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Porteiro atacado a facadas na guarita: o alerta que nenhum síndico pode ignorar

person Shirlei Brites
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A Polícia Civil de São Paulo indiciou por tentativa de homicídio o homem de 23 anos que as câmeras de segurança flagraram atacando a facadas um porteiro de 30 anos dentro da guarita de um edifício na Avenida Embaixador Pedro de Toledo, em São Vicente, no litoral paulista. O agressor prestou depoimento na tarde de terça-feira (6), na Delegacia Sede do município, depois de ser intimado, e foi liberado ao fim do procedimento. O crime aconteceu por volta das 4h20 da sexta-feira (2), em plena madrugada, horário em que o funcionário trabalhava sozinho na portaria.

De acordo com o boletim de ocorrência, o homem se aproximou da cabine e avançou contra o trabalhador com uma faca, gritando que iria matá-lo. As imagens mostram a vítima sentada dentro da guarita no momento em que o agressor chega à janela e desfere os primeiros golpes. Em seguida, ele invade o espaço e continua o ataque, enquanto o porteiro tenta se proteger usando a própria cadeira como escudo. A Secretaria da Segurança Pública (SSP) informou que o caso segue sob investigação como tentativa de homicídio e que testemunhas também serão ouvidas. Segundo informações disponíveis até o fechamento desta edição, a vítima prestou depoimento e não pediu medidas cautelares contra o autor. Seu estado de saúde não foi divulgado, e as autoridades não esclareceram a motivação do ataque.

O enquadramento como tentativa de homicídio, previsto no artigo 121 combinado com o artigo 14 do Código Penal, indica que a investigação vê indícios de intenção de matar, e não apenas de ferir. O fato de o suspeito responder em liberdade, porém, tende a gerar inquietação entre moradores e funcionários do prédio, sobretudo porque a vítima não pediu medidas protetivas.

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Além da esfera criminal, o episódio expõe uma fragilidade conhecida, mas muitas vezes subestimada, na gestão condominial: a vulnerabilidade do porteiro que trabalha isolado, principalmente no turno da noite. Em muitos edifícios, a guarita foi projetada para controlar o acesso, e não para proteger quem está dentro dela. Janelas sem vidro de segurança, portas sem travamento eletrônico e a falta de botão de pânico ligado a uma central de monitoramento são falhas comuns, que transformam o posto de trabalho em um ponto exposto.

A questão tem reflexo direto na responsabilidade do síndico. Como empregador, o condomínio é obrigado a adotar medidas de saúde e segurança no ambiente de trabalho, conforme determina a Consolidação das Leis do Trabalho. Um ataque sofrido em serviço pode ser caracterizado como acidente de trabalho, com consequências trabalhistas, previdenciárias e, eventualmente, indenizatórias, caso se comprove omissão na estrutura de proteção. O tema ganha peso também com o Estatuto da Segurança Privada, sancionado em 2024, que reorganizou as regras do setor e reacendeu o debate sobre os limites entre portaria, controle de acesso e vigilância.

O caso de São Vicente se soma a uma sequência de ocorrências envolvendo porteiros em diferentes cidades do país, que vão de agressões motivadas por conflitos com moradores a ataques de pessoas de fora do condomínio. A repetição desses episódios reforça a tendência de revisão dos modelos de portaria, com o crescimento de soluções híbridas que combinam presença física, monitoramento remoto, eclusas de acesso e guaritas reforçadas.

Para síndicos e administradoras, o momento pede uma avaliação objetiva da estrutura existente. Revisar a blindagem da guarita, verificar se as câmeras gravam e são acompanhadas em tempo real, estabelecer protocolos claros para o turno da madrugada e garantir canais rápidos para acionar a polícia são passos que reduzem os riscos para o trabalhador e para os moradores. O desfecho do inquérito em São Vicente deve ser acompanhado de perto, mas a principal lição já está dada: a segurança de quem protege o condomínio também precisa ser protegida.

 

Fonte: G1

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Escrito por

Shirlei Brites

Colunista do Portal SBM.

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