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O que síndicos podem aprender com o restauro de R$ 4 milhões do prédio histórico de Galópolis, na Serra,

person Gabriele Fiel
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O antigo prédio do Círculo Operário Ismael Chaves Barcelos, na Praça Duque de Caxias, no bairro de Galópolis, distrito histórico de Caxias do Sul, será restaurado e modernizado com investimento estimado em R$ 4 milhões, e o processo que envolve esse dinheiro público tem lições diretas para quem administra patrimônio predial no dia a dia, do síndico ao gestor de administradora. O anúncio foi confirmado pela prefeitura na sexta-feira (03), data em que o secretário adjunto de Turismo e Desenvolvimento Econômico do município, Silvio Tieppo, participou em Porto Alegre da assinatura do convênio entre a Secretaria de Turismo do Estado (SETUR-RS) e o município, dentro do Programa Avançar no Turismo. O primeiro repasse estadual, no valor de R$ 500.159,95, já havia sido depositado em 1º de julho.

A primeira lição está no próprio desenho do financiamento. Segundo o município, os recursos serão liberados em três parcelas, com contrapartida financeira da prefeitura estimada em cerca de R$ 2 milhões, valor informado ainda em janeiro deste ano. Para um síndico, o paralelo é direto: obras de grande porte bancadas por recursos externos, seja um financiamento, um convênio ou uma verba extraordinária aprovada em assembleia, quase sempre chegam de forma escalonada, e a contrapartida do condomínio precisa estar prevista no orçamento antes de a primeira parcela cair na conta. Quem trata o repasse externo como se fosse o valor total da obra corre o risco de travar o cronograma no meio do caminho.

A segunda lição vem do calendário. A licitação da obra só deve ocorrer em novembro, cronograma justificado pelas restrições impostas pelo período eleitoral às contratações públicas. É um tipo de trava que não existe para condomínios privados, mas o princípio se repete em outras formas: assembleias que dependem de quórum sazonal, orçamentos que só podem ser aprovados em determinada época do ano, ou fornecedores que fecham agenda meses antes de iniciar uma obra de fachada ou estrutural. O caso de Galópolis mostra, de forma didática, como um calendário externo, legal, sazonal ou administrativo, pode adiar uma obra mesmo depois de o dinheiro estar garantido, e por isso reforça a importância de mapear esses prazos antes de prometer uma data de entrega aos condôminos.

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O prédio integra um dos conjuntos arquitetônicos mais representativos de Galópolis, distrito a cerca de 11 quilômetros do centro de Caxias do Sul, colonizado por imigrantes italianos no fim do século 19 e que construiu sua identidade em torno da indústria têxtil, da qual o Lanifício São Pedro, ainda em atividade, é o símbolo mais conhecido. Após o restauro, o espaço deve abrigar atividades de turismo, cultura, gastronomia, serviços e entretenimento, ampliando a recepção de visitantes e diversificando a oferta de experiências no bairro.

De acordo com o secretário municipal do Planejamento e Parcerias Estratégicas, Antônio Feldmann, o projeto atende a uma reivindicação antiga da comunidade local, que vem se organizando para fortalecer o turismo, a cultura e a convivência no bairro. Para ele, Galópolis ganhará um equipamento voltado tanto ao uso comunitário quanto ao impulso da vocação turística da região.

Daí vem a terceira lição, agora voltada ao patrimônio como investimento: intervenções desse tipo tendem a valorizar o entorno, aumentar o fluxo de visitantes e atrair novos empreendimentos comerciais e de serviços, fenômeno já observado em outras cidades brasileiras que investiram na revitalização de centros históricos. Síndicos e administradoras de condomínios situados nas proximidades de áreas em processo de revitalização turística têm, nesse tipo de notícia, um indício antecipado de valorização patrimonial e de aumento da demanda por serviços de hospedagem, gastronomia e eventos, informação que pode orientar desde a política de reajuste de taxas até decisões sobre uso de áreas comuns.

Com a licitação prevista para novembro, a expectativa é que as obras comecem ainda neste ano ou no início do próximo, conforme o cronograma de repasses seja cumprido. Até lá, cabe à comunidade de Galópolis e aos setores de turismo e cultura acompanhar se o cronograma financeiro será mantido e se a contrapartida municipal, estimada em R$ 2 milhões, será integralmente aportada. Para o síndico atento, o desfecho do processo funciona como um estudo de caso gratuito sobre planejamento orçamentário, calendários legais e valorização patrimonial, temas que atravessam qualquer gestão predial, pública ou privada.

 

Fonte: Leouve

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Escrito por

Gabriele Fiel

Colunista do Portal SBM.

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