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O erro de obra que vira tragédia: vazamento de gás em reforma mata pedreiro e assusta moradores em Aracaju.

person Gabriele Fiel
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O pedreiro Edilson da Silva Uruga, de 41 anos, morreu na tarde da última terça-feira (15) no Hospital de Urgências de Sergipe (Huse), em Aracaju, seis dias depois de sofrer queimaduras graves em uma explosão provocada por vazamento de gás durante a reforma de um apartamento em um condomínio da Avenida Gonçalo Rolemberg, no bairro Luzia, Zona Sul da capital sergipana. Segundo a Secretaria de Estado da Saúde (SES), ele estava internado desde 9 de setembro na Unidade de Tratamento de Queimados (UTQ) e não resistiu após complicações no quadro clínico.

O acidente aconteceu na manhã daquele dia, quando a tubulação de gás do imóvel foi perfurada acidentalmente durante os trabalhos de reforma. O rompimento provocou vazamento seguido de explosão, que atingiu diretamente o pedreiro responsável pelo serviço e alcançou também uma moradora vizinha, de 88 anos, que sofreu queimaduras. Uma gestante que se encontrava no prédio no momento da explosão passou mal em razão do impacto. A idosa segue internada no Huse, onde, de acordo com a SES, passou por avaliação médica e recebe acompanhamento de uma equipe multidisciplinar.

O Corpo de Bombeiros Militar de Sergipe (CBMSE) foi acionado imediatamente após a explosão e prestou os primeiros socorros ao pedreiro no local. A corporação também isolou a área de risco no entorno do apartamento atingido e removeu uma janela que havia ficado solta com a força da explosão, evitando o risco de queda sobre pedestres e moradores. O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e a Polícia Militar de Sergipe também atuaram na ocorrência, dando suporte à remoção das vítimas e ao isolamento do perímetro.

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O caso reacende um alerta recorrente para o mercado condominial brasileiro: o risco concentrado em obras e reformas que interferem, direta ou indiretamente, em redes de gás encanado. Como esclarece o portal especializado SíndicoNet, a legislação brasileira trata a rede de distribuição de gás em edificações como área comum, o que atribui ao síndico, por força dos artigos 1.331, parágrafo 2º, e 1.348, inciso V, do Código Civil, o dever de zelar pela conservação e pela segurança dessa instalação. Na prática, isso significa que falhas de manutenção ou de fiscalização sobre obras internas podem gerar responsabilização civil e até criminal do síndico, ainda que o incidente tenha origem em uma unidade autônoma.

Especialistas do setor recomendam que condomínios mantenham rotina de inspeção das tubulações, em geral anual para trechos centrais e a cada três anos para ramificações que atendem às unidades, além de exigir Anotação de Responsabilidade Técnica (ART) de qualquer profissional contratado para intervenções que envolvam tubulações, paredes ou lajes onde possa haver passagem de gás. A ausência desse controle é um dos fatores que mais aparece em laudos técnicos após acidentes semelhantes em prédios residenciais pelo país, quando trabalhadores de obras não identificam corretamente o traçado das instalações antes de perfurar paredes ou pisos.

O episódio também expõe uma lacuna comum na relação entre condôminos, empreiteiros e administração predial: a falta de um protocolo formal de comunicação antes do início de reformas internas. Regimentos internos costumam exigir aviso prévio ao síndico e, em muitos casos, apresentação de projeto e ART, mas a fiscalização efetiva do cumprimento dessas exigências nem sempre acontece, sobretudo em obras de pequeno porte, como pintura, troca de piso ou reforma de banheiro e cozinha, justamente os ambientes onde passam a maioria das tubulações de gás.

Para o mercado condominial, o caso de Aracaju reforça a importância de tratar a segurança em obras como parte da gestão de risco predial, e não como uma formalidade burocrática. Síndicos profissionais e administradoras têm buscado, cada vez mais, exigir laudos de localização de tubulações antes de autorizar qualquer intervenção que envolva perfuração de paredes, especialmente em edifícios mais antigos, onde plantas originais das instalações muitas vezes estão desatualizadas ou extraviadas.

Enquanto a perícia sobre as causas técnicas do rompimento da tubulação segue em andamento, o caso deve reabrir, entre gestores condominiais de Sergipe e de outros estados, a discussão sobre a obrigatoriedade de checklists de segurança para obras internas e sobre a responsabilidade solidária entre condômino, empreiteiro e condomínio em acidentes dessa natureza. Para síndicos, moradores e administradoras, o episódio funciona como lembrete de que a prevenção, inspeção periódica, exigência de ART e comunicação prévia de reformas, continua sendo o instrumento mais eficaz para evitar que um erro de obra se transforme em tragédia.

 

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Fonte: G1

Foto de Gabriele Fiel
Escrito por

Gabriele Fiel

Colunista do Portal SBM.

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