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Quinta maior economia do país, RS fica para trás de SC e PR: o que o PIB de R$ 650 bi revela aos condomínios.

person Gabriele Fiel
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O Rio Grande do Sul, quinta maior economia do Brasil, com Produto Interno Bruto de R$ 650,11 bilhões, cresce há décadas em ritmo inferior ao de Santa Catarina e do Paraná. O diagnóstico ganhou nova evidência nesta quarta-feira (30 de setembro), em reportagem da Forbes Brasil assinada por Mariana Felicio, que reúne economistas para explicar por que o estado gaúcho perde terreno para os vizinhos. Os fatores vão da dependência do agronegócio ao peso da previdência estadual, passando pela dificuldade de atrair e reter pessoas, um retrato que interessa diretamente a quem administra, mora ou investe em condomínios no estado.

Segundo o economista Aod Cunha, ex-secretário da Fazenda gaúcha, o Rio Grande do Sul tem a menor taxa de entrada de população do país, e o desafio central está na falta de atração. O professor Mauricio Weiss, da UFRGS, observa que Santa Catarina e Paraná adotaram políticas mais agressivas para trazer empresas e que o estado convive com a saída expressiva de jovens em busca de novos projetos. Somada à menor taxa de fecundidade do Brasil, conforme dados do IBGE citados pela revista, essa dinâmica produz uma população que envelhece e reduz sua parcela economicamente ativa.

O clima agrava o quadro. Responsável por cerca de 70% da produção nacional de arroz, o estado vê seu PIB oscilar ao sabor das safras. Em 2022, enquanto o país cresceu 3%, a economia gaúcha recuou 4,5% por causa da estiagem. Em 2024, ano das enchentes, o estado avançou 4,5%, acima dos 3% nacionais, mas boa parte desse resultado refletiu gastos com reconstrução, e não ganho de capacidade produtiva. Nas contas públicas, o governo estadual gasta mais com aposentados do que com servidores ativos.

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O desempenho de longo prazo confirma a tendência. Estudo do Instituto Fecomércio-RS de Pesquisa, divulgado em julho, mostra que entre 2002 e 2023 o PIB gaúcho cresceu 34%, o menor avanço entre as 27 unidades da federação, contra 54,6% no Paraná, 65,2% em Santa Catarina e 58,2% na média nacional. No mesmo período, a população do estado aumentou 8%, menos da metade dos 18% registrados no país.

Para o mercado condominial, os números têm leitura dupla. Na capital, o setor imobiliário mostra fôlego: levantamento do Sinduscon-RS, em parceria com Alphaplan e Órulo, aponta 1.205 unidades de médio e alto padrão lançadas em Porto Alegre no primeiro semestre de 2026, alta de 18% sobre igual período de 2025, ainda que o ritmo tenha desacelerado no segundo trimestre. A base demográfica que sustenta a demanda no longo prazo, porém, é justamente a que preocupa os economistas.

Na prática, o envelhecimento dos moradores tende a pressionar síndicos e administradoras por obras de acessibilidade, revisão de serviços e novas regras de convivência. A recorrência de eventos climáticos extremos exige planos de contingência, revisão de apólices de seguro e fundos de reserva mais robustos. E uma economia sujeita a oscilações bruscas repercute na capacidade de pagamento das famílias e, por consequência, na inadimplência das taxas condominiais.

Weiss avalia que a disputa entre os estados do Sul tende a se equilibrar no campo dos incentivos, deslocando o foco para ambiente de negócios, infraestrutura e capital humano. Nesse cenário, condomínios bem geridos, com custos previsíveis e estrutura resiliente, passam a integrar a equação que faz uma cidade reter talentos. Para síndicos, moradores e investidores gaúchos, acompanhar a agenda econômica do estado deixa de ser assunto distante e passa a ser parte do planejamento do próprio prédio.

 

Fonte: Forbes Brasil

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Escrito por

Gabriele Fiel

Colunista do Portal SBM.

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