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O medo que fica: síndica agredida após reeleição decide romper o silêncio.

person Gabriele Fiel
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A síndica Renata Simão Barbosa, responsável pela gestão de um condomínio na Zona Sul do Rio de Janeiro, foi agredida por condôminos logo após ser reeleita para o cargo em assembleia de prestação de contas, segundo reportagem publicada pelo jornal O Globo em 19 de agosto de 2026. O episódio, que inclui registro em vídeo, reacendeu no setor condominial carioca o debate sobre os riscos pessoais enfrentados por profissionais que administram prédios residenciais, e a síndica decidiu transformar a própria experiência em pauta pública: ela vai relatar o caso em um evento no Rio de Janeiro dedicado a discutir a violência contra síndicos.

A sequência dos fatos, segundo o relato divulgado, é direta: Renata passou por uma assembleia de prestação de contas, teve sua gestão referendada pelos moradores e foi reconduzida ao cargo, um resultado que, em tese, expressaria confiança coletiva. Em vez disso, a continuidade veio acompanhada de um episódio de agressão por parte de condôminos, expondo uma tensão que o setor tem descrito como cada vez mais frequente: divergências sobre contas, obras, contratos ou conduta do síndico que extrapolam o debate institucional e resvalam para a intimidação e a violência física.

Ao comentar o ocorrido, a síndica reconheceu o impacto emocional do episódio. Segundo o conteúdo divulgado pelo O Globo, ela afirmou que "se eu dissesse que não existe medo, não seria verdade", frase que resume a condição de vulnerabilidade enfrentada por quem assume a gestão de um condomínio no Brasil e que, além das responsabilidades administrativas, financeiras e legais do cargo, pode se ver exposta a conflitos pessoais decorrentes das próprias decisões tomadas em nome da coletividade.

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O caso não ficou restrito ao condomínio. A Associação Brasileira das Administradoras de Imóveis (ABADI) e o Sindicato da Habitação do Rio de Janeiro (Secovi Rio) divulgaram nota conjunta de repúdio ao episódio de agressão sofrido por Renata após a assembleia de prestação de contas e sua reeleição, reforçando que toda forma de violência é inadmissível em ambientes que deveriam ser pautados pelo diálogo e pela convivência civilizada. As entidades destacaram ainda que episódios do tipo devem ser investigados minuciosamente pelas autoridades competentes, como forma de prevenir a repetição de casos e fortalecer a convivência pacífica dentro dos condomínios.

Do ponto de vista jurídico, a assembleia é o instrumento previsto pela legislação condominial e pela convenção de cada edifício para que divergências sejam resolvidas, seja por meio de votação, pedidos de esclarecimento ou contestação formal de decisões. Quando esse canal institucional é abandonado em favor da ameaça ou da agressão física, a conduta deixa de ser um conflito de convivência e passa a configurar questão de segurança pessoal e, potencialmente, matéria de natureza criminal, sujeita a registro de ocorrência e a medidas protetivas em favor da vítima.

Para o mercado condominial, o episódio reforça uma pauta que administradoras, síndicos profissionais e associações do setor vêm tentando amplificar: a necessidade de mecanismos mais claros de proteção para quem exerce a função de síndico, especialmente diante de decisões impopulares ou de gestões marcadas por conflitos de interesse entre moradores. A escolha de Renata de levar o próprio caso a um evento público sobre o tema é, nesse sentido, também uma tentativa de dar visibilidade institucional a um problema que, segundo relatos do setor, tende a ser subnotificado, muitas vítimas evitam expor publicamente episódios de agressão por receio de represálias ou de desgaste na relação com os próprios vizinhos.

O episódio também chama atenção para o papel das administradoras e das associações profissionais na criação de protocolos de apoio a síndicos que sofrem ameaças ou agressões, incluindo orientação jurídica imediata, articulação com a segurança pública e, quando necessário, suporte psicológico. Para o público leitor do Portal SBM Forcondo, síndicos, moradores, administradoras e conselheiros, o caso funciona como alerta prático: divergir da gestão condominial é legítimo e previsto em lei; ameaçar ou agredir quem ocupa o cargo, não.

Até o fechamento desta edição, não havia informações públicas sobre eventual registro de ocorrência policial relacionado ao caso, nem sobre medidas administrativas do condomínio em relação aos condôminos envolvidos na agressão. A participação de Renata no evento no Rio de Janeiro deve trazer mais detalhes sobre o episódio e sobre as medidas adotadas desde então.

 

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Fonte: O Globo

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Escrito por

Gabriele Fiel

Colunista do Portal SBM.

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