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O “Prédio que Respira” está mudando o luxo no Brasil, e pode transformar o futuro dos condomínios.

person Gabriele Fiel
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Um novo conceito arquitetônico começa a redesenhar o mercado imobiliário brasileiro de alto padrão: o chamado “edifício-árvore”. O modelo, que une sustentabilidade, baixa densidade e tecnologia, está sendo materializado no empreendimento Auris Residenze, em Balneário Camboriú (SC), cidade conhecida por abrigar alguns dos prédios mais altos e valorizados do país.

Tradicionalmente marcada pela verticalização intensa e edifícios com grande número de unidades, Balneário Camboriú construiu sua reputação imobiliária com base em arranha-céus e grandes condomínios. No entanto, o novo projeto aposta em um caminho oposto: menos apartamentos por torre e maior foco em conforto, silêncio e qualidade de vida.

O Auris Residenze terá apenas 26 unidades residenciais, sendo um apartamento por andar, em uma torre de 131 metros de altura e cerca de 11,5 mil metros quadrados de área construída. O ticket médio das unidades ultrapassa R$ 5 milhões, com Valor Geral de Vendas (VGV) estimado em aproximadamente R$ 110 milhões.

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Esse modelo representa uma mudança importante no conceito de luxo imobiliário. Em vez de áreas comuns superlotadas e grande circulação de moradores e visitantes, o foco passa a ser a privacidade e a exclusividade. Essa tendência reflete um perfil de comprador que valoriza silêncio, controle de fluxo e maior personalização da moradia, características que impactam diretamente a rotina e a gestão condominial.

Sustentabilidade vira diferencial competitivo

Além da exclusividade, o empreendimento incorpora uma série de tecnologias voltadas à eficiência ambiental e energética. A fachada foi projetada para funcionar como uma barreira térmica, reduzindo a incidência solar direta e diminuindo a necessidade de climatização artificial.

As estimativas indicam que o edifício poderá reduzir em até 42% o uso de ar-condicionado, 26% o consumo total de energia e até 52% o consumo de água, graças ao reaproveitamento de águas pluviais e cinzas.

Outros recursos incluem filtragem e renovação constante do ar, sensores de qualidade do ar, inclusive nas garagens, e sistemas de purificação de água nas áreas comuns. Esses elementos evidenciam uma tendência crescente no mercado imobiliário: a integração entre saúde, sustentabilidade e tecnologia.

Esse tipo de solução também impacta diretamente a operação condominial. Sistemas mais eficientes exigem manutenção especializada, planejamento financeiro adequado e treinamento técnico da gestão predial.

Arquitetura biofílica e sensação de viver na natureza

O conceito de “edifício-árvore” não se limita ao visual. O projeto utiliza princípios de arquitetura biofílica, que buscam aproximar os moradores da natureza por meio de elementos naturais integrados ao edifício.

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A fachada incorpora jardineiras e brises que fazem parte do funcionamento térmico da estrutura, e não apenas do paisagismo decorativo. Esse desenho contribui para melhorar o conforto térmico, reduzir ruídos e ampliar a sensação de bem-estar dentro das unidades.

Essa abordagem também acompanha tendências internacionais de urbanismo sustentável, que buscam reduzir o impacto ambiental das construções e melhorar a qualidade de vida nas cidades.

Baixa densidade muda a lógica da gestão condominial

Um dos aspectos mais relevantes para síndicos e gestores prediais é a baixa densidade populacional. Com apenas um apartamento por andar, o fluxo interno tende a ser reduzido, o que impacta diretamente a segurança, manutenção e organização dos serviços.

Em condomínios desse perfil, o controle de acesso tende a ser mais rigoroso e personalizado. A manutenção também pode se tornar mais sofisticada, já que tecnologias sustentáveis exigem acompanhamento técnico contínuo.

Por outro lado, a baixa densidade pode representar custos condominiais mais elevados por unidade, uma vez que as despesas fixas precisam ser divididas entre menos moradores.

Esse modelo também influencia o perfil dos profissionais que atuam na administração predial, exigindo maior qualificação técnica e visão estratégica.

Tendência que pode influenciar novos projetos no Brasil

O lançamento desse tipo de empreendimento sinaliza uma possível mudança no direcionamento do mercado imobiliário de alto padrão. O luxo deixa de estar associado apenas ao tamanho das áreas comuns e passa a incorporar elementos como saúde, silêncio e sustentabilidade.

Esse movimento já vem sendo observado em mercados internacionais e começa a ganhar força no Brasil, especialmente em cidades com alta valorização imobiliária.

Para investidores e incorporadoras, o modelo representa uma oportunidade de diferenciação em um mercado cada vez mais competitivo. Para síndicos e administradores, significa lidar com edificações mais tecnológicas e exigentes em termos de gestão.

 

Fonte: Estado de Minas 

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Escrito por

Gabriele Fiel

Colunista do Portal SBM.

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