Problema em caixas d’água expõe risco silencioso e gera revolta em condomínio paulista.
MOGI DAS CRUZES (SP) — Um condomínio residencial de Mogi das Cruzes vive uma crise que já dura meses e vem gerando prejuízos financeiros, transtornos operacionais e desgaste entre moradores e administração. Desde janeiro deste ano, o empreendimento registrou pelo menos oito rompimentos na tubulação do sistema de abastecimento de água, situação que, segundo os moradores, começou após uma obra de reforma nas caixas d’água iniciada em outubro do ano passado.
A sequência de vazamentos levou moradores a questionarem a execução da obra, os atrasos na conclusão dos serviços e a falta de respostas consideradas satisfatórias pela comunidade. Segundo relatos exibidos em reportagem da TV Diário, afiliada da Globo na região, o prejuízo coletivo já é estimado em aproximadamente R$ 60 mil, valor relacionado principalmente ao desperdício de água e aos custos gerados pelos sucessivos rompimentos na área comum do condomínio.
Além dos impactos coletivos, moradores afirmam que também vêm acumulando prejuízos dentro dos próprios apartamentos. Entre os problemas relatados estão danos em chuveiros, máquinas lava e seca, filtros de água e até rompimentos de tubulações internas provocados por oscilações de pressão no sistema hidráulico.
“Tem o prejuízo coletivo, que a gente calcula em torno de R$ 60 mil. E tem o prejuízo interno, com chuveiros que quebram, máquinas de lavar que estragam, filtros que vazam e tubulações que estouram dentro dos apartamentos”, relatou o engenheiro Rodrigo Reinaldo da Silva.
Segundo os residentes, antes da reforma não havia histórico de ocorrências semelhantes. O condomínio possui cerca de 15 anos de existência e, de acordo com os moradores entrevistados, nunca havia enfrentado episódios recorrentes de rompimento da rede hidráulica.
A principal justificativa apresentada pela gestão condominial aos moradores teria sido a existência de oscilações de pressão na rede pública operada pelo Serviço Municipal de Águas e Esgotos (SEMAE). Conforme os relatos, o síndico informou que as variações de pressão da concessionária estariam provocando os rompimentos tanto nas áreas comuns quanto dentro das unidades.
Os moradores, entretanto, contestam essa explicação. Eles afirmam ter consultado profissionais da área hidráulica que apontaram a possibilidade de instalação de equipamentos capazes de minimizar ou eliminar o problema. Entre os dispositivos citados estão válvulas redutoras de pressão e supressores de golpe de aríete, fenômeno hidráulico conhecido por gerar impactos bruscos nas tubulações quando ocorre interrupção ou alteração repentina no fluxo da água.
“O condomínio nunca teve esse problema antes da reforma. Agora a gente escuta verdadeiras explosões quando um cano rompe”, afirmou um dos entrevistados.
Além dos danos materiais, a falta de abastecimento se tornou uma rotina para os moradores. Sempre que ocorre um rompimento, o fornecimento de água é interrompido para a realização dos reparos. Alguns relatam ter precisado tomar banho em casas de parentes ou amigos para conseguir manter a rotina familiar.
A situação também gerou críticas à comunicação da gestão condominial. Moradores afirmam que não recebem informações claras sobre o andamento da obra, os motivos dos atrasos e as medidas adotadas para evitar novos vazamentos. Segundo eles, a obra já deveria ter sido concluída há meses.
Em nota exibida na reportagem, a empresa responsável pela prestação dos serviços de síndico profissional informou que foram executadas duas intervenções no sistema hidráulico desde sua contratação. A primeira foi concluída em janeiro. A segunda deveria ter sido finalizada em 30 de abril, mas a empresa contratada solicitou prorrogação do prazo até 29 de junho. Ainda segundo os administradores, os pagamentos foram bloqueados em razão dos atrasos.
A empresa também afirmou que todos os prejuízos formalmente apresentados pelos moradores estão sendo analisados individualmente e que o aumento do rateio na conta de água decorre dos vazamentos crônicos existentes no sistema. O tema deverá voltar a ser discutido em assembleia.
Já a empresa responsável pela reforma declarou que sua atuação se limita à recuperação do reservatório de água vazio e negou qualquer relação entre os serviços executados e os vazamentos registrados na rede. A companhia atribuiu o atraso às condições climáticas, alegando que o trabalho não pode ser realizado durante períodos de chuva por envolver atividades de alta complexidade e risco.
O SEMAE, por sua vez, informou que a última reclamação recebida referente ao condomínio ocorreu em março. Segundo a autarquia, técnicos foram enviados ao local e o problema apontado na ocasião foi solucionado. O órgão destacou ainda que novas ocorrências devem ser comunicadas pelos canais oficiais de atendimento para que possam ser avaliadas.
O caso evidencia um desafio recorrente em condomínios brasileiros: a necessidade de acompanhamento técnico rigoroso em obras de infraestrutura crítica. Especialistas do setor alertam que reformas em sistemas de abastecimento exigem planejamento detalhado, fiscalização permanente e transparência com os condôminos, principalmente quando há impactos diretos no fornecimento de serviços essenciais. Enquanto as responsabilidades seguem sendo discutidas entre moradores, gestão, empresa contratada e concessionária, o condomínio aguarda a conclusão da obra e uma solução definitiva para um problema que já dura mais de seis meses.
Fonte: G1