Muro de condomínio desaba em SP e deixa dois feridos, um na UTI.
Um muro de condomínio residencial desabou na manhã do último sábado (29), no bairro Jardim dos Sabiás, em Indaiatuba, no interior de São Paulo, e deixou dois trabalhadores feridos durante um serviço de manutenção na rede de esgoto da região. O acidente ocorreu por volta das 9h, na Rua João Timóteo de Andrade, quando uma equipe do Serviço Autônomo de Água e Esgotos (SAAE) do município realizava o reparo de uma rede coletora de esgoto em um trecho que faz divisa com o terreno do condomínio. A estrutura, que separava a área do serviço público do lote privado, cedeu de forma repentina e atingiu os dois funcionários que trabalhavam no local.
Nas primeiras informações repassadas pelo Corpo de Bombeiros ainda durante a manhã, chegou a se falar em três pessoas atingidas pela queda, com uma delas soterrada, o que motivou o acionamento do helicóptero Águia, da Polícia Militar, para dar apoio ao resgate. Ao longo do dia, porém, o quadro foi esclarecido: duas viaturas do Corpo de Bombeiros e uma equipe do Serviço de Atendimento Municipal de Emergência (SAME) prestaram os primeiros socorros às vítimas, e a aeronave não precisou realizar transporte, já que nenhum dos trabalhadores ficou de fato soterrado sob os escombros. Os dois homens foram socorridos e encaminhados ao Hospital Augusto de Oliveira Camargo (HAOC), referência para atendimentos de urgência na cidade.
Segundo o SAAE, um dos funcionários apresentou quadro de saúde mais delicado e precisou ser internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI). O colega, com ferimentos considerados mais leves, permaneceu internado em observação. Em nota, a autarquia afirmou lamentar o ocorrido, disse que a prioridade neste momento é o atendimento aos dois profissionais e informou que vai apurar as circunstâncias que levaram ao desabamento da estrutura.
O caso reacende um debate recorrente no setor condominial: a responsabilidade sobre a conservação de muros, paredes de divisa e outras estruturas que, embora pareçam elementos secundários do patrimônio comum, respondem por acidentes graves quando não recebem manutenção adequada. Não é a primeira vez que um episódio desse tipo se repete no país. Em abril, dois operários de uma empreiteira ficaram feridos em Fortaleza depois que o muro de um condomínio vizinho a uma obra cedeu, em circunstâncias muito parecidas às de Indaiatuba, mão de obra atuando junto a uma divisa de terreno, sem que a estabilidade da parede tivesse sido previamente avaliada. Em julho, um muro também desabou em Santos após forte ventania, deixando estragos e trabalhadores feridos na via pública.
Do ponto de vista jurídico, a legislação brasileira é clara quanto à responsabilidade do proprietário e, no caso de condomínios, do próprio condomínio como pessoa jurídica, por danos causados pela ruína de uma edificação. O Código Civil estabelece que o dono do imóvel responde pelos prejuízos decorrentes do desabamento de uma construção quando fica demonstrado que houve falta de reparos cuja necessidade já era evidente. Na prática, isso significa que um muro rachado, desalinhado ou com sinais visíveis de comprometimento estrutural que não recebe intervenção pode gerar, além do risco às pessoas, uma exposição financeira considerável ao condomínio, incluindo indenizações por danos materiais e morais às vítimas.
Para síndicos e administradoras, o episódio de Indaiatuba funciona como um alerta prático. Muros de divisa costumam ficar fora do radar das vistorias rotineiras, que em geral se concentram em fachadas, telhados, caixas d'água e áreas de lazer. Especialistas em manutenção predial recomendam que essas estruturas sejam incluídas no laudo técnico periódico do condomínio, com atenção especial a pontos como fundação, drenagem do solo ao redor da base, presença de rachaduras horizontais e proximidade de obras ou escavações, fator que, em vários dos casos recentes registrados no país, aparece como gatilho direto para o colapso. Quando há uma obra vizinha, seja pública ou privada, o ideal é que o síndico seja notificado previamente e que a condição do muro seja registrada em vistoria conjunta antes do início dos trabalhos, de modo a documentar responsabilidades em caso de dano.
O acionamento do helicóptero Águia e a mobilização simultânea de Bombeiros e serviço de emergência municipal também chamam atenção para outro ponto sensível: mesmo obras de pequeno porte, como um reparo pontual em rede de esgoto, podem evoluir para uma ocorrência de grande estrutura de resgate quando envolvem elementos construtivos antigos ou sem manutenção. Até o fechamento desta edição, o SAAE não havia divulgado um prazo para a conclusão da apuração interna sobre as causas do desabamento, tampouco se o condomínio responsável pelo muro será notificado formalmente sobre o incidente.
Fonte: G1