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Nova Lima (MG): moradores seguram com cordas carro pendurado a 20m em prédio.

person Gabriele Fiel
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Um motorista de 71 anos sofreu um mal súbito enquanto manobrava para deixar a vaga na garagem de um edifício no bairro Vila da Serra, em Nova Lima, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, e o carro que ele conduzia terminou pendurado na fachada do prédio, a cerca de 20 metros do nível da rua. O caso ocorreu na manhã desta quinta-feira (6), por volta das 11h15, e só não teve desfecho trágico porque moradores do próprio condomínio agiram antes da chegada do socorro.

Segundo o Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais, o condutor passou mal no exato momento em que iniciava a saída da vaga. O veículo, um Kia Cerato, arrancou para a frente e atingiu outro carro estacionado. Em seguida, a marcha à ré foi engatada e o automóvel colidiu contra a parede do estacionamento com força suficiente para romper a alvenaria. Com o impacto, as rodas traseiras ficaram suspensas para fora da estrutura, e o carro permaneceu equilibrado sobre o desnível, ameaçando despencar sobre a área externa do empreendimento. 

Antes que as equipes de resgate chegassem, vizinhos conseguiram retirar o idoso de dentro do veículo e improvisaram amarrações para segurar o carro no lugar. Duas equipes do 1º Batalhão do Corpo de Bombeiros assumiram a ocorrência na sequência e utilizaram um veículo 4x4 equipado com guincho para puxá-lo até uma área segura. O motorista saiu ileso, embora bastante abalado. Não houve outros feridos. 

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O episódio tem contornos espetaculares, mas o que interessa ao setor condominial está na parede que cedeu. Garagens elevadas, pilotis e pavimentos suspensos são hoje o padrão construtivo em regiões de verticalização acelerada como Vila da Serra e Vale do Sereno, onde torres residenciais e corporativas se espalharam sobre terreno íngreme nas últimas duas décadas. Nesses projetos, a barreira que separa a vaga do vazio nem sempre é um elemento estrutural: em muitos casos, trata-se de alvenaria de vedação, mureta simples ou guarda-corpo dimensionado para conter pessoas, não a energia de um veículo de mais de uma tonelada em movimento.

A norma técnica brasileira que trata de guarda-corpos e parapeitos, a ABNT NBR 14718, estabelece requisitos de resistência a impacto para proteções em edificações, e projetos de garagem devem prever barreiras capazes de conter veículos em pontos de risco de queda. Na prática, porém, boa parte do parque construído brasileiro é anterior às revisões mais recentes dessas exigências, e a manutenção dessas barreiras raramente aparece nos planos preventivos dos condomínios. Enquanto elevadores, para-raios, extintores e sistemas de incêndio têm inspeção periódica obrigatória e vencimento visível, muretas de garagem simplesmente envelhecem sem registro.

O ponto sensível para o síndico é a responsabilidade. O Código Civil atribui ao condomínio o dever de conservar as partes comuns, e a jurisprudência tem responsabilizado condomínios por danos decorrentes de vícios de conservação em áreas coletivas, especialmente quando há histórico de alerta técnico não atendido. Um acidente com queda de veículo em área de circulação de pedestres colocaria em discussão não apenas o estado da estrutura, mas também a existência de laudos, a cobertura do seguro obrigatório do condomínio e eventual omissão da administração diante de recomendações anteriores. Vale lembrar que a Vila da Serra já registrou episódios semelhantes: em 2023, uma picape atravessou a parede do estacionamento de um edifício da região e ficou pendurada de forma parecida. 

Há ainda uma segunda camada, menos discutida, que é o perfil etário dos condôminos. Com o envelhecimento da população brasileira, a chance de intercorrências de saúde ao volante dentro de áreas comuns cresce, e garagens estreitas, com rampas íngremes e manobras em espaço reduzido, ampliam a consequência de qualquer perda de controle. Isso conversa diretamente com decisões de gestão: velocidade máxima interna, sinalização, espelhos, batentes de roda, atendimento de emergência e treinamento mínimo da equipe de portaria.

Para síndicos e administradoras, o caso de Nova Lima funciona como um teste de realidade barato. Vale verificar se existe laudo de inspeção predial atualizado, conforme a NBR 16747, se as barreiras de garagem foram avaliadas quanto à resistência a impacto, se há batentes de roda nas vagas voltadas para desníveis e se a apólice do condomínio cobre danos estruturais e a terceiros nessas circunstâncias. Até o fechamento desta edição, não havia informação sobre laudo de avaliação estrutural do edifício após a ocorrência, procedimento que costuma ser exigido antes da liberação plena do pavimento atingido.

 

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Fonte: Super Rádio Tupi

Foto de Gabriele Fiel
Escrito por

Gabriele Fiel

Colunista do Portal SBM.

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