O que fazer se encontrar objeto suspeito no seu condomínio? Caso em Manaus explica.
Um condomínio residencial na Avenida Torquato Tapajós, no bairro Colônia Terra Nova, zona norte de Manaus, teve as duas entradas bloqueadas no fim da tarde e início da noite desta terça-feira (18) depois que o síndico do prédio notou um objeto suspeito próximo à guarita e acionou a Polícia Militar. Segundo a 18ª Companhia Interativa Comunitária (Cicom), o chamado partiu por volta das 17h. A ocorrência mobilizou o Grupo Marte, esquadrão de manejo de artefatos explosivos da Polícia Militar do Amazonas, que confirmou o risco e detonou o item em uma explosão controlada horas depois. Ninguém ficou ferido e o condomínio não registrou danos materiais.
Ao chegar ao local, os policiais isolaram toda a área interna e bloquearam as duas entradas do residencial, impedindo a passagem de moradores, veículos e pedestres enquanto a análise do objeto, descrito por testemunhas como uma pequena caixa amarela, era conduzida. Um vídeo gravado por moradores e que circulou em grupos de WhatsApp mostra agentes com escudos balísticos avançando com cautela em direção à guarita para avaliar o artefato antes de qualquer intervenção, procedimento padrão adotado pela corporação em situações desse tipo. Uma equipe do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) acompanhou toda a operação, posicionada nas proximidades para prestar atendimento imediato caso fosse necessário.
O Grupo Marte é a unidade da Polícia Militar do Amazonas especializada em identificar, neutralizar e destruir artefatos explosivos, sejam eles de fabricação industrial ou artesanal, modalidade recorrente nas ocorrências registradas na capital amazonense. A tropa segue protocolos internacionais de segurança, que priorizam o isolamento da área e a distância mínima segura antes de qualquer manuseio do objeto, e opera com equipamentos específicos de neutralização, entre eles dispositivos que permitem a detonação controlada sem a necessidade de contato direto com o item suspeito. No caso do condomínio na Colônia Terra Nova, a estratégia se repetiu: a exposição foi limitada ao mínimo, e a explosão controlada eliminou o risco sem atingir estruturas do prédio ou pessoas na área.
Casos de artefatos suspeitos em áreas residenciais não são incomuns em Manaus e já levaram o Grupo Marte a atuar em bairros como São Jorge e no entorno do Parque Mosaico em ocorrências anteriores, muitas vezes motivadas por objetos abandonados, artefatos utilizados de forma irregular em festividades ou até mesmo tentativas de intimidação. Para o mercado condominial, episódios como esse reacendem uma discussão recorrente entre síndicos e administradoras: a importância de protocolos internos de segurança bem definidos, que incluam desde a orientação de porteiros e vigilantes sobre como agir diante de objetos não identificados até a atualização de sistemas de monitoramento e controle de acesso nas áreas comuns.
A atuação correta do síndico no caso de Colônia Terra Nova, isolar preventivamente o local e acionar de imediato a polícia, sem tentar manusear o objeto, é apontada por especialistas em segurança predial como a conduta recomendada em qualquer situação semelhante. A recomendação da própria corporação para moradores e gestores condominiais é clara: ao identificar um objeto suspeito, a orientação é não tocar, manter distância segura, orientar a evacuação preventiva da área mais próxima e ligar imediatamente para o 190, número de emergência da Polícia Militar.
Do ponto de vista jurídico, a conduta do síndico também se conecta ao dever de zelo e guarda previsto na legislação condominial, que atribui ao gestor a responsabilidade de adotar medidas imediatas de proteção à vida e ao patrimônio comum diante de qualquer risco identificado nas dependências do condomínio. Casos de omissão ou demora no acionamento das autoridades podem, em tese, gerar questionamentos sobre a responsabilidade civil do síndico perante os condôminos, o que reforça a importância de protocolos de segurança formalizados e conhecidos por toda a equipe operacional do prédio.
Não há, até o fechamento desta edição, informações sobre a origem do artefato encontrado ou sobre eventual investigação policial para apurar quem o deixou no local. A Polícia Militar do Amazonas não divulgou balanço adicional sobre o caso além do que foi apurado pela 18ª Cicom no momento da ocorrência.
Fonte: Amazonas Atual