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Portaria remota trava entregas dos Correios em condomínio da Serra.

person Gabriele Fiel
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O Condomínio Vila Aleziana, em Farroupilha, na Serra Gaúcha, enfrenta desde abril deste ano um impasse que expõe um dos pontos de atrito mais recorrentes da modernização predial brasileira: a dificuldade dos Correios em se adaptar a sistemas de portaria remota. O síndico João Favato procurou a Rádio Spaço FM para relatar que, embora transportadoras privadas como Mercado Livre e Amazon já tenham incorporado o novo modelo à sua rotina, a estatal ainda não conseguiu concluir as entregas normalmente, deixando moradores sem acesso a correspondências e encomendas.

Segundo Favato, o condomínio substituiu a portaria presencial, que operava 12 horas por dia, por um sistema de atendimento remoto por vídeo, com armários eletrônicos destinados ao recebimento de encomendas. A mudança segue uma tendência observada em condomínios de médio e grande porte em todo o país, que buscam reduzir custos com folha de pagamento e, ao mesmo tempo, ampliar a cobertura de vigilância para além do horário de expediente de um porteiro presencial. Segundo relatos disponíveis até o fechamento desta edição, empresas privadas de logística conseguiram ajustar seus procedimentos ao novo modelo em cerca de 15 dias, mas os Correios ainda não integraram o fluxo operacional local.

De acordo com o síndico, a administração do condomínio chegou a contatar diretamente a gerência dos Correios em Farroupilha, e representantes da empresa visitaram o local para conhecer o funcionamento da portaria inteligente. A justificativa apresentada pela estatal, segundo Favato, foi a de que o procedimento de acesso demandaria mais tempo do que o previsto na rotina de entrega dos carteiros. O síndico contesta esse argumento, afirmando que todo o processo de acesso ao condomínio leva, no máximo, quatro minutos, e que há um passo a passo fixado ao lado da portaria para orientar os entregadores sobre a utilização do sistema.

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O episódio ilustra um desafio que tende a se repetir em outros condomínios brasileiros conforme cresce a adoção de portarias remotas e sistemas de recebimento inteligente de encomendas. Diferentemente de operadores privados, que costumam contar com processos internos mais flexíveis e maior autonomia para adaptar rotas e procedimentos ponto a ponto, os Correios operam sob diretrizes nacionais padronizadas, o que pode dificultar ajustes rápidos e localizados como o exigido pelo Vila Aleziana. Esse descompasso entre a velocidade de modernização predial e a capacidade de adaptação operacional de grandes prestadores de serviço público é um ponto de atenção para síndicos que planejam substituir a portaria tradicional.

Para o mercado condominial, o caso reforça a importância de um planejamento cuidadoso na implantação de portarias remotas, que deve incluir não apenas a escolha do fornecedor de tecnologia, mas também um mapeamento prévio de todos os provedores de entrega que atendem regularmente o condomínio, com reuniões técnicas e período de adaptação formalizado antes da migração completa do sistema. A ausência desse alinhamento pode gerar transtornos prolongados aos moradores, como o relatado em Farroupilha, além de sobrecarregar a administração com reclamações recorrentes.

Favato afirma não acreditar em uma resolução rápida para o problema, apesar dos contatos já realizados com a estatal, e pede que os Correios adotem as medidas necessárias para adequar suas entregas ao novo modelo de acesso. Até o fechamento desta edição, os Correios não haviam se manifestado publicamente sobre o caso específico do Vila Aleziana. O episódio deve servir de alerta para síndicos profissionais e autogeridos que avaliam a transição para portarias remotas, reforçando a necessidade de negociação prévia com todos os operadores logísticos que atendem o empreendimento.

 

Fonte: Rádio Spaço FM 100.9

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Escrito por

Gabriele Fiel

Colunista do Portal SBM.

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