Novo temporal ameaça RS: rios em cota de inundação e Gabinete de Crise ativado em 19 municípios.
Menos de dois meses após o temporal de maio que devastou 19 municípios gaúchos, o Rio Grande do Sul voltou a enfrentar uma nova ameaça climática de alta complexidade neste final de semana de 28 e 29 de junho de 2026. A Defesa Civil estadual emitiu alerta severo para chuvas fortes e intensas em praticamente metade do território gaúcho, ativou um Gabinete Estratégico de Crise em Porto Alegre e instituiu cinco gabinetes regionalizados para coordenar a resposta em tempo real. O cenário é agravado pelo fato de que os solos gaúchos já se encontram saturados pelas precipitações dos dias anteriores, o que acelera drasticamente o escoamento e eleva o risco de enxurradas, alagamentos urbanos e deslizamentos de encosta.
O aviso meteorológico emitido pelo Centro de Monitoramento da Defesa Civil estadual aponta para a combinação de dois sistemas climáticos simultâneos: o aprofundamento de uma área de baixa pressão sobre o estado, aliado a um intenso fluxo de umidade vindo do norte do país, deverá provocar chuvas de 50 a 90 milímetros nas regiões Noroeste, Norte, Metropolitana e Litoral Norte ao longo do sábado, com possibilidade de superar pontualmente os 100 milímetros nos Vales, na Serra e no Centro-Norte. Na madrugada e parte da manhã de domingo (29), a formação de um ciclone extratropical próximo à costa potencializa ainda mais as precipitações, com acumulados que podem ultrapassar 100 mm nas mesmas regiões e rajadas de vento variando entre 50 km/h e 80 km/h na metade sul do estado e em todo o litoral. O mar ficará agitado, e há risco de granizo e vendavais acima de 70 km/h no Noroeste e Norte durante a madrugada.
A situação hidrológica já é grave antes mesmo da chegada das novas chuvas. O Rio Uruguai está acima da cota de inundação entre São Borja e Uruguaiana, assim como o Rio Ibicuí em Manoel Viana. O Jacuí supera o limiar de alerta em toda a faixa entre Cachoeira do Sul e seu delta. Os rios Taquari, Caí, Sinos e Gravataí apresentam níveis altos nas cidades mais a jusante, dificultados pelo escoamento pelo Guaíba, que está acima da cota de inundação nas ilhas e em cota de alerta em Porto Alegre. A Lagoa dos Patos também deve manter níveis elevados em razão do fluxo proveniente do Guaíba.
A resposta institucional foi imediata. O governo gaúcho determinou a criação do Gabinete Estratégico de Crise na sede da Defesa Civil, em Porto Alegre, e cinco gabinetes regionais: Serra (Caxias do Sul), Vale do Taquari (Lajeado), Vale do Rio Pardo (Santa Cruz do Sul), Vale do Rio Caí (São Sebastião do Caí) e Litoral (Torres). As estruturas funcionam como pontos de coordenação para monitoramento em tempo real nas áreas com maior probabilidade de impacto, integrando Defesa Civil estadual, municípios e Corpo de Bombeiros.
Para o setor condominial gaúcho, o alerta recoloca em pauta uma obrigação que a lei não deixa dúvidas: o síndico é o responsável pela segurança do patrimônio e dos moradores durante eventos climáticos. O Código Civil, no artigo 1.348, atribui ao síndico o dever de zelar pela manutenção e conservação das áreas comuns, o que, em contexto de emergência climática, se traduz em ações concretas: verificar telhados, calhas e sistemas de drenagem antes de temporais previstos, comunicar moradores sobre riscos, estabelecer protocolo de evacuação para unidades em áreas suscetíveis e acionar prontamente a Defesa Civil ou o Corpo de Bombeiros diante de qualquer sinal de risco estrutural. Condomínios situados próximos a arroios, encostas ou áreas historicamente alagadiças nas regiões da Serra, Vale do Taquari e Litoral Norte estão entre os mais expostos no atual cenário.
A partir de segunda-feira (30 de junho), a previsão indica estabilização do tempo em todo o estado, com temperaturas baixas, mínimas entre -1°C e 7°C, chance de geada na fronteira com o Uruguai e máximas entre 4°C e 11°C à tarde. Os ventos na costa gaúcha variam entre 40 km/h e 60 km/h. Segundo a Defesa Civil, a condição de atenção e alerta permanece válida para os municípios sinalizados nos mapas hidrológicos, mesmo após a passagem do sistema. Em situações de emergência, a população deve acionar a Defesa Civil pelo número 199 e o Corpo de Bombeiros pelo 193.
Fonte: Correio do Povo; Portal do Estado do Rio Grande do Sul / Defesa Civil-RS