuação da administração do prédio.
Segundo o texto, a administração colaborou "desde o primeiro momento" com tudo o que estava sob sua responsabilidade e à sua disposição para auxiliar na apuração dos fatos. O condomínio nega ter demorado a atender às solicitações dos investigadores ou deixado de colaborar e afirma que as gravações foram disponibilizadas assim que requisitadas pelas autoridades. A nota também expressa pesar pela morte e solidariedade a familiares e amigos da estudante, e diz que a administração permanece à disposição da polícia para novos esclarecimentos. O comunicado, no entanto, não detalha o conteúdo das imagens.
As circunstâncias da morte ainda não foram esclarecidas. De acordo com informações divulgadas pela imprensa, a perícia constatou lesões no corpo e o exame toxicológico teve resultado negativo. A Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS) informou que a dinâmica só será confirmada após o laudo da Perícia Forense do Ceará (Pefoce) e que as imagens passam por análise policial. O caso está a cargo da 2ª Delegacia da Polícia Civil, que prevê ouvir oito pessoas; quatro já haviam prestado depoimento até o dia 19. A SSPDS não confirmou se o namorado da jovem é considerado suspeito. O governador Elmano de Freitas (PT) declarou ter determinado celeridade e rigor na investigação.
A mãe de Isabelle, Isorlanda Caracristi, relatou que o namorado, de 33 anos, tinha comportamento excessivamente controlador e questionou por que não foi informada da morte pela família dele. Conforme a FolhaPress, a síndica comunicou o falecimento à mãe apenas no dia seguinte, e funcionários teriam demorado a repassar a informação. A nota do condomínio, nas versões divulgadas até o fechamento desta edição, trata da colaboração com a polícia e não aborda esse ponto.
O episódio, embora trágico e ainda em apuração, deixa lições objetivas para o mercado condominial. Sistemas de câmeras se tornaram o principal acervo de prova em ocorrências graves dentro de prédios, e a forma como são armazenados e entregues pode pesar tanto na investigação quanto na reputação da administração. Síndicos e administradoras costumam se ver diante de três frentes simultâneas: preservar as gravações antes que sejam sobrescritas, atender às requisições das autoridades com registro formal da entrega e proteger a privacidade de moradores e funcionários, o que envolve as regras da Lei Geral de Proteção de Dados. A ausência de um protocolo claro para essas situações costuma gerar ruído, como mostra a discussão pública em torno do La Piazza.
Há ainda o aspecto da comunicação. Em ocorrências com morte, a definição prévia de quem avisa a família, de que forma e em quanto tempo é tão relevante quanto a segurança física do prédio. Condomínios que registram esse fluxo em manual de ocorrências reduzem o risco de improvisos e de versões conflitantes. Uma nota pública, por sua vez, tende a ser mais eficaz quando informa o que foi feito, com datas e responsáveis, sem antecipar conclusões que cabem à polícia e à Justiça.
Os próximos passos dependem do laudo da Pefoce e da conclusão dos depoimentos. Enquanto isso, o caso segue como referência do quanto a gestão de crise faz parte da rotina de quem administra um condomínio.
Fonte: Fantástico